Arquivos do mês February 28e 2008

O celular do Homer Simpson

Um dos mais célebres episódio dos Simpsons, de 1991, é aquele no qual Homer conhece um meio-irmão dono de uma montadora de carros, e a partir de uma articulação nepotista, recebe a missão de criar o carro popular do americano. O resultado, obviamente, é bizarro, e quebra a empresa do meio-irmão rico:

Carro dos sonhos do Homer Simpson.

Essa passagem, contada de maneira muito irreverente, como é de praxe na série, ilustra algo real e importante: é preciso formação, bagagem e muito estudo para atender as necessidades da população. Não adianta pegar um cidadão médio, dar lápis e prancheta na mão do mancebo, e esperar a solução de todos os problemas da humanidade.

Essa pequenina introdução ilustra um caso real da síndrome do Homer. A Nokia abriu um estúdio satélite na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Na inauguração, abriu espaço para a comunidade, numa espécie de brainstorm coletivo. O resultado me fez lembrar, de imediato, o carro do Homer. Confira alguns (imagens e legendas do IDG Now!):

Eco-celular.

Eco-celular. Este morador criou o celular perfeito como sendo ecologicamente correto: ele teria bateria solar, monitoraria a camada de ozônio e ainda seria um medidor de poluição da água.

Celular fashion.

Celular fashion. Este modelo foi criado por uma amante da moda: ele tem espelho e espaço para maquiagem.

Polivalente.

Polivalente. Nada ambicioso, este morador quis mesmo é um celular faz-tudo. O aparelho ideal teria de integrar TV e computador ao dispositivo móvel.

Celular divã.

Divã no celular. Dinamismo seria o melhor adjetivo para este aparelho. Ele tem entrada para tudo: joystick, cartão de memória e cabo ou antena. Não satisfeito, o autor do desenho quis ainda um botão que aciona uma “psicóloga virtual”. Claro, além do básico mashup “câmera, filmadora e iPod”.

Portanto, fica a dica: deixem para os designers a árdua tarefa de prever e conseguir suprir as necessidades dos consumidores. Mesmo com muitos erros, os acertos, quando ocorrem, compensam a disparidade. Sem falar que, como se vê pelos exemplos acima, se dependêssemos de nós mesmos… Melhor nem pensar nisso.

Bastidores do Wincast, o podcast do WinAjuda

Ontem lancei o Wincast, o podcast do WinAjuda. Foi a primeira vez que “falei” na Internet, e a experiência foi muito agradável e divertida.

Fazer um podcast é mais complicado, trabalhoso e difícil do que escrever um texto. É preciso preparar um roteiro, configurar o editor de áudio (que, no meu caso, é o Audacity), e… falar. Pode parecer que não, mas, pelo menos para mim, essa é a parte mais difícil, especialmente no começo. Tive o cuidado de, baseado numa série de fatores, gravar o podcast quando estava sozinho em casa. Mesmo assim, a timidez bate forte, e nos primeiros segundos de gravação é tudo muito estranho e desconfortável. Depois, como quando falo em público, as idéias começam a fluir, e dali em diante a vergonha praticamente some.

Consegui abordar todas as partes que planejei no roteiro, e isso num tempo legal – 35 minutos. A edição do áudio limitou-se a remover lapsos de silêncio no “momento filosófico”, parte na qual falei sobre a pronúncia de palavras do “informatiquês”. Como já cansei de dizer/escrever, minhas habilidades nesta seara são meio porcas ainda, mas irão melhorar – até musiquinha de abertura já consegui colocar!

O mais legal, porém, foi o feedback dos ouvintes, tanto nos comentários, quanto via e-mail e pelo Twitter. O pessoal ouviu, comentou, criticou e até elogiou, vejam só! Isso dá gás para continuar a série de podcasts, e melhorar sempre.

Gostei muito da experiência, e certamente repetirei a dose. Espero poder contar com convidados nas próximas vezes, pois isso sempre acrescenta e deixa o programa mais interessante e divertido.

Dêem um pulo no WinAjuda, e confiram o primeiro Wincast!

Novo tema-portifólio

No começo do ano, saí em busca de uma solução, um workaround que fosse, para migrar o blog para um subdiretório, fazendo redirecionamento dos permalinks. A idéia era criar, na raiz do site, um portifólio, mostrando meus trabalhos e tal. Gastei muitas horas pesquisando, pesquisando e pesquisando, sem nenhum resultado concreto e, o mais importante, garantido. Poderia ter sido frustrante, mas a verdade é que esse grande lapso temporal acabou servindo para refletir sobre o assunto.

