Rodrigo Ghedin

Rachas e baladas (Dolphins), de Mark Jay

Pôster de Rachas e Baladas (Dolphins).

Pôster de Rachas e Baladas (Dolphins).

Às vezes acho que minhas resenhas de filmes são uma droga. É muito difícil eu falar mal de uma produção, já que, se ela é boa mesmo, rasgo elogios, e se é ruim, tendo a ver a coisa por um lado mais cômico e, no fim, acabo o superestimando e dando uma nota boa também. Talvez por isso que, ontem, assim que terminei de assistir Rachas e baladas (Dolphins, 2007), a primeira coisa que pensei foi “tenho que escrever sobre esse filme no blog!”. Afinal, não é todo dia que me deparo com um excremento áudio-visual.

O plot é aquela velha fórmula gatinhas saradas + carros envenenados, consagrada pelo excelente Velozes e Furiosos (Fast and Furious) e suas fracas seqüências. As semelhanças, porém, não vão muito longe. São tantas deficiências, tantos pontos ruins, que acho melhor dividi-los em parágrafos.

Pra começar, o ponto mais fraco é a direção. Fiz questão de saber o nome do indivíduo que realizou tamanha caca, pra ter a certeza de jamais assistir outro filme em que ele participe. Mark Jay é o nome do maldito, que além de dirigir, também escreveu o roteiro. A direção é a coisa mais bizarra que eu já vi na vida. Consegue ser pior que os experimentos realizados por Ang Lee em Hulk - e olha que, pra ser pior que aquilo, o cara precisa ser muito ruim. O roteiro é ruim e mal conduzido. Há muitas tramas paralelas, e excesso de personagens. Pra lá da metade do filme, não foi incomum questionamentos do tipo “quem é esse cara?”, ou então “de onde ele tirou esse carro?”. Não há uma continuidade, coisas novas aparecem e vão embora sem explicação, momentos que deveriam ser o ápice são tratados com descaso, e vice-versa. Fica a dúvida se Jay merece levar a culpa sozinho, ou se houve uma co-participação do cara da edição.

Ainda na parte técnica, os atores também têm culpa no cartório. Karl Davies, que interpreta o mocinho Brent Black, precisa comer muito feijão com arroz para se transformar n’algo próximo do Vin Diesel. Aquela cara de bebezão não assusta ninguém, e definitivamente não combina com o posto de mother fucker do pedaço. O resto do elenco segue o protagonista, ou seja, um bando de incompetentes, com atuações forçadas que beiram o escracho.

Legal meu calhambeque, né?

Legal meu calhambeque, né?

Num filme que se propõe a ser “de corrida”, espera-se… corridas, não? Pois é, acontecem duas apenas, durante o filme inteiro. Duas corridas. Patéticas. Ambas são contra um bandidinho mequetrefe, ambas são nojentas. Pra começar, como o filme é britânico, o volante dos carros fica do lado direito - o que é deveras estranho para nós. Agora, o que incomoda mesmo, é o nível das corridas. Minha mãe dirige mais rápido que eles, e faz isso a bordo de um Celta 1.0. Some a essa porcaria a parte mais non sense do filme, na segunda corrida. O bandidinho mequetrefe, que leva o irmão do Black no carro, sai da pista e joga o carro num precipício. Tipo… WTF?

Cena bizarra, aliás, é o que não falta. Quando Black e a mocinha, Ophelia (interpretação nojenta de Lauren Steventon), resolvem se conhecer mais intimamente, eles descobrem que ambos possuem cicatrizes no corpo. Aí começa um lambe-lambe frenético de cicatrizes, numa tentativa exagerada de demonstrar que eles se aceitam como são, e blablablá. Outra: durante o filme todo, o Legend (Frank Harper) diz que NOS é perigoso, que deve ser usado com cautela, enfim, põe medo no frangot… digo, no Black. No final, o Lenda coloca o perigoso NOS no calhambeque do Black, que ao invés de usá-lo durante uma corrida, o faz para chegar mais rápido na estação de metrô, e resgatar a Ophelia. Ah sim: de 40, com NOS o carro dele pega 60 Km/h.

Não se iludam com a capa bonitinha, e com o nome tosquíssimo e super apelativo que o filme recebeu no Brasil. Ele é horrível, um dos piores que já assisti. Resumindo, fuja com todas as suas forças!

Nota: O O O X X X X X X X (3,0)

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Rachas e baladas.
Rachas e baladas

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Publicado em 13 de April de 2008, às 9:26 am, na categoria Cinema, Cultura.

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