Arquivos do mês October 30e 2008

Utilização abusiva do direito de arrependimento

Nossa legislação consumeira é uma das mais modernas e funcionais (pelo menos na teoria) do mundo. Pergunte a qualquer jurista; a opinião é unânime. Até mesmo um leigo, após lê-lo, consegue enxergar o quanto o Código de Defesa do Consumidor é polido e imune a brechas. Não que elas inexistam, mas se há falhas ali, são poucas e estão bem camufladas.

Meu TCC foi sobre o Direito do Consumidor, especificamente sobre as relações de consumo na Internet. Apesar da situação ser relativamente nova, mais que o diploma legal que regula as relações de consumo no Brasil, a modernidade da referida lei é tamanha que, salvo alguns empecilhos, na maior parte abarca as compras realizadas em âmbito virtual sem problemas.

Dentre todos os direitos exclusivos dos consumidores virtuais, o direito de arrependimento é o mais diferente e agressivo disponível. Ele, que está positivado no Artigo 49, diz o seguinte:

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio.
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.

Na prática, esse texto diz que o consumidor que efetua alguma compra fora do estabelecimento comercial tem o direito de, no prazo de 7 (sete) dias, se arrepender da compra, e solicitar a devolução do produto e o conseqüente estorno do valor pago, sem que, para isso, precise dar qualquer justificativa.

O bom (ou ruim) do Direito é que, na prática, a teoria é outra. Para que o direito de arrependimento tenha eficácia plena, é imprescindível um elemento inerente a qualquer relação jurídica, que, no caso Direito do Consumidor, transforma-se num dos princípios basilares da negociação: a boa-fé. Desse modo, se eu adquiro um computador através de um site, utilizo-o por seis dias, e no último faço uso do direito de arrependimento, estarei agindo de má-fé, e certamente não receberei amparo da Justiça.

Em tese, não dá para defender lojas do varejo, certo? Afinal, elas ganham bilhões por ano, possuem política violentas de vendas e descontos, querem ganhar a qualquer preço. Isso é verdade, mas não dá direito ao consumidor de tirar vantagem sobre elas. Fazendo uma analogia, um crime não justifica o outro.

Cabe ao consumidor, case seja mal atendido, expôr seu caso a outros, e, principalmente, lutar pelos seus direitos. Com o advento do CDC, houve uma mudança gigantesca na mentalidade do consumidor médio brasileiro. Se antes um defeito de fábrica era visto como “azar”, hoje não basta o fornecedor substituir o equipamento defeituoso; em muitos casos, precisa pagar indenizações por danos morais. Isso enseja uma banalização grotesca e até vergonhosa do instituto dos danos morais, mas isso é papo para outro post… Enfim, desde 1990, os consumidores não ficam calados ante problemas oriundos do fornecedor; eles vão atrás dos seus direitos, talvez com algum exagero, mas vão.

O que se vê agora, em 2008, é um exaurimento dessa busca, algo exacerbado, que extrapola o bom senso, e coloca o consumidor em pé de igualdade, não graças à eliminação da hipossuficiência, mas sim à agressividade da sua atuação. Se até pouco tempo atrás o objetivo era a substituição do produto, ou o estorno do dinheiro pago corrigido e atualizado, hoje isso é o de menos. Consumidores mal atendidos querem fazer a caveira da loja/empresa, e criam verdadeiras campanhas contra elas.

Como já escrevi ali em cima, não é minha intenção defender as lojas/empresas, mas sim equilibrar um pouco essa balança que, ultimamente, está desnivelada. Vejam o caso do blog Saraiva NÃO. O criador do blog comprou um iPod touch de 2ª geração. Depois de ter pago, a Saraiva lhe comunicou que o produto estava em falta no estoque, e que: 1) enviaria o iPod touch de 1ª geração; ou 2) devolveria o dinheiro, incluindo o frete, atualizado e corrigido. Ótimo. Houve aborrecimento por parte do consumidor? Sem dúvida. Já comprei algumas coisas “grandes”, e a ansiedade pré-recebimento é de morrer. Mas isso justifica o camarada criar um blog, e espalhar aos quatro ventos que a Saraiva é uma droga? Na minha visão, não.