Pensei o seguinte: não tenho tantos trabalhos assim a ponto deles merecerem um portifólio dedicado. Além disso, não tenho pretensões, pelo menos a curto e médio prazo, de fazer dos free lances eventuais nos quais trabalho minha principal atividade. Paralelamente a isso, pensei também no blog, nele como sendo uma espécie de “cartão de visitas”, algo que mostra um lado meu mais humano, mais subjetivo. Isso existe, e não é raro amigos e conhecidos ressaltarem tal característica, a qual, particularmente, considero muito importante, uma das finalidades deste espaço, para ser mais exato.

Enfim, tendo tudo isso em mente, resolvi pegar o projeto do portifólio, no qual já estava trabalhando, e integrá-lo ao blog. A aparência lembrava bastante o Fusion, e este fator foi levado em conta na tomada desta decisão. Três dias depois, o tema estava pronto e a pleno vapor.

Apesar de lembrar muito o Fusion, este tema, criativamente batizado de Fusion 2008, traz muitas diferenças estruturais. Ele é dividido em três colunas: a primeira com meu portifólio (que ainda não está no ar), a segunda com os textos do blog, e a última, com informações externas e formas de contato. Os dados do blog, que geralmente ficam na sidebar, foram organizados no rodapé. Particularmente, gostei do resultado. Ficou harmônico, talvez um pouco carregado em cima, mas nada muito grave.

Há dois pontos que gostaria de destacar. O primeiro é o fato de, na home, aparecer apenas o último texto publicado. Isso não acontece nas páginas internas (maravilhas do query_post), e, enfim, achei melhor fazer assim para preservar a integridade do tema pelo menos na página inicial. A outra, é a terceira coluna, com canto arredondado e um efeito de perspectiva que faz com que ela aparente estar abaixo das demais colunas. Ficou legal, né? :mrgreen: .

O topo demonstra minha total falta de habilidade com o Fireworks, mas é honesto e quebra o galho.

Ah, outra coisa: em breve, liberarei o Fusion para download. Aguardem e confiem!

Read my mind

Fazia tempo que não assistia um clipe tão legal quanto Read my mind, dos Killers. Dá vontade de colocar no repeat

Finalmente

Sete meses depois de inaugurar minha lojinha de DVDs, finalmente vendi o primeiro (um dos mais legais: Grease). Como vendedor, sou ótimo webdesigner…

O último ano do curso de Direito

Amanhã começa o fim. O último ano do curso de Direito, que faz com que 2008 seja, desde já, importantíssimo e crucial para meu futuro. Daqui a um ano, será festa, e canudo, e gritar “acabou!”, e começar a se ferrar no exame da Ordem. Isso imediatamente após o término. Mas e depois?

Não é novidade para quem lê este simplório blog que vivo um dilema de me dividir entre os mundos jurídico e da Internet. Isso é uma agravante na análise que devo fazer acerca do futuro. Como já enchi o saco de vocês comentei este assunto num outro texto, a partir daqui me concentro no curso de Direito mesmo.

Foi no finalzinho de 2003 que decidi, meio que por falta de opção, cursar Direito. Minha mãe já era advogada (mas sem exercer), e dois primos mais velhos estavam prestes a terminar o curso. Entrei, enfim, numa universidade particular, sem ao menos tentar uma pública, simplesmente por não existir nenhuma na cidade e eu não querer, na época, sair daqui – nessas horas eu sinto como a cegueira que nos arremata vez ou outra por motivos diversos, mas invariavelmente sentimentais, é prejudicial.

Faculdade particular tem suas vantagens, como a boa estrutura, mas carrega algumas características que, se não prejudicam, também ficam longe de serem benéficas. Talvez esses deméritos se estendam às públicas também, não sei ao certo. Eu tinha aquela sensação de que não era pra valer, de que chegaria uma hora em que as matérias, trabalhos e provas iriam apertar de tal modo, que eu seria obrigado a aprender Direito, nem que fosse na marra, e que eu conseguiria tal façanha, e que saberia muita coisa de cor e salteado. Mas o tempo passou, e nada dessa reviravolta acontecer. Claro que chegou uma hora em que eu caí em mim, e vi que era aquilo mesmo. Que dá para você levar o curso com a barriga, sem se dedicar o tanto quanto deveria, e que mesmo assim, é possível ficar parelho com os melhores da sala, com aqueles que passam o dia com a cara enfiada numa doutrina chata. E isso é tão… desanimador.

