Minhas irmãs disseram que eu estava jogando dinheiro fora. Minha mãe, que voltei a ser criança. Meu pai me apoiou, mas foi exceção. Enfim, apesar da torcida contra dentro de casa, comprei um carrinho de controle remoto na última terça-feira.
Deve ser trauma de infância… Sempre fui tarado por carrinhos R/C, mas por ironia do destino, ou avareza dos meus pais, só tive dois até terça-feira última. O primeiro era um branco, no melhor estilo DeLorean, mas que, infelizmente, só andava em círculos. Algum tempo depois, num Natal do começo desta década, ganhei uma BMW muito ajeitada. Era verde escura, conversível, grande e tinha liberdade de movimentos. O único problema é que ela consumia muita energia. Em pilhas, eram oito, só para o carrinho (ainda tinha a bateria de 9V do controle remoto). Resultado: só brinquei no dia do Natal, já que, depois, em virtude dos meus escassos recursos financeiros, aliados a um súbito esquecimento da BMW, ela ficou encostada num canto.
Ano passado o reencontrei, num estado lastimável. O interior, cheio de detalhes e dobras, estava coberto de poeira. Os vidros ficaram amarelos, incapazes de se defender da ação do tempo. Um retrovisor foi cruelmente quebrado… Seria o fim? Não! Apesar dos problemas estéticos, tecnicamente estava tudo bem. E, por isso, decidi comprar uma bateria recarregável. Estava disposto a fazê-lo, mas repensei bem quando vi o preço: R$ 50,00! Ah, não…
Terça-feira, viajei ao famoso país vizinho, e na minha lista de compras estava a tal bateria. Infelizmente, não achei-a. Então, vendo alguns carrinhos lá, o cara da loja me disse o preço: R$ 50,00. Era o que eu gastaria só na bateria… Pensei, pensei, pensei… Levei.

É um Audi “não autorizado”, já que não apresenta a marca da montadora alemã na grade frontal. Algo normal em se tratando de um produto chinês. A cor é um amarelo metalizado, misturado com preto. Parece aquelas pinturas bregas que o Luciano Huck faz nos carros do quadro Lata Velha, embora a do carrinho seja mais bonita. Ele veio cheio de adesivos ridículos, os quais tratei logo de remover, no primeiro dia.
Como todo produto chinês, a qualidade não é das melhores. Pra começar, a antena não encaixava no controle remoto. Tive que desmontá-lo, e, assim, aos pedaços, encaixar a antena no buraco, fechando tudo em seguida. Outro detalhe ruim, para não dizer péssimo, é a bateria. É recarregável, mas tem só 700 mAh, que convertidos em tempo, proporciona apenas 20 minutos de diversão. Aquelas pilhas recarregáveis de câmeras digitais, por exemplo, têm 2500 mAh. Estou entre duas: ou montar uma bateria usando seis dessas pilhas (o que não sei se dará certo), ou comprar uma de 3000 mAh da Venom.
Hoje, enquanto fazia um vídeo para colocar neste texto, houve um pequeno acidente. O carrinho saltou um degrau de cerca de sete centímetros, e por causa da queda, alguma coisa estranha aconteceu nas rodas frontais. Veja o acidente:
Após o resgate, ao colocá-lo de volta à ação, notei um barulho estranho ao fazer curvas… Minha irmã também notou. Vejam:
E lá fui eu abrir o maledeto carrinho. Fiquei impressionado com a simplicidade. Ele possui LEDs nas rodas (dois em cada), além de quatro LEDs embaixo do carro, bem no meio dele – é o “neon”. Além disso, o farol acende quando acelera para frente, e as luzes traseiras, que num carro normal são as de freio, nele acendem quando se dá ré. Toda a parte elétrica do carrinho é controlada por uma única placa, que distribui fios a torto e a direito sob a carenagem.

Clique para ampliar. Tá sujo assim porque anteontem levantamos poeira na área da casa da Heri, haha!
Desmontei também a parte responsável por virar os pneus frontais. Tem um motorzinho com uma pá que fica dentro de uma espécie de leme. Quando se mexe no direcional do controle remoto, ele vira para o lado correspondente, fazendo o eixo que segura as duas rodas virar. É tudo bem simples, mas nem por isso menos interessante. Remontei tudo, e resolveu o problema. Antes, porém, fiz um vídeo do interior do carrinho:
Só faltou ver o motor responsável pela aceleração, mas nisso eu mexo outro dia… De volta à ação, finalmente fiz o vídeo e as fotos restantes. Confira-os:




Dinheiro jogado fora, coisa de criança… Não importa. É muito legal. Só faltam a bateria de maior duração, e a Heri comprar outro carrinho, para fazermos corridas emocionantes nos fins de semana, em estacionamentos vazios de supermecados.