Mudanças nas eleições

O modelo atual das eleições no Brasil precisa ser revisto. Urgentemente. Não no sentido técnico, onde o uso de urnas eletrônicas, que propicia resultados rápidos e precisos, é modelo no mundo inteiro; o problema está no próprio conceito das eleições, ou nas circunstâncias que ele implica.

Basta assistir um programa eleitoral, esse que passa ao meio-dia, e ver como a coisa chegou num ponto crítico. Uns preferem ver a incapacidade dos candidatos como humor gratuito; outros, vêem o fundo do poço que é a liberalidade de se candidatar. Hoje, para pleitear uma cadeira na câmara municipal, basta ser cidadão, no sentido jurídico da palavra – ou seja, maior, capaz e ter direitos políticos plenos. Isso é pouco. Qualquer um, do analfabeto funcional ao picareta salafrário, consegue. É preciso enaltecer a educação, exigindo um diploma de curso superior; é preciso enaltecer a conduta ilibada, impedindo a candidatura de condenados por crimes de improbidade administrativa; é preciso uma filtragem, restringindo a quantidade de candidatos.

Não se tratam de requisitos elitistas, mas sim realistas. É fato que dentre tantos incapacitados, um ou outro surpreende, e se mostram bons representantes do povo (quando e se eleitos). Só que, para cada jóia rara do tipo, dez pedras inúteis ocupam cargos públicos de suma importância, para não fazer nada. O preço para se ter uns poucos bons achados não justifica o risco e suas conseqüências graves.

A propaganda eleitoral é outra besteira. Qual ser humano consegue transmitir, em dez segundos, suas propostas? De duas, uma: ou o candidato a vereador se restringe a dizer nome e número, e fazer as promessas genéricas de sempre (melhorar saúde, educação e segurança), ou cai na fanfarronice, fazendo piadinhas, tentando impressionar, ou, o que é pior, sendo ridículo.

Propostas… Agora pouco passou um candidato à prefeitura na TV. Ele prometeu trazer médicos especialistas para o município, e, assim, amenizar a dor dos doentes. Ahn… então… Deus está concorrendo?

A verdade é que as eleições viraram um grande circo, onde ganha o que mais aparece, conseqüentemente, o que tem mais dinheiro para torrar com campanha. É por essas e outras que político tem a fama que tem: desonesto, não-confiável, fica só na promessa. O povo é ignorante, esquece fácil, e isso, somado a essa palhaçada acima descrita, perpetua incompetentes na administração pública. Por ora, faço o que me cabe: voto nos poucos limpos em meio a tanta sujeira. Sugiro a você fazer o mesmo.

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