Toda criança tem direito a…

Criança Esperança.

Criança Esperança.

Sábado à noite, depois de apreciar um delicioso jantar na SPDC de Paranavaí, cheguei em casa e liguei a TV. Estava passando o famigerado programa especial do Criança Esperança, e naquele instante, a Xuxa, com olhos artificialmente azuis, estava na telinha, após ser introduzida pelo Zeca Camargo, falando sobre maus tratos contra as crianças.

O discurso é válido, afinal, espancamentos de crianças inocentes são, infelizmente, comuns ainda hoje, e desde sempre, inadmissíveis. Só que, quando a Xuxa começou a criticar as palmadas na bunda, aí fiquei meio ressabiado. Para meu descontentamento, porém, ela criticava justamente o que eu temia: as singelas palmadas na bunda.

Há algum tempo, tempo este posterior à minha época de levar palmadas, surgiu um movimento/estudo/qualquer-coisa absolutamente contrário a violência infantil. Só que, junto com a parte necessária e importante, que é coibir a real violência infantil, colocaram no mesmo balaio a coerção baseada nas palmadas na bunda. E isso, por mais que seja chocante a alguns, é errado.

Eu levei muita palmada na bunda. Não era exatamente um garoto-problema, era apenas uma criança normal, e como tal, fazia besteira, já que muito do que se aprende nessa fase é na base da tentativa e erro, sendo que algumas tentativas, em regra, só passam a ser vistas como erros após a interferência, coercitiva, de um adulto. Aí está a responsabilidade dos pais. As palmadas que levava no traseiro não deixavam marcas, eram dadas no sentido de educar, de dar um basta. Se a conversa não resolve, deve-se partir para métodos eficazes - obviamente, dentro de um limite que o bom senso estipula.

Não fiquei traumatizado. Não fiquei com raiva dos meus pais. Não virei um marginal. E aí, alguém falará que palmada na bunda faz mal? Que é prejudicial? A verdade é que a falta de… é que é um malefício e tanto. Hoje, vejo crianças mal educadas, que nunca levaram um tapinha que seja, respondendo a seus pais, mimadas até a medula, enchendo o saco de todo mundo, fazendo “artes” que eu, nem nos meus planos infantis mais maquiavélicos, jamais sonhei em fazer. Mas quem se importa com o merda de adulto, passando pela fase de excremento na adolescência (como aqueles adolescentes ingleses do Fantástico), que essa criança se transformará, não? O ideal é “proteger” o pobre indefeso do que convencionou-se chamar de “violência infantil”, independente se se trata de um tapinha na bunda, ou de um taco de beisebol na cabeça.

Criança que não leva palmadas na bunda cresce sem limites. Na cabecinha imaculada do mancebo, atitudes erradas são relacionadas a sermões inúteis e chatos, e só isso. Não há nada a temer. Sou absolutamente contra a violência infantil; não faz sentido um marmanjo de trinta anos dar socos e pontapés numa criança indefesa. Só que, entre violência infantil e palmadas na bunda, há um abismo. E do lado das palmadas, conta a favor a disciplina e o respeito que elas impõem, algo primordial para a boa formação de um ser humano.

A campanha Criança Esperança é uma excelente iniciativa, mas, não sei se por falta de assunto, ou uma cegueira generalizada causada por atos vis, os quais realmente devem ser combatidos, caiu nessa bobagem de condenar a educação através da disciplina. No mundo utópico que o Didi tenta passar uma vez por ano, a criança passa o dia inteiro praticando esportes (sim, porque nunca vi uma estudando nas propagandas do Criança Esperança), chega em casa, conta em detalhes seu dia para os pais, e aí vai domir. É como se o simples fato dessa criança receber amor e carinho neutralizasse a maldade e a inocência destrutiva que todos, todos os seres humanos possuem. Claro que na vida real a história é diferente, e nela, a palmada serve para equilibrar as energias, restaurar a paz familiar sempre que esta é abalada por uma atitude idiota de uma criança. Se as atitudes idiotas não são tolhidas na infância, elas se tornarão tão presentes na vida do infante, que este, quando virar adulto, será um adulto idiota. E, cá entre nós, de gente idiota o mundo está cheio, de modo que, quanto menos, melhor.

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