5 grupos nos quais eu entrei, mas não fiquei
Grupos são legais. Apesar de nunca ter freqüentado assiduamente um, reconheço que eles são legais. Promovem interação entre seus membros, possibilitam eventos legais, criam amizades duradouras. Mas, como dito, eu nunca participei efetivamente de um. Tentei algumas vezes, mas não deram muito certo.
Estou acompanhando a série Greek, centrada num esquema estranho de fraternidades de uma universidade americana, e me lembrei disso. Uma fraternidade, pelo que entendi, é o referente às repúblicas aqui do Brasil, mas bem maiores e organizadas, com filiais e tal.
Mas voltando aos grupos. Foi assistindo Greek que me lembrei que minha adolescência e fase de faculdade não foi cumprida a contento, afinal, faltaram os grupos. Partindo desse pensamento, lembrei-me das malfadadas tentativas, e resolvi compartilhá-las com vocês, mesmo algumas delas sendo meio embaraçosas. Tentei organizá-las cronologicamente, mas não tenho certeza se foi nessa ordem mesmo.
1. Futsal
Uma das primeiras palavras que eu aprendi foi “gol”. Desde pequeno demonstrava amor ao esporte bretão, paixão nacional. Tanto que meus pais eram crentes de que eu seria um fenômeno, ou quase isso. Naturalmente, quando atingi idade, me inscrevi numa escolinha de futsal.
Aquilo era muito bom. Duas vezes por semana, no fim da tarde, eu andava umas oito quadras para fazer exercícios, aguardando ansiosamente o coletivo. Fiz boas amizades que não resistiram ao tempo, e me diverti bastante naquele lugar.
Um dia, aconteceu o primeiro campeonato. E, minutos antes da minha estréia, eu travei geral. Nessa época eu tinha uns oito anos, e não sei se pela enorme quantidade de pessoas me vendo, ou se pela pressão do tal “campeonato” (que era interno, só tinha galera do próprio time), fiquei apavorado. Meu jogo foi uma droga, e ali, depois de quase um ano de treinos, eu sepultei minha promissora carreira de jogador de futebol.
2. Marianinhos
Meus pais eram religiosos meio que exemplares, do tipo que iam à missa todo fim de semana, participavam de grupos (MFC), e faziam caridades. Hoje em dia a coisa está meio mudada, não sei se por influência negativa minha e das minhas irmãs, mas está. Como filho de um casal exemplar, porém, por vezes tentei freqüentar grupos religiosos, como o Marianinhos.
A pré-adolescência é um período conturbado. Afinal, não se é nem muito criança para estar entre elas, nem muito adolescentes para estar entre eles. E aí rola uma espécie de loteria: ora você fica com os mais velhos, ora com os mais novos, sem nenhum motivo ou critério claro. Numa dessas, ao invés de entrar no grupo de jovens, acabei entrando no Marianinhos, uma espécie de grupo de jovens para crianças - sim, sei que é paradoxal.
O grupo era bacana, os monitores/professores/whatever se esforçavam bastante, e no começo a coisa fluía maravilhosamente bem, mesmo o membro mais velho, descontando eu, sendo cinco anos mais novo que eu. Mas aí aconteceu uma queda de produção, os encontros ficaram mornos, e isso, somado ao horário ingrato (15h, aos domingos!? Quem marcou essa m*rda de horário?), me afastaram do negócio. Deve ter durado uns dois meses.
3. Interact
O sonho de viajar para o exterior. Acho que todo mundo já o teve, não importa a idade, não importa onde se viva. Com meus quinze anos, a idéia de ser intercambista era bastante chamativa, e o atalho mais curto para atingi-la, era o Interact.
O Interact, para quem não sabe, é uma versão adolescente do Rotary, aquele grupo de senhores nobres de conduta ilibada que se reune periodicamente para comer bem e, nos intervalos, fazer alguma obra de caridade qualquer. O espírito é o mesmo na versão teen, acrescidas algumas dinâmicas bobas, e encontros anuais para promover a integração dos membros. Deve ser legal, se você se deixa “contaminar” (não achei palavra melhor) pelo espírito da coisa. Minha imunidade, porém, deve ser alta, já que não agüentei muito tempo ali.
