Lana Del Rey

Algumas semanas atrás a Letícia, que sempre recomenda as melhores músicas e séries do mundo, apareceu com uma nova: Lana Del Rey.

“Com quem se parece?”, perguntei. “Ahn, não consigo lembrar de nenhuma artista”, ela respondeu. Ao ouvir as primeiras músicas, especialmente pelo começo de Kinda Outta Luck, não pude desassociar a moça da Nancy Sinatra. Mas as semelhanças não se sustentam por muito tempo, o que não quer dizer que Lana seja ruim.

Pelo contrário. Eu meio que gostei pra caramba da moça. As melodias são suaves, a voz dela, linda, e as letras, embora bem melosas, contam com algumas passagens deliciosas que se sobressaem e ajudam a amenizar os exageros e “meninices” do resto. Como essa, em Video Games:

“I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you”

E… certo, exagerei eu agora, porque só tem só essa parte mesmo. Fosse pelas letras, dá quase para colocá-la ao lado do Michel Teló, mas as músicas continuam agradáveis independente do que dizem, variando entre lentas (Blue Jeans, Yayo, Born to Die) e algumas mais agitadas (Kinda Outta Luck, Lolyta, Raise Me Up).

Seu disco de estreia, Born to Die, sai no próximo dia 30. Há quem aposte que estamos vendo o nascimento de uma nova Adele; nah… nem tanto. Não duvido que estoure, mas em termos qualitativos, fica aquém. E em performances ao vivo… Veja os vídeos da apresentação que Lana fez no SNL. Se ela disser que estava chapada, acho que dá para perdoar.

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Querido diário

Ontem, numa conversa de bar, o assunto “diário” surgiu e, quando questionado, respondi que tenho um.

Eu tenho um diário.

Já faz nove anos e, se quer saber, recomendo fortemente a todos que criem o hábito e mantenham suas experiências reduzidas a texto. Imagino que seja como a terapia, que infelizmente nunca fiz, só que sem as partes chatas — gastar uma nota e compartilhar sua intimidade com um estranho.

We all have secrets.

Todos nós temos segredos.

Com o tempo, o diário se torna uma fonte de recordações, uma prova viva da sua evolução enquanto pessoa. Às vezes releio coisas de oito, nove anos atrás e me questiono se aquele cara deslumbrado com a primeira namorada, indeciso e fazendo besteiras nas suas escolhas acadêmicas e cuidando do hobby que mais tarde viraria trabalho sou eu mesmo. É uma profusão de sensações e nostalgia indescritível e, até onde sei, inalcançável de outra forma.

É, também e principalmente, uma ótima forma de descarregar a mente, refletir, tomar decisões. Crescer. Pesquisando sobre o tema, encontrei este artigo que, além de listar dez motivos fundamentados para se ter um diário, acaba com um estigma comum aos ignorantes, o do “querido diário, hoje fiz isso, isso e aquilo”; não é bem assim:

“Em geral, as pessoas resistem a manter um diário porque elas pensam que não são boas escritoras o bastante, que alguém lerá seus pensamentos mais profundos [mais sobre isso abaixo] ou que têm coisas mais importantes para fazer.

Mas em vez de pensar num diário como um diário — um livro no qual você meramente relata os eventos do dia —, pense nele como uma caixa selada para auto-reflexão, auto-expressão e auto-exploração. Recontar os eventos do dia é menos relevante que o ato de expressar seus pensamentos. E escrever reflexões sobre os eventos experimentados todo dia é uma maneira inestimável de avaliar seu desempenho, definir padrões elevados de excelência e encontrar novas maneiras de resolver problemas difíceis.”

Além do desenvolvimento pessoal, como alguém que lida profissionalmente com a escrita ter um diário me ajuda a manter o hábito e aperfeiçoar o manejo com as palavras. Tudo bem que já faço isso, de uma forma ou de outra, nas publicações com as quais colaboro; mas a escrita íntima é diferente. É mais difícil. Instiga a mente, te desafia a ser ousado, a escrever sem medos ou receios. É quase libertadora.

Be you, Find you. Be happy with that.

Seja você. Encontre-se. Seja feliz com isso.

