Alguns anos atrás, o Sonico aterrorizava qualquer um que tivesse um email com os vários convites que seus membros, na maioria das vezes inadvertidamente, mandavam para todos a lista de contatos do emails. Era um terror.
Em 2010, outra rede ganhou o posto de maior remetente de convites chatos, o Badoo. Devo ter recebido uns dez desde que ela começou a ganhar destaque no Brasil, todas mais ou menos assim:

Convite do Badoo.
Em geral eu simplesmente ignoro esse tipo de coisa, mas dado o excesso (para meus padrões) de convites recebidos, fui conferir o site.
Antes de acessá-lo, devo dizer que tinha uma ideia diferente do mesmo. Achava que era mais um clone do Facebook tentando um lugar ao sol, o que fez com que o botão do Facebook como alternativa para cadastro/login parecer muito inapropriado.
Após o cadastro, que é bem simples, agradável surpresa: não é nada disso!
O Badoo foi fundado em 2006, na Inglaterra, e hoje possui escritórios em vários pontos do mundo, inclusive no Brasil. Diferentemente do Facebook, orkut e outras redes sociais “puras”, no Badoo o objetivo é unir pessoas. Tanto que, no cadastro, é pedido seu gênero e o no qual você tem interesse, e tudo gira em torno disso e da localização, também importante — o algoritmo que cruza perfis usa essa informação para aproximar pessoas que moram próximas umas das outras.
A razão pela chuva de convites do Badoo é que o sistema induz novos membros a convidarem seus contatos do email. Existem vários links espalhados que levam o usuário a uma página de convite bastante forçada. Nela, existe um formulário de email e senha bem destacado, e imagino que, ao inserir os dados de autenticação, os convites sejam disparados sem a necessidade de confirmação para a lista de contatos — já estou fazendo muito testando o serviço, testar isso também seria demais, não?
O menu principal é bem compacto. São quatro opções: Pessoas perto, Encontros, Mensagens e Perfil.
“Pessoas perto” serve para encontrar membros que estejam fisicamente perto de vocês. Existe uma espécie de filtro geográfico, onde pode-se determinar o raio de alcance do buscador e usar filtros como quem está online, ou para novos usuários.
“Encontros” traz uma interface mais direta: outros membros aparecem num carrossel, juntamente com botões de confirmação, negação e “Talvez…” no topo, e a indefectível pergunta “Quer conhecê-la?”. Outra coisa que não cheguei a testar, mas imagino que, dali, o bate-papo vá parar na guia seguinte, “Mensagens”. Nessa parte da rede, aparecem sugestões, não sei baseado em quais critérios, e pedidos para início de conversas. Ao iniciar um bate-papo, uma interface característica aparece.
O último item do menu principal é o “Perfil”, que dispensa maiores detalhes — são suas informações, a vitrine virtual para as pretendentes. Para evitar a proliferação de perfis fake e incentivar os membros a completarem seus perfis, o Badoo exige determinadas ações para liberar funções. O bate-papo, por exemplo, só se torna disponível para quem tem um avatar (foto no perfil); ver fotos de outros membros? Pode, desde que você também suba, no mínimo, três fotos suas.
As configurações são simples, e boa parte delas está vinculada ao ganha-pão do Badoo, os “Super Poderes”. Em termos simples, é a conta premium (paga) do serviço, que se assinada, desbloqueia uma série de opções de privacidade muito vantajosas. As regalias são:
- Saber quem respondeu “Sim” ao seu perfil na aba “Encontros”;
- Acessar os perfis de quem aparece na aba “Encontros”;
- Saber se suas mensagens foram lidas ou não;
- Ter prioridade no envio de mensagens;
- Busca avançada de pessoas;
- Modo invisível;
- Maio personalização do perfil.
O custo é de US$ 12 por mês, e além dos tradicionais cartão de crédito e PayPal, o Badoo também aceita pagamento via operadora de telefonia móvel. As maiores do Brasil estão lá.
Não gostou do Badoo? Apagar o perfil é simples, basta ir em “Configurações”, e de lá, clicar em “Deletar perfil”. O site tenta segurar o usuário oferecendo, antes da tela de exclusão, algumas opções para incrementar a privacidade, como esconder o perfil do Google, ou removê-lo da pesquisa interna, mas caso o objetivo seja mesmo excluir, é só clicar no link “Continue para remover o perfil”, inserir a senha, dar uma explicação sobre o motivo e confirmar.
Apaguei meu perfil, no momento atual a proposta da rede não faz muito sentido para mim. Entretanto, achei a ideia fantástica, especialmente pelo sistema de cruzamento de perfis que prioriza quem mora perto — funciona bem, localizei algumas conhecidas no pouco tempo em que usei o Badoo ;-) . É quase um “revival” daquela paquera nerd-internética-ingênua dos tempos do IRC e seus canais regionais, e como hoje a Internet é mais popular de modo geral, há mais gente participando, interessada e disponível para encontros ou mesmo apenas um bate-papo descompromissado.
Antes de experimentar o Badoo, minhas expectativas eram bem ruins — “um novo Facebook, pfff…”. Mordi a língua. Quem está à procura da sua carametade e se sente mais à vontade na Internet, deveria dar uma chance ao serviço. Só não pode estacionar aqui; o Badoo é a porta de entrada para relacionamentos, e deve permanecer assim. Afinal, a Internet substitui muitas coisas, mas não o olho no olho, o contato pessoal e a ótima sensação de estar com alguém de quem se gosta.





