Consumismo

Esse vídeo (longo, mas vale a pena) me fez pensar sobre algumas atitudes e impulsos que, recorrentemente, eu e boa parte do mundo temos. Compramos, compramos, compramos, e às vezes, na maior parte delas, são compras supérfluas, desnecessárias.

Se a coisa parasse aí, sem problemas. Afinal, o dinheiro é meu, não? Não. Aí que mora o problema-mor: o efeito dominó não acaba no dispendio do dinheiro, pelo contrário, começa ali. Sem adentrar na questão oferta de crédito vs. falta de dinheiro, o ato de consumir desencadeia, ou propaga efeitos nocivos à coletividade – incluindo você, comprador faceiro. O vídeo acima explica tudo isso, com uma didática irretocável. Há implicações econômicas, ambientais, trabalhistas… É impressionante como o simples ato de trocar dinheiro por mercadoria encabeça uma cadeia tão grande. É impressionante, e é real.

Confesso que sou consumista. Não desenfreado, mas sim consciente, com algumas quedas pela luxúria vez ou outra. Não fico com peso na consciência, exceto quando o produto não agrada, o que é uma reação egoísta, mas humana – pelo menos por ora. Geralmente o que me motiva a comprar algo no intuito de substituir outro algo que já tenho são características novas e/ou melhores. É assim com carro (neste caso, será, já que nunca troquei, hehe), computadores, celulares… Sim, a culpa é minha, mas não toda ela. Uma parcela pode e deve ser atribuída à indústria.

Algo que sempre me questionei é o porquê das empresas não melhorarem os produtos que já estão em circulação. Tome-se, por exemplo, um jogo de computador. Um jogo de futebol. Qual a maior diferença entre uma versão e outra, em regra? Novas escalações, melhorias gráficas e aprimoramentos na jogabilidade. Aspectos simples, que, imagino eu, poderiam muito bem ser implementados através de uma atualização. Por que não liberar essa atualização mediante uma quantia módica, ao invés de prensar milhões de DVDs e fazer com que os consumidores que um ano antes gastaram uma pequena fortuna no jogo, e compraram 300 gramas de plástico, repitam o ato? Todos ficariam felizes, dinheiro continuaria entrando, e o impacto sobre o meio ambiente seria reduzido pela metade.

Esse pensamento se aplica a várias outras áreas, toma formas diferentes, mantendo o princípio básico de economia de recursos. CEOs e gerentes de grandes empresas não devem concordar comigo, de modo que, enquanto eles forem CEOs e gerentes de grandes empresas, nos limitaremos a novidades tímidas ou marketeiras em prol da preservação do meio ambiente. Até o dia em que terão que escolher entre ele e o dinheiro. Meu medo é que optem pelo segundo.

Por ora, continuarei atualizando computador e celular a cada dois anos, comprando jogos anualmente, e trocando de carro… quando a conta corrente deixar (o preço do carro no Brasil está num nível vergonhoso).

2 Respostas para “Consumismo”


  • Isso me lembrou de uma frase na camiseta do pessoal de engenharia ambiental da faculdade: “Quando a última árvore for derrubada, quando o último peixe for pescado, quando o último rio secar, vocês verão que dinheiro não se come”.

  • acho que o video eh muito bacana , instrutivo e com otima didatica. acho um desperdicio vc trocar uma coisa que funciona bem por uma mais nova so pq eh mais novo. trocar um ipod de 80Gb por um de 120Gb, pra que? 80 Gb eh o tamanho do meu HD! e eu tenho tudo que eu quero nele, inclusive filmes e seriados. Trocar de computador a cada 2 anos? pra q? compra um top de linha e tu vai ter toda potencia durante anos. Meu computador eh um Pentium 4 de 3GHz e eu rodo jogos pesadissimos com ele, como Crysis ou Assassins Creed e ele ja tem uns 5 anos. Paguei caro na epoca e ainda rende tudo que preciso, rodo o Photoshop CS4, Vista, o que você quiser, basta ter RAM e no meu caso, placa de video(que eu so troquei porque a antiga quebrou)….

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