O Cavaleiro das Trevas

The Dark Knight.

Meu pôster favorito (dentre as dezenas que foram lançados pela Warner).

Quando Batman Begins terminou, com o Morcegão segurando uma carta de baralho e recebendo o aviso de que um novo criminoso estava causando encrenca em Gotham, a certeza de que uma seqüência arrasadora era apenas questão de tempo consolidou-se. E assim o foi. Três anos depois de Christopher Nolan e Christian Bale, diretor e protagonista, respectivamente, redefinirem um dos mais cultuados heróis, e também um dos mais mal tratados no cinema, a seqüência, com o prepotente título O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 2008), estreou nos cinemas do mundo todo, não sem antes causar ansiedade em muitos fãs através de inúmeros ARGs, trailers e pôsters entusiasmantes.

O Cavaleiro das Trevas tem absolutamente tudo que faz um filme ser grande: ótimos atores, enredo bem amarrado e inteligente, personagens carismáticos, produção impecável. É, sem sombra de dúvida, um dos melhores filmes do ano, quiçá da história. É difícil encontrar um ponto fraco no longa, o que demonstra, mais uma vez, a competência da equipe e a obstinação de Nolan, que partindo da premissa de transportar o herói dos quadrinhos para a realidade, seguiu-a assustadoramente à risca.

Nesta seqüência, a única queixa de muitos fãs a Batman Begins foi suprida com maestria: um vilão de peso. Ra’s al Ghul e Espantalho, embora tenham lá sua importância na mitologia do Batman, não têm o impacto que os vilões mais tradicionais causam. E, bem, não se sabe se para redimir-se dos vilões do filme anterior, ou por puro acaso, em O Cavaleiro das Trevas o vilão principal é ninguém menos que Coringa, o maior de todos. Tamanha responsabilidade foi dada a Heath Ledger, que infelizmente não viveu o suficiente para se ver nas telonas, e receber os louros da glória por uma das melhores atuações da história do cinema. Ponto pacífico: Jack Nicholson interpretando Coringa parece, ao lado de Ledger fazendo o mesmo papel, um ator iniciante, fanfarrão e afetado. Tudo bem que são duas atmosferas diferentes a do filme atual e a do Batman de 1989, mas nem isso tira o mérito de Ledger.

Coringa, de Heath Ledger: perfeito.

Coringa, de Heath Ledger: perfeito.

Os trejeitos do Coringa, seu sarcasmo, sua insanidade… É difícil de explicar, e talvez essa seja a melhor explicação para a atuação de Ledger. Há momentos em que as atitudes do Coringa desatam risos incontidos da platéia; em outros, porém, há um misto de riso e pavor; finalmente, em momentos mais macabros, sobra apenas uma vaga impressão de sorriso, sobrepujada pela aversão, pelo repúdio. Tais sensações não são lineares, detalhe este que só aumenta o brilhantismo do personagem - e de quem o interpreta.

Outro que merece destaque, dentre muitos excelentes atores como o próprio Bale, Morgan Freeman (que, acredite, não é o Presidente dos EUA), Michael Caine, Maggie Gyllenhaal (bem melhor que a Katie Holmes) e Gary Oldman, é Aaron Eckhart, intérprete do promotor Harvey Dent. Sua firmeza e objetividade são muito contagiantes, do tipo que faz qualquer um sair do cinema disposto a virar promotor e passar os dias botando vagabundo na cadeia. O que acontece com seu personagem é, além de algo surpreendente (ou nem tanto, ao menos para quem conhece Dent dos quadrinhos), uma provação de atuação, pela qual Eckhart passa sem maiores problemas.

Quanto ao filme em si, espere mais um thriller policial do que um filme de ação, de super herói. Esse detalhe pode frustrar a experiência de muita gente… Não dá para comparar Batman com, por exemplo, Homem-Aranha. São propostas diferentes. Enquanto o primeiro fica na realidade, onde tudo funciona de verdade e o psicológico é estrondosamente mais pesado do que o físico, o segundo apela para mutações genéticas causadas por uma picada de aranha radioativa, fato este que, no contexto do filme, é algo pequeno ante tudo de fantasioso que acontece. O Cavaleiro das Trevas faz jus à fama do Batman em início de carreira: o maior detetive do mundo. Durante a exibição, em determinados momentos, dá até para se esquecer de que o Batman é o protagonista, e de que o filme carrega seu nome (ou seu apelido mais famoso, que seja), e isso, confesso, me incomodou um pouco.

Bruce Wayne e o (novo) traje do Batman.

Bruce Wayne e o (novo) traje do Batman.

O Cavaleiro das Trevas arrebatou público e crítica, e apesar de eu achar que esta influcienciou muito aquele durante o período de pré-lançamento, é inegável que o filme é bom. Essa questão de influência, aliás, é um pedaço do gigantesco hype que se formou em torno do filme. Para se ter idéia da magnitude do negócio, o longa está em primeiro lugar no IMDb Top 250, posto que há anos era ocupado por O Poderoso Chefão. Como dito, o filme é muito bom, indiscutivelmente acima da média, mas daí a ser o melhor de todos os tempos… Vamos com calma, né?

A questão que fica, agora, é sobre a seqüência, que segundo rumores já estaria garantida. Sem Coringa, por motivos óbvios, quem será o próximo vilão? E mais: como fazer um filme que supere O Cavaleiro das Trevas? Felizmente, isso é problema de Christopher Nolan e sua trupe, e a julgar pelo histórico da equipe, e para felicidade geral de todos que gostam de um bom filme, eles darão um jeito.

A propósito, why so serious? why-so-serious-emoticon.

Nota: X X X X X X X X X O (9,0)

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