Citando a Saraiva, já fiz muitas compras lá, todas correram de maneira impecável. Já aproveitei várias pechinchas lá, coisa que, nas livrarias físicas e/ou “de confiança” que também freqüento, jamais consegui. Isso significa que, apesar de alguns deslizes, ela não é de todo mal. Acredito eu que, neste e em outros casos semelhantes, utilizar o método indutivo para averiguar a qualidade dos serviços prestados não seja uma boa. Generalizar em raríssimos casos é uma boa.

Outro exemplo, talvez mais famoso, ocorreu com o Ian Black, do Enloucrescendo. Ele comprou um notebook da Dell, o mesmo veio com defeito; ele pediu o estorno do dinheiro, e a Dell concedeu. Paralelamente a isso, o Ian iniciou uma verdadeira cruzada anti-Dell em seu blog, finalizando-a com uma proposta indecente, já removida graças ao fervoroso feedback negativo dado por seus leitores. Embora não acompanhe o Enloucrescendo regularmente, dos textos que já li ali (salvo esses da Dell), guardo boas lembranças. O que, de maneira alguma, quer dizer que eu concorde com essa atitude. Não gostou do Inspiron 1525? Faça o que fez: peça o desfazimento do negócio. Se a Dell acatar o pedido, ótimo; se não, PROCON para que te quero…

Quase na mesma época em que o Ian pediu seu notebook, a Heri, minha namorada, também comprou um – fortemente influenciada por mim. Ela está com ele até hoje, completamente satisfeita, e o notebook, após passar por rigorosa análise, não demonstrou nenhum problema. O que se tira disso? Que a Dell, e qualquer outra empresa do mundo, é sujeita a falhas. O que deve ser considerado não é o índice de falhas, mas sim a atitude, a reação da empresa no sentido de minimizá-las e, quando for impossível evitá-las, reparar o consumidor.

A Justiça jamais beneficia alguém em detrimento de outrem. Isso, além de imoral, é ilegal – enriquecimento sem causa, Artigos 876 e seguintes do Código Civil. Os consumidores devem buscar seus direitos, e só. Talvez danos morais, mas apenas em situações muito específicas, e não em qualquer picuinha, como ocorre hoje. Temos uma lei boa, juízes competentes para julgar, e um sistema que, apesar de moroso, funciona na maior parte dos casos. Cabe ao consumidor que se sentir lesado, portanto, fazer bom uso da máquina judiciária.

A tecnologia contra o sedentarismo

Embora não falte boa vontade, raramente consigo me manter firme numa atividade física. A mais recorrente é a caminhada, que vez ou outra pego firme – por alguns meses, pelo menos. Aí vem a canseira, compromissos, preguiça, e aos poucos diminuo o ritmo até parar completamente. E esse ciclo vai e volta, com intervalos gigantescos entre um e outro.

Semana passada voltei a caminhar. Mais uma tentativa, mas dessa vez com um plus interessante: um treinador linha dura na palma da minha mão. Falo do Nokia N82, celular que agora me acompanha nas caminhadas diárias. Além fazer as vezes de player, através do qual ouço podcasts em inglês (para treinar meu English), o Nokia Sports Tracker segue ligado, fazendo uma diferença enorme.

O NST é um programa incrível. Disponível para celulares Symbian que contam com GPS embutido, ele faz um verdadeiro estudo sobre cada atividade física praticada pelo usuário, registrando dados como rota, distância percorrida, calorias gastas e passos dados. Eu, que só recentemente descobri as maravilhas do GPS no celular, ainda estou embasbacado com a precisão e o detalhamento dos relatórios que o NST gera.

Pretendo escrever uma análise mais detalhada do Nokia Sports Tracker, lá no WinAjuda. Por ora, confiram algumas screenshots do programinha:

Consumismo

Esse vídeo (longo, mas vale a pena) me fez pensar sobre algumas atitudes e impulsos que, recorrentemente, eu e boa parte do mundo temos. Compramos, compramos, compramos, e às vezes, na maior parte delas, são compras supérfluas, desnecessárias.

Se a coisa parasse aí, sem problemas. Afinal, o dinheiro é meu, não? Não. Aí que mora o problema-mor: o efeito dominó não acaba no dispendio do dinheiro, pelo contrário, começa ali. Sem adentrar na questão oferta de crédito vs. falta de dinheiro, o ato de consumir desencadeia, ou propaga efeitos nocivos à coletividade – incluindo você, comprador faceiro. O vídeo acima explica tudo isso, com uma didática irretocável. Há implicações econômicas, ambientais, trabalhistas… É impressionante como o simples ato de trocar dinheiro por mercadoria encabeça uma cadeia tão grande. É impressionante, e é real.

