Blog do Rodrigo Ghedin

Bons blogueiros fazem assim e assado

Encontrei, por aí, um link para o artigo The 5 Old Blogging Rules Killing Your Readership, publicado no Outspoken Media. A autora, Lisa Barone, faz uma análise de cinco dicas dos tempos em que blog era sinônimo de links comentados, do impacto delas hoje, e de variações que funcionam melhor no cenário atual.

Escrevo na Internet desde 2002, e em blogs, desde 2004~2005. Nunca me liguei muito a esse tipo de regra. O que funciona para mim, pode não funcionar para você, e assim vai. A regra é tentar encontrar sua “liga”, uma fórmula que faça sucesso entre os leitores, uma proposta de blog que caia no gosto popular, regularidade e pautas que lhe agradem e consigam extrair de si o melhor. Mas nem por isso deixo de ler material como o post da Lisa.

Ninguém se interessa pelo seu blog.

A moça da foto não é a Lisa Barone, é uma maluca que encontrei no Flickr pesquisando por imagens relacionadas a blogs.

A primeira velha regra diz que bons blogueiros publicam todo dia. Esse é um assunto delicado, e particularmente, vivo os dois lados da moeda simultaneamente. Aqui, em meu blog pessoal, me dou ao luxo de escrever quando der na telha, já que não rola preocupação com métricas, metas, nada disso. Meu blog pessoal é simplesmente uma válvula de escape, um espaço para compartilhar ideias, curiosidades e coisas engraçadas. Já nos outros, não publico um post por dia, mas vários. E ainda poderiam ser mais, pois o que não faltam são pautas, sugestões, coisas do tipo. É um trabalho mais cansativo, mas é nessa palavra que reside a grande diferença entre eles e este aqui: trabalho.

A segunda informa que bons blogueiros mantêm seus posts curtos. Nunca liguei para isso, e estando na Internet, acho meio besteira. A menos que seu blog seja um fast blog, ou tumblelog, o que define o comprimento de um post é o assunto em si. Alguns não precisam de mais do que um parágrafo para transmitirem a ideia; outros, requerem dezenas deles. Há casos em que o próprio blogueiro forja um estilo, seja mais conciso, seja mais detalhista. Mas, mais uma vez, isso cabe a ele decidir, pautado por diversos parâmetros, e não a uma regra universal-pretensiosa.

Terceira regra, bons blogueiros não linkam pessoas ruins. O conceito de “pessoas ruins” é muito abrangente, e eu confesso que, alguns, pouquíssimos desafetos, eu não linko. Mas concorrentes (se é que isso existe), sites grandes, pequenos, conhecidos, anônimos… não faço julgamentos, aponto para onde é preciso, pois muito acima de picuinhas e preconceitos bobos, está o leitor. Se quero que ele continue o sendo, preciso entregar a informação com a maior transparência, embasamento e totalidade possível. Assim sendo, restringir a informação por razões subjetivas passa a ser uma falha grave do blogueiro para com seu leitor.

(E, sim, eu sei que deveria linkar os desafetos que citei no início. Mas são tão poucos e tão irrelevantes, que… bah, danem-se eles.)

Na penúltima regra, page views = sucesso. Essa recai na mesma interpretação da primeira, ou seja, varia de acordo com o escopo do blog, a motivação do blogueiro. Se é algo descompromissado, page views é bônus, massageia o ego e nada mais. Se é um empreendimento, page views, embora não seja a única, nem a mais importante métrica atualmente, deve ser levado em conta e até interferir na pauta do blog. Mas, diferentemente da regra sobre regularidade, na dos page views existe um fator extra que enfraquece a validade dessa: repercussão em redes sociais. Twitter, Facebook, orkut… Trata-se de atingir as pessoas certas, fazer a mensagem ressoar, instigar as pessoas. Em muitos casos, mais vale alguns retweets do que dez mil visualizações. De repente, visualizações passa a ser consequência, não fim.

Por fim, uma das que mais gostei de ver derrubada: bons blogueiros têm todas as respostas. É humanamente impossível saber tudo sobre determinado assunto, e grandiosamente estúpido pretender possuir tamanho conhecimento. O que faz blogueiros terem tanto apelo junto ao público é justamente o fato de ser “um deles”. Um consumidor comum que escreve uma análise de um gadget que comprou, em tese, tem mais credibilidade para opinar sobre o brinquedinho novo do que um jornalista, ou o press release da empresa. Ele não sabe mais que esses dois, mas está mais próximo do público, tem maior afinidade. E para que isso se caracterize, há que se ter humildade em dizer “não sei”, “vou pesquisar o assunto”, “poxa, que legal! Não sabia disso”. Aceitar e praticar essa ideia tira um peso enorme das costas, e enriquece tremendamente a experiência de se manter um blog.