Ganhar dinheiro com blogs: ilusão?
E lá estava eu, com uns quinze anos, fazendo malabarismos para atualizar um site no meio da semana, via conexão discada. Algumas escapulidas durante o dia (afinal, pulso é caro), um dia da semana sem dormir (geralmente quarta), e assim a vida seguia. Estava ainda no ensino médio, e naquela época, não imaginava ganhar dinheiro com meu site. O WinAjuda era um hobby, e eu, sei lá por qual motivo, adorava aquilo (e ainda adoro). O site era old school, feito na base do HTML (e só), tinha aquele ar inocente, o jeito moleque de ser e aparecer.
Passado um tempo, surgiu um tal de “ádicense”, um site da Google que, vejam só, arranjava anunciantes para seu site! E o mais legal é que os anúncios eram contextuais, ou seja, eram sempre sobre o que o texto da página em questão abordava - pelo menos na teoria. Se alguém disser isso hoje, todos darão risada, mas vamos lá: eu mantinha os anúncios no site apenas para fornecer links interessantes aos leitores. É sério. Não ganhava nem pra comprar um picolé por dia, e cheguei a cogitar remover os anúncios dali, afinal, não ganhava nada mesmo, não? Mas aà pensei comigo, e… “Não, vez ou outra aparecem links interessantes ali. Vou deixar, afinal, é um serviço a mais no site”.
Claro que esse discurso de bom samaritano não durou muito, e quando os centavos começaram a pingar com mais intensidade, vi aquilo com bons olhos. Essa época coincidiu com um “you’re fired” num estágio com uns advogados no qual havia me metido, e, bem, juntou a fome com a vontade de comer.
Passados alguns meses, chegou pelos Correios um envelope de Nova York, e dentro dele um cheque dos US and A! Eu realmente não tinha idéia de como transformar aquela folha sulfite grossa em dinheiro, mas, who cares? Era dinheiro, e isso era o que importava. Meus pais ficaram orgulhosos, virei assunto na famÃlia e entre os amigos, fui entrevistado pelo Jô, enfim, financeiramente falando, as coisas não podiam estar melhores.
E se eu investisse num outro site, com algum assunto de grande apelo na Internet? Pimba! O MSNM veio ao mundo em maio de 2005, pouco tempo depois de eu receber meu primeiro tostão oriundo da Grande Rede. Novamente a sorte sorriu para mim, e graças a uma sucessão de betas vazados do MSN Messenger, prontamente publicados no site (aliás, não façam isso), em pouco tempo consegui uma estabilidade em termos de visitas confortabilÃssima. Dali a ganhar algo realmente relevante com sites, foi um pulo.
Fiquei nessa durante muito tempo. Quase três anos, para ser mais exato. Mas, tal qual tudo que é bom e alegria de pobre, acabou. E, por incrÃvel que pareça, de uma maneira cruel e ainda sem explicação.
(Desculpe-me, leitor regular deste blog. Em outras épocas, teria escrito este texto “mimimi” no BlogAjuda. Como ele não está mais entre nós, e agora eu só escrevo coisa séria no pBlog, sobrou para este modesto blog.)
Muita gente fala que teme o fato de estarmos na mão da Google, certo? Mas a verdade é que só sabe o inferno que é ser afetado diretamente pela empresa quem já passou por alguma experiência amarga. Como eu. Há alguns dias, sem mais nem menos, o MSNM foi detonado nos Ãndices do buscador. Isso significou uma queda de mais de 70% de visitas e, por tabela, de ganhos. Os outros sites, incluindo aà o WinAjuda, não rendem nem um terço do que o MSNM, sozinho, rendia. Mesmo desatualizado, o site era campeão em rendimentos. Eu sempre fui e ainda sou contra sites e blogs “pega-paraquedistas”, e por isso mesmo me orgulhava do MSNM. Afinal, o site é (ou era) freqüentado por paraquedistas, mas é honesto quanto a isso, e fornece o que a pessoa que lá chega espera encontrar - dicas, emoticons e imagens de exibição.
Mas e agora? O que fazer? Não sei… A faculdade está quase no fim, vez ou outra surge um freela em webdesign, o WinAjuda vai bem (obrigado), e eu, pra variar um pouquinho, ando extremamente indeciso e pensante. Opções existem, mas todas são relativamente incertas… Eu ainda posso criar outro(s) site(s), mas no momento busco algo mais sólido e seguro. E ainda dizem que o mantra da Google é “don’t be evil”. Imaginem se fosse o contrário?
Resumindo, Internet dá dinheiro, sim, mas infelizmente, a fatia maior do bolo vai para quem explora a ignorância e a burrice alheia. E, que seja discurso de loser, ou qualquer coisa do tipo, mas não me sentiria bem fazendo isso. Para quem vive insatisfeito com o descaso e a decadência da educação brasileira, explorar tal situação é, no mÃnimo, compactuar com a merda que ela é hoje. E, não, não farei isso.
Alguém me dá um emprego?