Posts do mês Março de 2008

Saldo da Páscoa

23 Mar

Homem Aranha, Gianduia e Sonho de Valsa.

Assim não há regime que agüente: 1,2 quilo de cholocate. Será uma briga feia entre a tentação do alimento dos deuses e a necessidade de emagrecer, potencializada pela iminente perda do terno que comprei (por uma cacetada) dois anos atrás.

Agora, indignante mesmo é a máscara do Spiderman que, infelizmente, tenho quase certeza que não entrará na minha cabeça. Por que não fazem em três tamanhos (P, M e G)?

LOL, MILF, WTF e outras abreviaturas estranhas

18 Mar

Não é por falta de assunto, mas sim coincidência, que volto a citar Hank Moody para ilustrar o assunto de um post. No sexto episódio de Californication, durante a entrevista em que ele faz uma explícita analogia entre blogs e fezes, Hank diz que a Internet está “emburrecendo” as pessoas, e que abomina gírias e abreviaturas estranhas, como o LOL. Confesso que não sou muito adepto dessas convenções cibernéticas, mas ignorá-las ou combatê-las é meio idiotice a essa altura. Está enraizado, especialmente aonde se fala inglês, idioma do qual deriva a maioria dessas… dessas coisas. Faço minha parte, escrevendo tentando escrever corretamente até mesmo em bate-papos, mas me limito a isso.

O chato é que, muitas vezes, o significado fica oculto, e prejudica a interpretação dos textos. Não se trata de ignorância do leitor, afinal, ninguém é obrigado a saber que diabos significa MILF; trata-se de… uma certa áurea de mistério, igual a das reuniões da maçonaria. Ou seja, uma puta besteira, que ganha status de última bolacha do pacote só porque é secreta. Tipo aquele cara que “sabia” o segredo de todos, e acabou ficando maluco quando alguém “descobriu” o seu (não consegui lembrar nem o nome da crônica, muito menos o autor - alguém me ajuda?).

Tal qual um algoz de panelinhas, um Robin Hood dos desconhecedores de abreviaturas esdrúxulas, adotei a causa e decidi expôr ao mundo esses significados obscuros. Até hoje não havia encontrado uma explicação, sequer um indício do que tais abreviaturas significam. Nem mesmo em blogs que as usam à exaustão. Felizmente, o segredo não é tão secreto assim, de modo que bastou uma rápida pesquisa e um pouco do meu parco inglês para decifrá-lo.

Comecemos pelo mais elementar e, se me permitem o comentário, bobo: LOL. Por dedução, é fácil entender que ele significa risada. Mas, LOL? A pronúncia, algo como “é-lôuél”, ao contrário do “hahaha”, não lembra risada. Na realidade, não lembra mesmo, já que trata-se da abrevitura de “laughing out loud”, expressão que, em português, é algo como “morrendo de rir”. Continua bobo, de qualquer maneira.

O ASL era super comum na época de ouro do bate-papo, quando o ICQ era rei. Era uma forma abreviada de perguntar a idade, o sexo e a cidade do interlocutor recém-abordado para uma conversa. As letras significam “age”, “sex” e “location”. Era tão famoso que antigas versões do MSN Messenger tinham um emoticon contendo essas três letras. Este aqui, ó: ASL - Age, sex, location..

De todas essas abreviaturas, a que mais simpatizo é IMHO. Talvez seja uma sensação particular, mas parece-me que a própria palavra emana algo… humilde. Destrinchando-a, temos a frase “in my humble opinion”, ou em nosso vernáculo, “na minha humilde opinião”. Existe a variação IMO também, onde o “humble” (”humilde”) cai fora, mas esta é pouco usada.

Uma muito útil para quem acessa o e-mail do trabalho é a NSFW. Tanto que, acho eu, ela ou algo parecido com ela deveria ser adotado de forma maciça por aqui… NSFW não é uma versão do Need For Speed. Trata-se de uma sigla que indica ser o link, imagem ou anexo, inadequado para o ambiente de trabalho. “Not safe for work”, que traduzindo ao pé da letra, fica “inseguro para o trabalho”. Interpretando, seria algo como “não abra esse troço se seu chefe estiver por perto!”.