***

Quase 512 anos de Brasil e o ar ainda está contaminado de preconceito e estereótipos, dos mais declarados aos enraizados e tidos comuns, como o “azul para menino, rosa para menina”. Nossa sociedade é extremamente machista. Ainda é. E maliciosa, do tipo que vê duplo sentido até onde não tem, tira conclusões perversas de ações inocentes, coisas assim. Do tipo que acha que diário é coisa de menina adolescente que sonha com o vocalista da boy band do momento.

Ahn… não, não é bem assim. E não estou sozinho ao ressaltar as vantagens e o auto-conhecimento desencadeados por essa solitária atividade. Acompanho de longe (o meu é offline) o Penzu, uma plataforma online de diário, e eles têm algumas páginas destinadas a mostrar as vantagens da atividade, bem como pessoas inspiradoras que mantinham os seus arquivos pessoais. Kurt Cobain, Anne Frank, Christopher McCandless (do filme/livro “Into the Wild”) são alguns exemplos. No cinema, ainda tem Evan, do celebrado “Efeito Borboleta” — e, poxa, eu desejei muito poder voltar às situações dos meus rabiscos quando assisti ao filme; quem não? E há tantos outros, homens, velhos, famosos, anônimos, com seus diários… Pessoas mais completas por causa deles, certamente.

Never sacrifice who you are just because someone has a problem with it.

Nunca sacrifique quem você é só porque alguém tem um problema com isso.

Claro que, ontem, virei motivo de chacota no bar pela minha declaração. Faz parte, faz parte… Eu poderia mentir, a noite seguiria da mesma forma só que sem as piadas, mas quer saber? Não tenho vergonha disso. Sequer um pingo. Se eu fosse homossexual, o que não é o caso, não seria por causa de um diário; são coisas sem relação alguma. Gente que acha que diário é coisa de menina ou de gay é o mesmo tipo de gente que acha que homem que é homem não usa camisa cor-de-rosa.

***

Se essa confissão lhe animou a começar um diário também, tenho certeza que a primeira coisa que passou pela sua cabeça foi o “…mas e se alguém ler?”. É o maior medo de quem mantém um documento assim, de verdade.

When was the last time you did something for the first time?

Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Felizmente a tecnologia está aí para nos ajudar. Temos o Penzu, que é online, e soluções ainda mais seguras. A que eu uso? Documentos do Word protegidos com criptografia pesada (256 bits) num disco oculto, tudo com a ajuda do TrueCrypt. Ainda que esses dados sejam roubados de alguma forma, a pessoa interessada levaria algumas décadas ou até séculos para quebrar a proteção usando força bruta. E, sinceramente, meus segredos não valem tanto esforço ;-)

Escrevi um tutorial no Gemind sobre como criptografar arquivos com o TrueCrypt. Se quiser uma camada extra de segurança, o próprio Word fornece um sistema de criptografia embutido que, nas últimas versões, tornou-se bastante robusto e confiável. A Microsoft ensina como colocar senha neles. As recomendações são não anotar a senha em lugar algum, escolher uma forte e aleatória (ou seja, que não conste no dicionário) e da qual você se lembre, pois a mesma dificuldade que um xereta teria em quebrá-la, você também terá caso a esqueça.

***

Se você faz algo legal, lícito e que faz bem, mas que os outros reprovam ou tiram sarro, assuma. 99% das piadas de ontem sobre o meu diário era que isso é “coisa de menininha” e tudo mais, ou seja, além do diário em si, o próprio sarro encerra outro preconceito muito comum da nossa sociedade. E muito babaca, diga-se.

Fuck what they think.

Dane-se o que eles pensam.

Como combatê-lo? Ignorando. Esse tipo de coisa é igual apelido: se você não dá bola, toda a graça acaba. Sou e sempre fui muito seguro quanto à minha sexualidade e não vejo problema algum em manter um diário, logo, por que deveria me incomodar ou mentir? Para parecer machão na frente de amigos e desconhecidos? Nah… Meu eu de nove anos atrás certamente teria vergonha, talvez até mentiria. Sei disso porque dia desses reli meu diário de outrora e, cara, como eu era bobo.

***

As belíssimas imagens que ilustram este post vêm do I Can Read, um tumblr delicioso.

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Os cinco mais de 2011

Antes de qualquer coisa, feliz ano novo para você. Que 2012 seja o melhor ano das nossas vidas!

