O e-mail É importante!

Dia desses li uma manchete, não me lembro onde, mais ou menos assim: “Não use o e-mail para coisas importantes”. Fiquei indignado. O e-mail é uma das coisas mais legais e antigas da Internet, e só pelo fato de ainda existir, num meio onde tudo é tão efêmero como é a Internet, mostra que ele é útil, é importante, e é, no momento, insubstituível.

O cerne da tal manchete ataca o mal uso do e-mail, segundo a ótica do autor: usá-lo para coisas importantes. “Coisas importantes” é uma definição abrangente, o que talvez faça sentido numa interpretação extrinsicamente literal, mas que, na maioria das coisas que a maioria dos mortais considera importante, o e-mail vem bem a calhar.

Dar andamento a uma negociação, resolver desentendimentos, sanar dúvidas, mandar lembranças… Há um leque gigantesco de assuntos pertinentes ao e-mail. Particularmente, vejo-o como uma versão digital do correio convencional. É uma visão bastante romantizada, afinal, spam e correntes estão aí para me contradizer, mas mesmo com essas pragas, as quais, vale dizer, derivam do verdadeiro mal uso do e-mail, o correio eletrônico pode e deve ser valorizado. São os equivalentes, numa escala maior, às malas diretas e propagandas da Abril e da Proteste que chegam às nossas caixas de correio.

É importante notar, também, que o e-mail tem validade em âmbito jurídico. É mais complicado usá-lo para este fim, mas a interpretação majoritária é de que deve-se aceitar provas deste tipo. Se nossa Justiça, famosa por ser retrógrada e lenta, acata o e-mail como válido, algo bom na tecnologia deve existir, não?

Existe uma vulgarização do e-mail, que enterra sua moral e utilidade. Isso é triste. Muitas, mas muitas pessoas sub-utilizam o e-mail, usam-no como recipiente para apresentações de slides, ou o abrem com pouca regularidade, mesmo acessando a web todos os dias. Isso sem falar em quem troca de e-mail como troca de roupa - e aqui cabe uma ferrenha crítica à facilidade de se criar um novo endereço.

O e-mail enfrenta uma série de problemas, todos criados pelo próprio usuário. Seja a procrastinação (da qual faço uso, admito), seja o uso indevido e/ou incorreto, a verdade é que o correio eletrônico é um belo exemplo da velha máxima “na prática, a teoria é outra”. Apesar de desvirtuado, ainda trato o e-mail com seriedade, e sempre que possível, ou necessário, uso-o para resolver coisas importantes. Em geral, funciona.

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