Quando saí do círculo acadêmico, e fiz uns estágios mal aproveitados e exploradores, senti o quanto eu estava aquém do que o mercado exige. E hoje, prestes a começar o último ano do curso de Direito, só sei que nada sei. Não sou acostumado a ser leigo em algo que me proponho a estudar, mesmo que de mal grado. Mas ante o Direito, e suas incontáveis lacunas e brechas e possibilidades, sinto-me um analfabeto. Uma ou outra coisa fica grudada no cérebro, mas se o assunto afunila um pouco, já complica tudo. Não é preguiça de pesquisar, coisa que sempre faço quando pinta a dúvida, mas sim frustração por precisar pesquisar coisas triviais, mesmo estando praticamente formado.

Talvez esse despreparo seja comum a todos, talvez seja reflexo de uma provável baixa qualidade de ensino, talvez seja coisa da minha cabeça. É ruim, de verdade.

Daqui a duas semanas, é a vez da minha irmã do meio começar sua jornada jurídica. Espero que ela aproveite melhor do que eu aproveitei a minha até aqui, e que, ao chegar no quinto ano, não se sinta tão ignorante quanto eu me sinto agora.

Charlie Brown e a menininha de cabelo ruivo

Dentre episódios do Pica Pau repetidos centenas de vezes, e outros do Popeye concebidos na Era Mezozóica, vez ou outra passa, na Record, alguns do Snoopy, clássico de Charles Schulz. Nunca fui muito ligado no universo do personagem, não dava muita bola para os desenhos semi-estáticos, mas enfim, estava eu deitadão no sofá, incapaz até de trocar o canal, quando começou um episódio do dito cujo. E eu assisti, e gostei muito, de verdade, e fiquei impressionado com a qualidade e a sensibilidade do autor.

O episódio em questão foi “Você está apaixonado, Charlie Brown” (“You’re in love, Charlie Brown”, no original), de 1967. Nele, Charlie Brown, o dono do Snoopy, se apaixona por uma colega de escola, a menininha de cabelo ruivo, e faz de tudo para, nos últimos dias do ano letivo, conseguir se aproximar da moça.

You’re in love, Charlie Brown.

O mote do desenho já seria o bastante para fazer qualquer romântico otário e bobo à moda antiga, como eu, esboçar um sorriso ininterrupto. Porém, não bastasse ele, todo o resto colabora para com essa identificação gostosa e rara. As neuras de Charlie Brown, a ajuda dos amigos, o medo de encarar uma simples menininha… “Rá! Já aconteceu comigo!”. A produção, simples ao extremo, dá um ar nostálgico à obra. Enfim, é um clássico perdido e não reconhecido!

Um detalhe curioso é que, em momento algum, a menininha de cabelo ruivo aparece na tela. E essa é uma jogada fenomenal do autor! Dessa maneira, quem assiste tem a oportunidade de idealizar sua própria menininha de cabelo ruivo, se colocando no lugar de Charlie Brown, e entendendo perfeitamente o desespero do personagem.

Se você já teve um amor platônico, se já passou por situações embaraçosas no início da puberdade, se ao menos já olhou para alguma amiguinha com outros olhos, tem grandes chances de adorar esse desenho.

Uma pena o não estar disponível em DVD no Brasil… Mas, pelo visto, é apenas questão de tempo. A Imagem Filmes lançou dois DVDs dos episódios clássicos do Snoopy, totalizando quatro, recentemente – o último é de janeiro de 2008. A esperança é que todos os demais sejam lançados, incluindo este relatado no texto.

Já assisti alguns outros, como “Lucy e Schroeder”, e são tão bons quanto o primeiro. O legal é que, apesar do aspecto visual infantil, o desenho aborda questões existenciais altamente complexas, de maneira tão sutil, tão agradável, que.. Ah, já deu pra perceber pelo meu entusiasmo o espírito da coisa, né?

Então, é isso: se não tiver nada para fazer após o almoço, dê uma zapeada na Record. Se estiver passando uns bonequinhos cabeçudos que praticamente não se mexem, falando coisas legais e profundas, pare e preste muita atenção. Ah sim: outro ponto de referência é um cachorrinho branco de orelhas pretas. Vez em quando, ele aparece também…

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PS1: A entrada do desenho na Wikipédia inglesa é imperdível para quem já o assistiu – e para quem não vê problemas em ler spoilers também.

PS2: Duas curiosidades sobre esse episódio: 1) foi a estréia de Paty Pimentinha, que havia aparecido um ano antes nas tirinhas, em desenhos animados; 2) pela primeira vez, o som de trombone (ou qualquer outro instrumento de percussão) foi utilizado para representar as vozes dos adultos.

PS3: Eu quero esse desenho!!! Logo, logo, o conseguirei em inglês. Aí, se ainda estiver inspirado, escrevo um resumão. Mas mesmo assim, eu ainda quero um DVD, e nacional!!! :P .