Ano novo significa, além de fogos de artifício, comilança e roupa branca, a listinha dos meus cinco textos favoritos publicados aqui no ano que acaba de se despedir. Em 2011 escrevi pouco no blog, foram apenas 66 posts… Se faltou quantidade, acho eu que o nível dos textos melhorou um tiquinho. Aproveitei também para adiantar bastante o projeto de limpeza e readequação do histórico; muitos textos vergonhosos já não existem mais a essa altura e isso me deixa bem contente ;-)

Então, vamos aos escolhidos, relembrando que eles são dispostos em ordem cronológica.

Meu primeiro bilhetinho amoroso (30/3)

Relato da minha talvez primeira aventura amorosa. Inacabada, cheia de receios e até hoje inexplicada, mas mesmo com todos esses problemas, ainda a guardo com carinho na memória.

Por que você deveria doar os seus livros (4/6)

2011 foi o ano em que o minimalismo mais se fez presente na minha vida e, também, aquele onde mais abri minha cabeça para a disposição de bens materiais. Livrei-me de várias coisas, mas os livros, pela extensão do ato, a recepção dos meus amigos relatadas no texto e o poder que essa simples ação tem, foram os mais marcantes.

Aquele momento em que você respira fundo e… (19/8)

Basicamente foi a decisão profissional mais drástica que já tomei na vida. Acho que só isso já justificaria a presença desse texto aqui, seja ele bom ou não.

25 (8/11)

O post dos meus 24 anos também esteve na lista de 2010 e tenho a sensação de que essas reflexões nos meus aniversários terão lugar cativo aqui. Antes eu fazia esse balanço na virada do ano, agora, é quando eu fico mais velho. Em resumo, trata-se de um olhar sobre o que passou e as expectativas para o que virá. No primeiro ano dessa nova tradição, fui bem. Espero que o sucesso se repita em 2012.

Como descobri que gostava de escrever e decidi fazer disso a minha profissão? (13/11)

Nunca havia parado para pensar nisso e forçar o cérebro para buscar as origens do meu apreço pela escrita foi um exercício de nostalgia bem divertido. No fim, rendeu um texto que adorei ter escrito.

Rodrigo Ghedin Zeitgeist

Aqui a gente deixa o sentimentalismo de lado e nos atemos aos números (colhidos até 27 de dezembro, via Google Analytics). Quais os posts mais visitados do ano? Vejamos.

Posts novos (2011) mais visitados

  1. Lenovo ThinkPad X100e: Primeiras impressões (10/3);
  2. Na inauguração do Muffato Paranavaí (15/9);
  3. Em busca do notebook perfeito no Brasil (27/2);
  4. DISQUS, IntenseDebate ou nenhum deles? Qual o sistema de comentários mais popular do Brasil e do mundo? (19/2);
  5. Por que o SkyDrive NÃO é o “Dropbox da Microsoft” (21/6).

Posts mais visitados

  1. Entendendo Donnie Darko (5/6/2006);
  2. Voilá, vualà, voy la… Como se escreve? (12/8/2008);
  3. Badoo: rede social para encontros (2/10/2010);
  4. Carrinho de controle remoto (R/C) (11/1/2008);
  5. CDs velhos: o que fazer com eles? (23/7/2007).

Tentarei aparecer mais por aqui em 2012.

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Oficina de fotografia na Multicom/UEM

Descobri a existência do curso de Comunicação e Multimeios, na UEM, há menos de um mês. Como, COMO!? Não sei, mas enfim, perdi data de vestibular e tudo mais… :-(

Semana passada aconteceu a Multicom, primeiro evento oficial do curso e, para conhecer um pouco mais dele e do ambiente, fui conferir in loco. Foram três dias de palestras e, entre elas, uma ótima oficina do fotografia com Paulo Martinelli, onde aprendemos algumas técnicas de macro, fotografia noturna, de ação, panning e retratos e eu descobri, na prática, como uma DSLR é absurdamente melhor que a minha humilde super zoom.

Subi as fotos para o Flickr não tem dois dias. Abaixo, um slideshow* com todas elas. Tenha em mente que sou um fotógrafo extremamente amador com equipamento bem limitado, mas não se acanhe para criticar ou dar dicas — e elogiar, porque quem não gosta de um afago no ego, né?

* Sim, é em Flash essa droga. Culpe o Flickr por isso. Se preferir, vá direto à fonte para ver as fotos.