Uma das mais famosas é o WTF. Usada para designar coisas bizarras, quer dizer “what the fuck”, e geralmente é procedido por um “is this?”. Juntando tudo, temos a tradução “que p*rra é essa?”. Existe um movimento (link NSFW!) tentando padronizar uma versão abrasileirada, o MQP (”mas que p*rra”). Ainda não ganhou apoio enfático dos internautas brasileiros, mas tem potencial.

MILF. Essa era a que mais me deixava em dúvida. Adjetivo para mulheres, não conseguia determinar o ponto-comum entre elas. Até hoje. MILF é, nada mais, nada menos, que “mothers I’d like to fuck”, ou “mães que eu gostaria de f*der”. Atenção: não se trata de incesto, já que as mães em questão são as outras, não a sua. O achei meio pesado, mas… É, talvez, o único caso em que a ocultação do significado seja plausível. Ou não.

Ainda temos o legalzão O RLY?, geralmente usada na forma de imagem, com uma coruja de olhos arregalados ao fundo. É a abreviatura de “oh, really?”, um “é sério!?” com alto teor sarcástico (exemplo).

Para encerrar, afinal, não consigo me lembrar de outros, temos o clássico OMG, cujo qual tem correspondente nacionalizado, muito usado, aliás. OMG significa “oh my God!”, e sua tradução é o indefectível “ah, meu Deus!”.

Faltou alguma? Expliquei de forma equivocada as abreviaturas mostradas ao longo do texto? Complemente-o, através dos comentários.

E só pra constar, evitem usar esse monte de porcaria em seu dia-a-dia. Seus superiores, professores, e a língua portuguesa de modo geral agradecem.

Vácuo…

16 Mar

Hank Moody, de Californication.

Em Californication, Hank Moody, personagem principal representado por David Duchovny, sofre de falta de criatividade para escrever um novo livro. O último escrito por ele foi lançado sete anos atrás. Numa passagem, no sexto episódio, acho, Hank diz a alunos do ensino médio algo do tipo: “Ser escritor é um saco. É como ter dever de casa todo dia para o resto da vida”. A pressão deve ser grande, ainda mais quando se é um escritor famoso. A expectativa por parte dos leitores é gigantesca, e a linha entre um novo sucesso e o iminente fracasseo é extremamente tênue.

Não sou escritor, ou melhor, autor de livros. Escrevo uns rabiscos aqui e em outros poucos blogs, e só. Também escrevo petições para a faculdade, se bem que lá a coisa é quase mecânica, do tipo “pegue uns artigos, cite uns autores e faça um pedido”. Mas mesmo nos blogs, algo que, em sua essência, poderia ser considerado um repositório de qualquer coisa, seja ela equiparável a um romance de Machado de Assis, seja ela algo digno do vaso sanitário, é aceitável. Afinal, o controle de qualidade sou eu mesmo, não? Sim, mas na prática as coisas não são tão simples assim.

Às vezes vejo a data do último texto publicado aqui, e me sinto culpado. Aí, dando uma de Dom Quixote, abro o editor de textos, e me vejo lutando contra monstros imaginários, monstros que são, na realidade, a mais pura e completa falta de assunto, de criatividade. Não tenho compromisso com ninguém, falando de forma objetiva. Se ficar meses sem escrever uma palavra aqui, um ou outro leitor me cobrará novidades, mas pára por aí. Não ficarei mais pobre ou menos rico, muito menos serei punido por abandonar o blog. Mas ficarei com peso na consciência, e voltarei a brigar com os monstros imaginários do editor de textos. Como se vê, essa liberdade proporcionada pelo blog é uma faca de dois gumes.

Hank, no auge da sua inépcia em criar um novo romance, passa a escrever num blog da Hell-A Magazine. Numa entrevista na rádio, o locutor elogia a nova empreitada do personagem, e este emenda o seguinte: “Mas é… É mais um monte de merda. Sabe, coisas me irritam e eu descarrego. Escrevo tudo”. Legal.