Pagando para aprender

Eu e minha irmã estudamos na mesma escola de idiomas, porém em turmas diferentes. Ela reclama horrores da nova política que foi instaurada lá no meio do ano passado, política esta bastante rígida e que, até o momento, vem sendo mantida a mão de ferro. Nada de atraso, nada de esquecer de fazer tarefa, nada de aparecer para as aulas sem preparar as lições. Só para esclarecer antes de prosseguirmos: eu sou favorável ao método, ela, não.

O principal argumento que ela utiliza contra a política é o de que ela está pagando, logo, tem direito a faltar, deixar de fazer as atividades, cometer esse pequenos atos de rebeldia e/ou preguiça. De fato, às vezes fazer um simples texto torna-se um trabalho gigantesco ante à fadiga, mas mesmo assim, na metodologia atual, ele é feito. E por quê? Por obrigação. Se não fizer, não assisto aula, simples assim. Se não houvesse retaliação, eu simplesmente deixaria de lado, e entregaria na aula seguinte  - ou não.

O argumento (pífio, se me permitem dizer) dela cai por terra quando lhe questiono o porquê dela estudar inglês, dela “estar pagando”: aprender. Se a escola diz que, para falar, ler e entender inglês, você precisa fazer as tarefas, precisa preparar as lições, não pode faltar, nem chegar atrasado, o que tem-se a fazer? Seguir as regras. Esse é o caminho das pedras, a receita do bolo. Pago a mensalidade, que não é barata, para aprender, não para assistir aula.

Mesmo que fosse gratuito, mesmo que eles me pagassem para estudar, a rigidez deveria ser a mesma, e mais que isso, deveria ser estendida para todos os estabelecimentos de ensino. Por que a maioria esmagadora de bacharéis em Direito é terrível, a ponto de não conseguir fazer uma petição inicial? Porque empurraram o curso com a barriga, e o que é pior, com a conivência da instituição.

A questão não é a instituição fazer as vezes de babá; é apenas cumprir seu papel de incentivadora, educadora. O processo de aprendizagem é, por vezes, deveras cansativo, e cativar os alunos faz parte, pois mesmo eles estando ali com um propósito bem definido (pelo menos em tese), que é o de aprender, não é raro e é perfeitamente comum o abatimento, especialmente em cursos demasiadamente longos.

Claro que há exceções, pessoas que fazem tudo de bom grado, para as quais regras do tipo seriam desnecessárias, já que essas pessoas as seguem naturalmente. Esse perfil deveria ser o dominante, mas por motivos que fogem à minha compreensão, não é. Se a dedicação não existe naturalmente, de duas, uma: ou consegue-se ela através da disciplina consentida, ou não a consegue. Nesse último caso, trocando em miúdos, quero dizer: “desista”, e não por maldade, mas simplesmente porque não há compatibilidade entre a pessoa e a habilidade/conhecimento/idioma pretendido. E tendo isso em mente, bem fresco e claro, me pergunto por que diabos eu ainda insisto no Direito. E, como sempre, fico sem resposta.

Neste dia, em anos anteriores...

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One Response to “Pagando para aprender”

  1. [...] O Rodrigo Ghedin, editor do blog WinAjuda e futuro advogado, levantou em seu blog pessoal “Rodrigo Ghedin” uma discussão bastante interessante acerca de como uma instituição de ensino deve cobrar disciplina do aluno. [...]

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