Confesso que sou consumista. Não desenfreado, mas sim consciente, com algumas quedas pela luxúria vez ou outra. Não fico com peso na consciência, exceto quando o produto não agrada, o que é uma reação egoísta, mas humana – pelo menos por ora. Geralmente o que me motiva a comprar algo no intuito de substituir outro algo que já tenho são características novas e/ou melhores. É assim com carro (neste caso, será, já que nunca troquei, hehe), computadores, celulares… Sim, a culpa é minha, mas não toda ela. Uma parcela pode e deve ser atribuída à indústria.

Algo que sempre me questionei é o porquê das empresas não melhorarem os produtos que já estão em circulação. Tome-se, por exemplo, um jogo de computador. Um jogo de futebol. Qual a maior diferença entre uma versão e outra, em regra? Novas escalações, melhorias gráficas e aprimoramentos na jogabilidade. Aspectos simples, que, imagino eu, poderiam muito bem ser implementados através de uma atualização. Por que não liberar essa atualização mediante uma quantia módica, ao invés de prensar milhões de DVDs e fazer com que os consumidores que um ano antes gastaram uma pequena fortuna no jogo, e compraram 300 gramas de plástico, repitam o ato? Todos ficariam felizes, dinheiro continuaria entrando, e o impacto sobre o meio ambiente seria reduzido pela metade.

Esse pensamento se aplica a várias outras áreas, toma formas diferentes, mantendo o princípio básico de economia de recursos. CEOs e gerentes de grandes empresas não devem concordar comigo, de modo que, enquanto eles forem CEOs e gerentes de grandes empresas, nos limitaremos a novidades tímidas ou marketeiras em prol da preservação do meio ambiente. Até o dia em que terão que escolher entre ele e o dinheiro. Meu medo é que optem pelo segundo.

Por ora, continuarei atualizando computador e celular a cada dois anos, comprando jogos anualmente, e trocando de carro… quando a conta corrente deixar (o preço do carro no Brasil está num nível vergonhoso).

[REC]

Pôster de [REC.

Pôster de [REC.

A fórmula inaugurada por A Bruxa de Blair e aperfeiçoada por Cloverfield tem mais um representante (que, para efeitos de constagem, saiu antes de Cloverfield): [REC] ([REC], Espanha, 2007). Só que o survival horror espanhol vai além, e, arrisco dizer, consegue entregar o filme mais tenso dos últimos tempos. Trata-se de um filme de terror como há muito eu não assistia!

Nos áureos tempos do PlayStation original, a Capcom tinha dois jogos com estilos parecidos, mas propostas diferentes. Dino Crisis era um jogo de dinossauros, cheio de ação e adrenalina; Resident Evil era um survival horror, tendendo mais para o suspense e terror do que para a ação em si. A relação entre eles talvez seja parecida com a que existe entre Cloverfield e [REC] – tirando os dinossauros. Enquanto no primeiro a ação cria o clima, no segundo é o terror que dá o tom. Aliás, pela temática e detalhes do enredo, [REC] é uma adaptação mais fiel de Resident Evil do que o próprio – não que a trilogia estrelada pela Milla Jovovich seja grande coisa, mas…

[REC] mostra uma equipe de TV espanhola, composta pela (gatíssima) repórter Angela Vidal (Manuela Velasco) e pelo cinegrafista Pablo (Pablo Rosso), fazendo a cobertura de um dia normal no Corpo de Bombeiros. No primeiro chamado da noite, os bombeiros vão a um prédio, onde uma senhora aparenta ter surtado. Após uma séria confusão com a tal senhora, eles se vêem presos no prédio, junto com os moradores, sem informações sobre o motivo da interdição. Ali começa o calvário dos personagens. [REC] consegue o que poucos filmes do gênero fazem: assustar. A perspectiva e o estilo de filmagem, do tipo “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”, coordenados pelos competentes diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza, contribuem para criar o clima de imersão já característico.

Angela Vidal (Manuela Velasco).

Angela Vidal (Manuela Velasco).

Não há muito o que dizer. Ou melhor, há sim, muita coisa, mas aí corro o risco de estragar a surpresa de quem ainda não assistiu. O que importa dizer é que o filme é muito bom. Demora um pouco para engrenar, mas quando o terror começa, seus olhos grudam na tela, os músculos ficam imóveis, e a pulsação aumenta. E não, isso não é exagero, nem dramaticidade em excesso. A seqüência final é de prender a respiração.

