
Pôster (muito bom) de Cloverfield.
Fazer um filme que foge do padrão da indústria, ou seja, que não tenha linearidade, explicações óbvias e outras padronizações do tipo, é sempre arriscado. A distância entre o sucesso absoluto e o fracasso total é muito pequena, de modo que detalhes podem transformar uma obra de arte num monte de estrume. Felizmente, não é o que ocorre no originalíssimo Cloverfield: Monstro (Cloverfield, EUA, 2008), filme acima da média.
Cloverfield aproveita a idéia de A Bruxa de Blair (só o primeiro), ou seja, uma única câmera, na mão de um dos protagonistas, só que a reutiliza de maneira mais intensa. Durante uma festa, do nada ocorre uma explosão, e a partir daí um grupo de amigos sai despesperado pelas ruas de Nova Iorque, sem saber o que está acontecendo na cidade, simplesmente tentando sobreviver e entender o que se passa. Logo que saem do prédio, a cabeça da Estátua da Liberdade no meio da rua deixa claro que algo realmente grande está acontecendo.
Como vêm a descobrir mais tarde (e o ridículo subtítulo nacional entrega), a cidade está sendo atacada por um monstro. A limitação de informações é um ponto crucial para se entregar ao ritmo frenético do filme. Não há informações sobre o que é o monstro, de onde ele vem, o que ele quer. Sabemos tanto quanto os personagens, o que ajuda a criar um clima de imersão muito forte.
Cloverfield é um passeio de montanha russa sem sair do lugar. Cena após cena, prende-se a respiração esperando o pior, e o nível de adrenalina nas cenas de ação em que os personagens se envolvem aumenta num nível impressionante. É o raríssimo caso em que a superficialidade do roteiro não atrapalha, já que o apelo é pelo visual, pela agilidade das cenas, pela sobrevivência. O relacionamento complicado de Lily (Jessica Lucas) e Rob (Michael Stahl-David), ou a paixonite de Hud (T. J. Miller) por Marlena (Lizzy Caplan) são meros panos de fundo, servindo, no máximo, apenas para situá-los no meio da balbúrdia.
Produzido por J.J. Abrams, a mente por trás de Lost, Cloverfield é um grande filme, e como tal, divide opiniões. Há quem tenha adorado (eu!), bem como quem o tenha detestado e dormido após a primeira cena (nem vou dizer quem foi, hehe). Desligue o cérebro, e assista Cloverfield sem questionamentos freudianos, apenas pelo prazer de sentir a adrenalina correndo nas veias. É uma experiência interessante.
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Tags: a bruxa de blair, cinema, cloverfield, crítica, estátua da liberdade, filme, j.j. abrams, lost, monstro, nova iorque


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