Foram duas semanas, e no meio delas, um encontro estadual! Participei do ENID, que naquele ano, coincidentemente aconteceu na minha cidade, Paranavaí. Passei um fim de semana trancafiado numa escola da periferia, e… ok, eu confesso, foi bem legal. Joguei futebol, assisti palestras das quais não lembro bolhufas, fui numa festa dos anos sessenta, onde dancei com uma menina. Acho que foi a primeira vez, e não foi muito bom. Digo, o fato em si foi, mas alguns idiotas de uma figa rapazes rindo da minha falta de malemolência, definitivamente, não. Foi lá, também, que eu acho que, pela primeira vez, flertei com uma menina: ela se ofereceu para segurar meu relógio durante uma partida de futebol (óun…), e, não sei se foi impressão minha, mas ela sempre me olhava. Uma pena a ficha ter caído um tempão depois. Se bem que, mesmo que eu tivesse retribuído o flerte, minha timidez certamente não teria deixado nada acontecer.
Três reuniões, e um encontro estadual. Duas semanas. Ali acabou minha participação no Interact.
4. RPG
Desde pequeno, me interesso por RPG. Mas não o tradicional. Gosto do eletrônico, jogado no vídeo game. Final Fantasy VII e VIII, Brave Fencer Musashi, Vagrant Story… Boas lembranças!
Um dia, o Rafael me convidou para participar de um RPG de verdade. Já tinha lido e ouvido muito sobre D&D, Vampiro, e outros clássicos do assunto. Topei. Deveria ser legal, né? Bom, é… deveria, mas não é. Esse negócio de deixar a imaginação fluir além das fronteiras do consciente e/ou normal me assustou. Saí da casa do Rafael um tanto traumatizado, e, claro, jamais criei meu personagem, nem voltei a jogar RPG de verdade. Dados de duzentas faces? Livros estranhos? Pessoas vestidas de preto e com cabelo oleoso? Tô fora.
Foi no grupo de RPG minha participação mais fugaz. Durou uma tarde, e só.
5. Grupo de jovens
Eu entrei no grupo de jovens porque estava afim de uma menina. (Estava meio receoso de como colocar isso aqui de maneira sutil, então achei melhor mandar na lata mesmo). A igreja fica no outro lado da cidade, e tirando ela e um colega de faculdade que eu nem sabia que freqüentava o grupo, não conhecia mais ninguém.
Fui a algumas reuniões, e até me enturmei a ponto de ter a liberdade de fazer piadinhas com os outros membros, algo típico de velhos camaradas. As reuniões eram aos domingos (mas que raio de mania do pessoal da igreja de fazer reunião aos domingos!), à noite, e tirando a parte do rezar, era legal também. Os temas debatidos eram bem atuais e relevantes, e eles organizavam festas legais, e participavam da organização das festonas da igreja em questão, famosas na cidade inteira, e que eu freqüento desde que me conheço por gente. Quando as reuniões acabavam, era comum irmos para a frente da casa de um dos membros jogar conversa foram e ouvir alguém tocar violão e cantar. Era legal.
Mas, como dito, eu tinha um motivo para estar ali. Dei algumas investidas tímidas, acho que todo mundo notou, mas quem eu queria que notasse fingiu que não, talvez para não me magoar, e… bem, saí do grupo. Foi bom enquanto durou, uns dois meses, se não e falhe a memória.
O que tirei disso tudo?
Que, mesmo quando as coisas parecerem chatas ou enfadonhas, devo ter mais persistência. O grupo escolar sempre foi meu único refúgio de amigos, ou colegas, e a proximidade do fim do curso superior meio que me deixa apreensivo neste sentido (também). Afinal, meu círculo de amigos “naturais”, ou seja, aqueles que conheci ao acaso, e que ficaram, é super restrito. Será que virarei um eremita?
Claro, ainda dá tempo de procurar grupos para me integrar mais, e nem falo de AA, ou qualquer coisa do tipo auto-ajuda. Tem… tem… Ah, não conheço nenhum. Existe algum GDSG?