A versão americana, batizada de Quarantine, saiu ou deve estar para sair, mas dado o histórico de remakes ruins que Holywood já produziu de filmes de terror orientais, tenho cá minhas dúvidas se a cópia será superior ao original. Na dúvida, fique com [REC].

Outros textos sobre [REC]:

A dificuldade de avaliar as coisas

Sou metido a avaliar filmes, discos e livros – quem lê esse blog há algum tempo sabe disso. Tenho uma irritante tendência de tentar ver o melhor do material que consumo, e essas críticas são, talvez, uma maneira de tentar me livrar dessa deficiência. casos em que o objeto de análise não colabora, o que me permite soltar um “corra com todas as suas forças” sem peso na consciência; porém, se um filme, por exemplo, não é exatamente um primor, mas me contagia por detalhes ínfimos, irrelevantes para a maioria das pessoas, o recomendo. Em suma, se eu fosse um crítico de cultura sério, estaria ferrado.

Procuro não me limitar aos blockbusters, best sellers e hits do momento. Às vezes me permito fugir do mainstream cultural, e ver tosqueiras que, exatamente por serem tosqueiras, divertem muito. Acredito que aqui surja a principal diferença entre um blog/site de críticas, e meu humilde blog com pretensões de ser crítico de alguma coisa: o descompromisso.

É difícil criticar o trabalho alheio, e nem é por aquela desculpa besta de incompetentes, o famoso “não gostou? faz melhor”, ou a célebre (e estúpida) frase do Zappa, “quem sabe, faz; quem não sabe, ensina; e quem nem isso sabe fazer, faz crítica”. A grande questão, o que dificulta, é entender as motivações dos criadores, e mais que isso, avaliar sem influências externas. A primeira dificuldade varia com o trabalho. Uns escancaram suas motivações, seus interesses, a mensagem que quer transparecer, enquanto outros a transmitem de maneira suave, quase que subliminar. Apesar de difícil, compreender isso é uma das coisas mais divertidas nessa de criticar, ainda que de forma amadora. A segunda é relativamente simples: basta evitar ler críticas antes de conferir o material. Isso eu faço já há algum tempo, e tem se mostrado uma experiência muito válida.

A crítica não é uma ciência exata, quiçá uma ciência. Criticar é a pura e simples expressão dos sentimentos do crítico acerca da obra analisada. Qualquer um pode ser crítico. Ser um bom crítico, sob a ótica de quem lê muitas críticas, é ir fundo na análise. Em suma, é ter bom gosto. É ser justo, livre de pré-conceitos, de clichês. É ter, simultaneamente, uma ampla experiência, mas sem se deixar influenciar por ela. Algo como cultivar um vírus encubado em seu próprio corpo.

Levando em conta ser a crítica algo bastante subjetivo, quase intangível, evito atribuir notas, ou fazer comparações muito longínquas. Minha crítica se resume a descrever a obra, evitando spoilers, e dar um parecer singelo, tendendo ao vago, algo como “legal, vale a pena”, ou “não ficou muito bom, ou coisas neste sentido – salvo, é claro, os produtos claramente ruins, e os excepcionalmente bons. Talvez não seja o ideal, mas eu tomo essa liberdade justamente por achar que é. Afinal, se teve gente que gostou de Homem-Aranha 3, nenhum crítica é absoluta, correta, indiscutível.

Eu e as mulheres (In the land of women)

Pôster de Eu e as mulheres.

Pôster de Eu e as mulheres.

Carter Webb, interpretado por Adam Brody, é um roteirista de filmes pornográficos que após tomar um toco da namorada, uma famosa atriz (ou algo parecido), sai de Los Angeles rumo a um pacato bairro em Detroit. Lá, além de cuidar da sua avó, ele conhece as mulheres da casa vizinha, e com as três mantém relacionamentos distintos que, por vezes, se cruzam durante a trama.

Eu e as mulheres (In the land of women, EUA, 2007) tem o mesmo nome, em português, da empoeirada categoria de posts sobre mulheres que mantenho neste blog. Só que, ao contrário das minhas lamúrias, o filme leva o nome brasileiro ao pé da letra, e mostra como Carter reage em suas relações com o sexo oposto. (O que, claro, deveria ser o mote da minha categoria, mas que, por incapacidade de quem aqui escreve, jamais atingiu seu objetivo).