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Como descobri que gostava de escrever e decidi fazer disso a minha profissão?

Hoje cedo apareceu uma pergunta muito bacana no Formspring. Esta:

“Sinceramente, eu considero os seus textos fantásticos por isso eu pergunto: Como descobriu o gosto pela escrita, e como foi o processo de aperfeiçoamento da mesma?”

Além de lisonjeado com o “textos fantásticos” (valeu mesmo, Depressao!), notei que nunca havia parado para pensar na questão. Como, com tantas possibilidades, áreas e habilidades a serem desenvolvidas, acabei pegando gosto pela e enveredando para a escrita?

Coincidentemente, há alguns dias tirei um tempo para me afundar em caixas de sapato velhas cheias de coisas bastante antigas que guardei através dos anos. Objetivo: fazer a limpa, reciclar o que não tem mais uso, reorganizar e arquivar o pouco que sobrasse. Entre os itens que encontrei nessa expedição doméstico-arqueológica estavam alguns manuscritos meus: “detonados” de jogos.

Não me recordo de ter escrito algo por conta própria, ou seja, algo que não fosse da escola, antes desses rabiscos. Entre 1996 e 2001, vivi uma fase de gamer hardcore com meu PlayStation, do tipo que comprava revistas especializadas religiosamente todo mês para se informar das novidades e jogava o que podia por tanto tempo quanto tivesse disponível.

Revistas de video game.

Estão todas à venda, aliás. Se quiser comprar alguma(s), clique na imagem.

E era justamente por essa associação, jogos e revistas, que comecei a escrever eu mesmo sobre o assunto. A maioria das revistas da época contava com “detonados”, que nada mais eram que descrições detalhadas dos caminhos a serem percorridos nos jogos, especialmente os de gêneros mais complicados, como adventures e RPGs. Sem saber uma palavra em inglês no alto dos meus 12~14 anos, dependia  das revistas para finalizar os jogos e, mais que isso, para entendê-los.

(Aliás, era engraçado como até jogo em japonês a gente encarava nessa época — “díkou, uíniiii erévi, trí!”. Tudo na base da tentativa e erro, escolhendo as opções do menu até chegar onde se queria. Quase um poliglota.)

Apesar de ajudarem, os detonados das principais publicações da época, Ação Games e Super Game Power, eram bem ruins. Não havia profundidade, não havia atenção aos detalhes, sobravam lacunas e frases soltas que acabavam exercendo efeito contrário — em vez de ajudar, davam um nó na cabeça do jogador. Tínhamos publicações mais apuradas, em especial os livros enormes da Gamers, da Editora Escala, que espremiam até a última gota do jogo em questão, mas pecavam por serem bem escassos — cada Gamers Book era reservado a um ou dois títulos e acho que a contagem de edições não chegou ao número dez…

Até hoje não sei o motivo, mas comecei a reescrever os detonados das revistas. Nunca teve serventia para outras pessoas e nem para mim, afinal, tendo jogado eu já conhecia os caminhos; acho até que ninguém jamais leu aquelas folhas divididas em duas colunas e preenchidas na frente e no verso, mas… eu fazia. E com gosto e dedicação. Desde pequeno sem vida social, coitado de mim :-(

De cabeça, recordo-me de alguns jogos que “detonei”: Silent Hill, Metal Gear Solid (esse acho até que passei para o computador), Resident Evil… Na arrumação das caixas velhas que citei no começo do texto, encontrei alguns rascunhos de Resident Evil 2. Sem entender bolhufas do que se passava na história, esses textos eram quase mecânicos, do tipo “vá ali, faça isso, pegue aquilo, siga por este caminho”. Mas senti orgulho do meu eu com a metade da idade que tenho hoje; mesmo pequenino e com um garrancho horrível que não melhorou com o tempo, ele escrevia melhor que um montão de gente mais velha. Parabéns, garoto!

Folha sulfite com o detonado de Resident Evil escrito por mim.

Detonado de Resident Evil. (Clique para ampliar)

Outro trecho do detonado de Resident Evil que escrevi quando pequeno.

Escrita mecânica, mas correta.

