A trilogia melancólica dos Killers

The Killers é uma das melhoras bandas que surgiram nos últimos tempos. Sou fã confesso da turma de Las Vegas liderada por Brandon Flowers. As músicas são viciantes, com uma levada meio anos oitenta, letras profundas e um clima super bacana.

O último disco deles, Sawdust, trouxe canções de singles, bonus tracks e outras que, por um motivo ou outro, não entraram nos CDs oficiais lançados até então. Apesar dessa descrição passar uma sensação de “resto”, acredite: é um disco fenomenal. Já escrevi sobre Sawdust, portanto, para ler mais sobre ele, clique aqui.

Uma música que tenho ouvido muito ultimamente é Leave the bourbon on the shelf. Ela narra a história de um cara que perde a namorada, Jennifer. Não tinha atentado à relação dela com outras duas canções dos Killers, até que, procurando um clipe para ilustrar o Wincast #010 (no qual a referida canção foi usada na abertura), ao encontrá-lo, li alguns comentários sobre uma trilogia de canções. Hm, interessante.

Resolvi pesquisar mais a fundo. Encontrei, então, o excelente site Songfacts, que como o nome sugere, traz circunstâncias, bastidores e curiosidades de músicas. Lá, a coisa está bem explicada: Leave the bourbon on the shelf é parte de uma trilogia, que se completa com outras duas do disco de estréia da banda, Hot fuss:

  1. Leave the bourbon on the shelf;
  2. Midnight show;
  3. Jenny was a friend of mine.

Jenny, Jennifer.. Tão simples, estava na cara! Legal, agora que tinha as músicas, na ordem, procurei as letras (os links acima levam a elas, traduzidas).

The Killers, na época do HOt Fuss (acho eu).

The Killers, na época do Hot Fuss (acho eu).

Em Leave the bourbon on the shelf, que embora seja a primeira parte, foi a última música lançada oficialmente (no Sawdust), a letra fala sobre um cara abandonado pela namorada, no caso, a Jennifer, inclusive com a suspeita de ter sido traído. Há muitos trechos que demonstram que o rapaz não aceita o rompimento (“Give me one more chance tonight / and I swear I’ll make it right.”), e até um aparente acesso de ciúmes, quando a moça surge com outro rapaz (“Jennifer, tell me where I stand / and who’s that other boy holdin’ your hand?”).

Midnight show, a segunda parte, é a única das três canções que não cita Jennifer diretamente. Há, todavia, sinais maiores do ciúme descontrolado (“I know there’s a hope / There’s too many people trying to help me cope”). Já há uma referência, aqui, à morte de Jennifer, quando a letra diz que ela desapareceu no show da meia-noite (“And watched her disappear / Into the midnight show…”); talvez ela tenha virado uma estrela, ou seja, esteja assistindo a tudo lá de cima. Fica a dúvida, porém, se o crime acontece aqui ou na próxima música.

Sempre achei Jenny was a friend of mine séria, mesmo sem saber ser ela a terceira parte da trilogia. Aqui, o assassinato já foi consolidado, e parece que o rapaz demonstra arrependimento. O ciúme chega ao ápice ante a existência de um novo namorado (“She said she loved me, but she had somewhere to go”), e o crime, então, vem à tona, sob a forma de sufocamento (“She couldn’t scream while I held her close”). Aqui, aliás, o rapaz está na delegacia, prestando depoimento, algo facilmente perceptível na segunda estrofe (“I know my rights, I’ve been here all day and it’s time / For me to go, so let me know if it’s alright”). A música termina com uma declaração vaga, que é o título da mesma, talvez numa tentativa débil de convencer a si mesmo de que não foi um crime, afinal.

Isso é… Incrível! Ok, a história é mórbida, mas a ligação entre as músicas, e o fato da trilogia se completar com canções de discos diferentes, dá um quê de caça ao tesouro muito divertido. As letras dos Killers são sempre legais, mas essa trilogia, e a forma como (não) foi divulgada, são de uma sutileza ímpar. Para quem curtia Paul McCartney descalço na capa do Abbey Road, talvez no futuro os Killers reservem mais e maiores surpresas…

Neste dia, em anos anteriores...

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One Response to “A trilogia melancólica dos Killers”

  1. [...] toques e letras. Conheci a banda no jogo Guitar Hero, mas eu só quis baixar mesmo depois de ver o depoimento do Rodrigo Ghedin sobre uma trilogia escondida nas músicas [...]

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