É difícil desassociar a imagem de Brody do Seth, de The O.C., e isso só é reforçado no início deste filme pelas roupas e trejeitos de Carter. Felizmente, com o desenrolar da trama pequenos nuances e características afloram diferenças entre os dois personagens. O resto do elenco é carismático, e entra no clima do longa, um tanto quanto despretensioso, e por isso mesmo, agradável. Meg Ryan, que interpreta a matriarca da família vizinha, Sarah, está bem no papel, bem como suas filhas, a adolescente rebelde Lucy, vivida por Kristen Stewart, e a pequena precoce Paige, por Makenzie Vega.

Carter é um bom ouvinte, e isso facilita a aproximação com o as três vizinhas. Há longos passeios feitos por ele e Sarah, conversas francas e meio constrangedoras com a adolescente Lucy, e um encantamento inocente por parte da pequena Paige. Paralelamente a isso, Carter vive a crise de meia idade. Com 26 anos, e de saco cheio do que faz, sua ida para a casa da avó é, antes de qualquer coisa, uma tentativa de se encontrar e tomar um novo rumo em sua vida.

Apesar do tom meio arrastado, o filme, que marca a estréia do cineasta Jon Kasdan, é legal. É interessante a diferença existente entre as três mulheres, especialmente as duas mais velhas, na relação com Carter. A maturidade da mãe e a inconseqüência da filha são mostradas com bastante veracidade, e colocar um cara que não sabe nem o que fazer com a própria vida no meio dessa conturbada relação gera conflitos que fazem pensar. Não espere um blockbuster, ou mesmo um filme cult. Eu e as mulheres é só um (delicioso) passatempo.

Outros textos sobre Eu e as mulheres:

Californication

Não sou muito de acompanhar séries. Apesar da maioria ser legal, sempre acabou deixando de lado, acho que por preguiça. Das poucas que assisti nos últimos tempos, porém, a melhor, sem sombra de dúvida, foi Californication.

Hank Moody em seu Porsche velho e sujo.

Hank Moody em seu Porsche velho e sujo.

Californication não tem efeitos especiais, não conta com super astros, nem um roteiro mirabolante. Nada disso. É só a história de um escritor-de-um-livre-só, bêbado e com uma vida sexual bastante ativa, que tenta sair do fundo do poço e reatar com sua ex-namorada, mãe de sua filha. Simples assim. O que faz a série ser divertidíssima é justamente o life style do protagonista, Hank Moody, interpretado pelo surpreendente David Duchovny, que na década passada viveu o agente Mulder, em Arquivo X – série que nem fazia questão de acompanhar por pura preguiça.

O adjetivo “surpreendente” relacionado a Duchovny justifica-se pela diferença entre o personagem atual e o da série de ficção científica de anos atrás. Alguns mais desavisados podem até pensar tratarem-se de duas pessoas diferentes, tamanha a distância entre as duas atuações. Ele rouba a cena em Californication, seja pelo tom absurdamente despretensioso de Moody, seja pelas atitudes non sense do mesmo.

Californication não se resume apenas a Duchovny, porém. O seriado, criação de Tom Kapinos, pega um tema que à primeira vista pode parecer desinteressante, e o faz divertido e profundo. O elenco de apoio também é deveras competente; rola uma sinergia rara de ver em primeiras temporadas com o de Californication. Tudo isso, somado, resulta numa série fenomenal.

A primeira temporada teve apenas doze episódios, em parte graças à greve dos roteiristas, que atingiu todas as séries ano passado. Apesar disso, essa dúzia foi mais que suficiente, a ponto de eu arriscar dizer que, se fossem mais, talvez o ritmo e a qualidade dos episódios fossem afetados. A segunda temporada começou recentemente nos EUA, e a julgar pelos dois primeiros episódios, que já assisti, o nível continua alto, mesmo levando em conta o desfecho da primeira, bem delicado de ser tratado numa segunda temporada.

Não recomendável para crianças, mas altamente indicada para quem gosta de um bom seriado com temática mais adulta, Californication é uma das melhores séries que apareceram nos últimos tempos. Ok, talvez seja exagero de alguém que não é exatamente um consumidor ávido de seriados, mas a julgar pelos poucos outros que assisti (Greek, Heroes e Pushing Daisies), Californication é, de longe, a melhor dentre elas.

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Californication, de Tom Kapinos.
Californication, de Tom Kapinos