Outra mania que eu tinha era a de registrar dicas e truques de jogos. As mesmas revistas traziam uma seção especial com macetes, geralmente combinações de botões que destravavam facilidades nos jogos — cheats, ou “xits”, para facilitar a compreensão à geração CS. Em outra incógnita que minha versão mirim deixou de legado, até hoje não sei por que diabos escrevia tantas dicas de jogos que eu não tinha, não queria ter e, em alguns casos, sequer gostava. Precaução, talvez?

Incrível como isso resiste ao tempo...

Caderninho de dicas. (Clique para ampliar)

Dica para pegar metralhadora no Need For Speed.

Por essas e outras que os primeiros Need For Speed eram mais legais. (Clique para ampliar)

Dicas diversas para Street Fighter Zero.

Street Fighter Zero, taí um jogo que eu nunca tive — só as sequências. (Clique para ampliar)

A Internet só apareceu para mim no começo da década passada. Joguei muita conversa fora no bate-papo da UOL e, depois, no IRC antes de aprender HTML. Aliás, hoje vejo que ter aprendido HTML foi o que determinou o meu eu virtual; na época já existia o Blogger, mas o próprio conceito de blog ainda era algo um tanto nebuloso, especialmente dentro dos meus círculos de amizades, reais e virtuais — até 2004, achava blog coisa de menininha. Já um site… isso sim era incrível! Para botar algo no ar e exercer meus recém-adquiridos conhecimentos na produção de páginas web, apeguei-me à coisa que mais me interessava na época: computadores. E aí, em 23 de novembro de 2002, nasceu o WinAjuda.

Nunca fui destaque na disciplina de português, na escola. Na real, adorava apostar quem tirava as maiores notas com meus amigos nas exatas e, acredite se quiser (nem eu acredito às vezes), as disputas eram acirradas — sim, já fui bom com números. Gostava de redação, não posso negar, mas as achava mais fáceis do que prazerosas de se fazer. A minha maior dificuldade era quando a professora deixava o tema aberto; após encontrar algum, ou tendo-o pré-definido, a escrita fluía fácil e, não raro, era o primeiro da turma a terminar a lição, sempre com notas muito boas.

Da simpatia com a redação a transformá-la em profissão é uma conexão que, mesmo com todo esse background podendo servir de explicação, ainda não consigo entender com clareza. O aperfeiçoamento, porém, é fácil de explicar: treino e leitura. Alguns anos antes, por volta de 1998~1999, comecei a pegar livros na biblioteca, livros da coleção Vagalume. Desde então sempre tive por perto algum livro e, com a chegada da Internet, alguns anos mais tarde, e a descoberta de bons blogs (depois de 2004), passei a ter muita coisa legal de gente genial para ler todo dia. E a prática… bem, desde 2002 estamos aí, né?

Em 2004, sem a mínima ideia do que fazer da vida, prestei vestibulares para Administração e Direito. Passei em ambos, optei por Direito, concluí o curso sem nunca ter gostado dele mantendo, em paralelo, o WinAjuda. Cinco anos depois, às vésperas da graduação, tinha uma parceria com o iG e já encarava o site, embora negasse a mim mesmo, como trabalho — demorei um pouco para parar de me recriminar por não trabalhar na área jurídica. Enfim, outra transição sutil que jamais compreenderei totalmente.

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25

Ano passado escrevi que, nos 365 dias seguintes, a minha principal meta seria simplificar a vida. Comprar e gastar menos, doar e organizar mais, tirar mais tranquilidade dessa equação.

De certo modo, “empatei” aí. Doei livros, vendi (e continuo vendendo) coisas que reparo estarem sem uso por aqui, enveredei numas faxinas fenomenais em caixas velhas e… bem, fiz uma ou outra compra no período, mas colocando tudo na balança, acho que o saldo foi positivo. Não o financeiro… ah, você entendeu.

Também me comprometi a ter hábitos mais saudáveis, objetivo esse alcançado. Por fim, tinha o melhorar meu lado escritor, o que, bem ou mal, tento todos os dias, ainda que esse seja um processo de aprimoramento bastante irregular — por vezes me vejo como um cara realmente bom no que faço, mas sempre há momentos em que me pergunto se não estaria melhor carpindo data.

