Finalmente alguém decidiu ensinar a pescar

Cartão do Bolsa Famíllia.

Cartão do Bolsa Famíllia.

O Bolsa Família é um programa que tem mais demagogia do que benefícios reais às camadas mais pobres da população brasileira. Afinal, sem mover uma palha, simplesmente por viver e estar inerte, a pessoa ganha uns tostões ali, e tá tudo bem, problema resolvido (segundo o Governo), e ponto final. Não há incentivo, ou melhor, há sim: o incentivo de permanecer na inércia, afinal, não há contraprestação pelo dinheiro recebido. Por que, não sei como é em Brasília, mas na minha terra, criança freqüentar escola é básico, e não moeda de troca para esmola do Governo.

Sou um crítico ferrenho ao modelo do Bolsa Família. Entendo que há a necessidade de prover alimentação e recursos básicos a pessoas abaixo da linha da pobreza, mas acredito que haja meios melhores de suprir essa gravíssima lacuna, diferentes e mais dignos do que a mesada no fim do mês. Dar trintão a cada trinta dias para o cidadão não é a solução. É uma medida paliativa, falha, idiota, e não bastasse isso, um dos gastos mais fraudados do Brasil – título difícil em meio a tanta corrupção que há nesse país. Por essas e outras, o Bolsa Família é (um dos) cânceres que engessam o desenvolvimento do Brasil. Como diz o velho ditado, o Bolsa Família dá o peixe, ao invés de ensinar a pescar.

Felizmente alguém no Congresso decidiu que, afinal, o melhor caminho é ensinar a pescar. O Senador Álvaro Dias apresentou o projeto de lei 00433/08, que, resumidamente, é um grande avanço no malfadado projeto social. Se for aprovada e promulgada pelo Presidente (medo…), empregadores que contratarem beneficiários do Bolsa Família ganharão abatimentos fiscais na monta do que o novo empregado recebia do Governo através do programa. Medida simples, e que tem tudo para dar certo. Nas palavras do próprio Senador, é a “porta de saída do Bolsa Família”.

Pobreza existe e sempre existirá, em toda e qualquer sociedade capitalista. Querer combater isso, querer que todos sejam exatamente iguais, é ser comunista acreditar n’algo utópico, fora da realidade. O que se busca, no caso, é diminuir o abismo que separar ricos e pobres, ou em termos mais conhecidos, diminuir a desigualdade social. A Constituição garante direitos básicos a todos, e são esses que devem ser atendidos pelo princípio da isonomia. O Bolsa Família é um atraso nessa longa e exaustante caminhada, atraso este que, felizmente, pouco a pouco é deixado de lado.

Fiquei sabendo do projeto através do Noroestão.

6 Respostas para “Finalmente alguém decidiu ensinar a pescar”


  • engraçado q, quando querem, os políticos conseguem apresentar propostas boas pra toda sociedade, não apenas pra camada dita “menos favorecida”.
    acredito q esse projeto de lei tem tudo pra dar certo, a não ser q realmente não queiram q ele dê certo.
    é incrível a quantidade de imposto q uma empresa tem q pagar quase q diariamente pra poder funcionar na legalidade, e um projeto desses além de tirar boa parte desse peso está ensinando aqueles q até então eram assistidos pelo Bolsa Família uma profissão e não a viver nessa situação pelo resto de sua vida (ou até quando durar o benefício) e, pior de tudo, passando isso pras próximas gerações. ou alguém acredita q os filhos desses q vivem na inércia teriam alguma chance de aprender uma profissão pra se sustentar assim como seus pais não tiveram?
    é obvio q no meio dessa história toda tem pessoas q realmente usam esse dinheiro pra investir em algo realmente produtivo, mas creio q com as fraudes q pipocam nos jornais Brasil afora quase todos os dias não vale a pena continuar investido em algo como o Bolsa Família.
    no mais, parabéns pelo post e, mais ainda, por ter coragem de ter escrito isso Rodrigo: “criança freqüentar escola é básico, e não moeda de troca para esmola do Governo”.

    abraços e até mais!