Algo que eu não previ, sequer pensava há um ano, é como eu estaria mais… vazio agora. De lá para cá perdi muitas coisas que não dá para “pegar”, vender ou doar. Todas essas perdas, em maior ou menor grau foram consentidas, porque em parte eu quis. Ainda me pego pensando, vez ou outra, se cada uma delas, algumas ainda hoje muito queridas, foram decisões acertadas. Nunca saberei, claro.

Se por um lado fica essa incerteza, por outro estar vazio me põe frente a uma folha em branco. Ainda não passei da primeira página, mas as possibilidades são ilimitadas. E, sim, tenho meus planos para 2012, mas esses eu só conto ano que vem.

Hoje, tenho no Gemind, o site de tecnologia onde concentro tudo o que aprendi em dez anos nisso, o que mais toma o meu tempo e dedicação. Com dois meses e meio no ar, o direcionamento que vem tomando, a comunidade que estamos criando em torno dele, o relacionamento com os leitores, o bom astral e competência da equipe… enfim, tudo, com exceção do fluxo de caixa, está funcionando de uma maneira tão boa, mas tão boa, que às vezes custo a acreditar.

Para meus 25, o objetivo maior é fazer o Gemind se sustentar sozinho. Estarei muitíssimo contente se, daqui a um ano, eu ter conseguido “apenas” essa realização. Já convenci-me de que gosto e quero viver da escrita; para fechar o pacote completo falta apenas consolidar o projeto mais legal do qual já participei.

No pessoal, além de manter os hábitos saudáveis, espero encontrar tempo e disposição para exercitar a mente. Ler mais livros, coisa que nos últimos dois anos negligenciei bastante — corro o risco de estar próximo da vergonhosa média nacional —, assistir a mais filmes, ouvir músicas diferentes — nisso o Spotify tem sido um grande aliado. Conhecer mais gente, ficar menos em casa. Aliás, eu tenho que sair mais, de verdade.

Apesar dos tropeços e do que ficou para trás, o ano que passou foi bom. Mas espero, mesmo, que o próximo seja diferente. Que seja melhor.

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De sedentário a atleta amador

No começo do ano fiz uma cirurgia para corrigir um problema congênito na bexiga. “Coisa simples”, respeitadas as devidas proporções, segundo o médico.

A cirurgia transcorreu sem problemas e fiquei dois dias no hospital para drenar todo (ou parte do) sangue que se acumulou onde normalmente só deve existir urina. É meio nojento, mas quero contextualizar a situação.

Nesse período, dividi o quarto com um senhor com problemas cardíacos e respiratórios. No primeiro dia fiquei espantado quando a filha dele entrou no quarto com um… pastel de feira! Ele se recusava a comer as refeições servidas no hospital — que, justiça seja feita, nem eram tão ruins assim. Além do apreço pela comida gordurosa, meu colega de quarto era fumante também. Já estava ali fazia quase duas semanas, angustiado querendo ir embora.

Pastel de feira engordurado.

Imagine essa gordura em seu organismo.

Aquele episódio foi bem marcante para mim. Ficar dois dias num quarto de hospital, sem sentir dores, apenas em repouso, já foi bem ruim; quinze dias e com a saúde debilitada seria bem pior. Foi tão marcante que me propus mudanças na alimentação e nas atividades físicas.

Não foi a primeira vez que disse a mim mesmo “agora vai”. Não foi a primeira vez, mas em todas as outras eu havia falhado. E, nessa, ainda tinha o agravante de ter que esperar a recuperação da cirurgia — fiquei quase um mês com um cateter no ureter, o “caninho” que liga o rim à bexiga, o que me impedia de fazer quaisquer atividades.

O período de repouso passou e com ele vieram as mudanças. Na parte da alimentação, reduzi o consumo de doces, comida engordurada (cortei pastel) e carne vermelha, passei a não recusar salada (sempre comi, mas era mais seletivo), acrescentei frutas à minha dieta e doses generosas de água. Ah, e mantive a restrição a refrigerante, que havia começado em fevereiro.

Na parte física, estava convencido de que a caminhada seria o suficiente e, assim, comecei a andar cerca de uma hora por dia, no mínimo três vezes por semana. Calhou de, na mesma época, um fisioterapeuta me recomendar… pilates!