    • Oi Thiago,

      A carga tributária no Brasil é estupidamente alta, e a que o empregador precisa arcar para manter seus empregados, idem. Estima-se que, hoje, o empregador pague quase o mesmo valor do salário dos empregados a título de tributos.

      De fato, aliviar a carga tributária do empregador é tão importante quanto incentivar o desuso do Bolsa Família. Dois pontos positivos para esse projeto de lei!

      Obrigado pelo comentário, muito bacana :-) .

      []’s!

  • Rodriguinho!

    Sou total e completamente favorável à Bolsa Família. Ela só não é necessária, para quem não conhece um pouco dos rincões de nosso país.
    Na sua visão, parece que todos que a recebem são homens, na faixa dos 16 aos 50 anos aptos para grudar numa enxada e trabalhar.
    Não é assim. Conheci muita pobreza, miséria mesmo, de famílias sem um homem ou pessoas aptas a algum tipo de trabalho.
    Procure se informar mais para ter um juizo melhor.
    E corrupção, sim, o que não corrompem? Não só aqui, mas no mundo todo.
    Corrupção existirá sempre em tudo. E é crime e como tal, cometido à solapa da luz. O importante na questão, o que devemos cobrar, é rigor na distribuição do benefício, fiscalização e punição das irregularidades. Isso sim, essa cobrança, cabe à sociedade brasileira.
    E, por fim, uma saida para o Bolsa Família é algo que precisa ser pensado desde já. Afinal, não se deseja que seja perpétua. Beneficiários de hoje vão morrer um dia e o governo deve orientar-se para que os novos brasileiros tenham educação melhor e não venham a se tornar novos usuários.
    E, quanto a contrapartida de obrigatoriedade de apresentar boletins de frequência escolar e cartão de “estar em dia” com as vacinações… Rodrigo… isso não é uma super moeda, meu amigo!
    Nós não estamos na Filadélphia. Se não for assim, não funciona, a cultura de nosso povo (esse, o beneficiário dos programas assistenciais) não tem cultura bastante para decidir por si que é melhor os filhos estudando que trabalhando para “ajudar no sustento da casa”.
    E parabens para o Senador Alvaro Dias por essa proposta e que surjam muitas outras.

    Abraços!

    • Reconheço que há muita gente que, devido a limitações e mente fechada, vivem do Bolsa Família e assim morrerão. A essas, infelizmente não há salvação, não há programa que resolva. Minha crítica recai na acomodação que boa parte dos beneficiários tem, os quais preferem receber a mesada do Governo sem reagir, tentar melhorar. E o Governo, que não é bobo, aproveita-se dessa letargia da população acomodada para fazer demagogia, dar uma de paizão gente fina.

      A erradicação do Bolsa Família se dá através de medidas como a do Senador Álvaro Dias, ou seja, caminhos diversos da mesada que, além de acrescer a renda do ex-beneficiário, lhe dá dignidade, um trabalho, aumenta a mão-de-obra, engrossa a força trabalhadora do país. O grande diferencial é que, além da vida dessa pessoa melhorar consideravelmente, tanto pela dignidade que o trabalho propicia, quanto pelo incremento significativo de sua renda, ajuda o país como um todo, que ganha com mais trabalhadores.

      Acredito que devam existir outras saídas, outras idéias tão interessantes e inteligentes como a mostrada nesse projeto de lei. Basta querer, sem ter medo da perda de popularidade. Bolsa Família deveria ser algo paliativo, não uma fonte de sustento (precário), como é tida hoje pela maior parcela dos beneficiários, e como o Governo tenta vender.

      Obrigado pelo comentário, Sérgio. Bastante enriquecedor :) .

      []’s!

  • Por trás de argumentos aparentemente racionais (mas difíceis de sustentar, se bem examinados) transparece um certo rancor. Contra quem esse sentimento de fato é dirigido, só o autor do texto poderá saber, se tiver interesse e decidir investigar.

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