Isso mereceria um texto à parte, mas para não deixar assunto pendente, posso dizer que pilates é uma atividade pra lá de legal. Ela reforça com muita rapidez a musculatura e reflete bastante na postura, isso através de exercícios que não “agridem” o corpo, nem são cansativos ou enfadonhos, num ambiente e clima mais zen que o típico de salas de musculação. Aliás, o próprio lugar onde se pratica pilates se chama “estúdio”; a filosofia é mais trabalhar o corpo para si mesmo do que para mostrar músculos para os outros.

Aparelhos num estúdio de pilates.

Típico estúdio de pilates.

Há toda uma aparelhagem para desempenhar os exercícios, alguns puxados, e muito, mas muito preconceito. A maioria acha que pilates é coisa de mulher. Piadinhas à parte (e são muitas, acredite! :-D ), foram seis meses nos quais as mudanças no corpo tornaram-se visíveis. O único problema do pilates é que é muito caro, então com o vencimento do contrato, pularei para a natação agora.

Em paralelo, mantive as caminhadas, que há pouco menos de dois meses se transformaram em corridas. Andar ou correr ao ar livre é bastante relaxante para a mente, um “efeito colateral” que, embora já tivesse ouvido muito falar sobre, não imaginava pudesse ser real. Mas é, e cada vez que volto de uma sessão, faço alongamento, reponho as energias e tomo um banho frio, é como estar novo de novo. Numa palavra, é revigorante.

Gosto de fazer caminhadas com o smartphone a tiracolo. Além de música ou podcast para distrair, também utilizo um aplicativo chamado Endomondo que, graças ao GPS, monitora a atividade e permite visualizar meus progressos. Não é o tipo de coisa pela qual sou obsessivo, mas dá uma sensação boa ver que, hoje, minha velocidade média quase que dobrou e as distâncias percorridas também cresceram consideravelmente em relação a março/abril. E é legal pra caramba dizer que, em 2011, eu já caminhei/corri 315,2 km e queimei mais de 17 mil calorias, o equivalente a 32 hambúrgueres ;-)

Histórico do mês de outubro de 2011, no Endomondo.

Endomondo: monitora e salva o histórico de atividades físicas.

Virei não um viciado, mas um interessado e disciplinado atleta amador. A minha meta passa longe de virar desportista, até porque não tenho mais idade, muito menos interesse nisso; meu objetivo é conservar da melhor forma possível a única coisa insubstituível na vida: meu corpo. E isso vai além do ato de praticar exercícios por si só; envolve planejar o meu dia de modo que, no final dele, eu tenha uma hora disponível para a prática, envolve alguns sacrifícios alimentares que, afinal, não são lá tão sacrificantes assim.

Vejo-me às voltas com computadores todos os dias já faz uns bons anos e, talvez por isso, muitas coisas tendo a observar analiticamente. Ao nosso corpo, faço a analogia de um computador: tem que tudo estar funcionando bem sob a pena de travamentos, panes e outros problemas indesejados. E tal qual um computador, o corpo humano também pede manutenção e alguma dedicação periódica. A complexidade de um organismo vivo é zilhões de vezes maior que a de uma caixa cheia de circuitos eletrônicos, capacitores e parafusos, mas de qualquer forma o funcionamento de ambos tem lá alguma relação.

Não é o caso de achar que, com essa série de mudanças eu me tornarei invulnerável ou à prova de doenças. O que me estimula a continuar com isso tudo é a evidente melhora que os hábitos saudáveis causam à qualidade de vida e saber que, embora algo inesperado ou impensado possa me derrubar lá na frente, pelo menos chance ao azar eu não darei. Se um dia, quando eu for velhinho, me ver num hospital por quinze dias para observação, não será por excesso de gordura ou nicotina no sangue.

No mais, se nada desse discurso saudável-gente-boa lhe inspirou, no fim das contas pelo menos visuais incríveis você poderá apreciar caminhando ao ar livre. Tem coisas que tela alguma representa tão bem quanto ver ao vivo; a natureza é uma delas.

Árvores e Sol na praça da biblioteca, em Paranavaí-PR.

Praça da biblioteca, em Paranavaí-PR.

Pôr-do-Sol no lago, em Guarapuava-PR.

Lago, em Guarapuava-PR.

Pôr-do-Sol na pista de atletismo, em Paranavaí-PR.

Pôr-do-Sol, em Paranavaí-PR.

Fotos: Pastel (Cristiano Oliveira/Flickr); Estúdio de pilates (John Ranaudo/Flickr).

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