Tenho muita coisa, muitos bens materiais. Iniciei um processo para me livrar desse excedente faz algum tempo, mas ainda estou longe de chegar no nível desejado, onde tenho apenas o que uso/preciso.
Livrar-me de bens materiais é uma de várias mudanças que venho tentando implantar na minha vida. Alguns anos atrás sonhava com uma estante cheia de livros, prateleiras recheadas de CDs, computadores diversos e poderosos, celulares modernos, eletrônicos e tantas outras tralhas que, em última análise, passam mais tempo acumulando pó do que sendo efetivamente usadas.
Se tem algo que a Internet me proporciona e a que eu agradeço pela sua existência todos os dias é a troca de ideias e filosofias que ela proporciona. Com a ajuda de muita gente boa que não consigo aqui listar, mudei (para melhor, imagino) diversas opiniões e conceitos sobre as coisas da vida. Às vezes um texto nem chega a tocar em determinado ponto, mas algum trecho, uma frase que seja, serve de estopim para a reflexão e, dessa, vem o amadurecimento.
Minha biblioteca particular está diminuindo, já não compro mais filmes, doo ou vendo a preço de custo basicamente tudo o que está parado em casa. É um ato físico que tem mais reflexos na mente do que em qualquer outro lugar. Doar faz bem; você se livra de algo que na melhor das hipótese roubava espaço na sua casa e, de quebra, ainda faz a alegria de outra pessoa.
Quero ir além, porém. E nesse processo de desprendimento, hoje tomei a decisão de atribuir uma licença Creative Commons a esse blog. Afinal, o desapego também tem vez em bens intangíveis. Defini a licença libera o uso do conteúdo publicado aqui livremente, inclusive para fins comerciais — em outras palavras, a mais permissiva.
Para quem não conhece, a Creative Commons é uma alternativa às leis de direitos autorais tradicionais. Ela resguarda a autoria e o devido crédito, mas permite que qualquer um copie, modifique e distribua o conteúdo, com ou sem direito de exploração comercial. Tais atributos são personalizáveis, de modo que alguém que, por exemplo, não queria ver a sua obra usada para fins comerciais pode incluir essa restrição na licença
Eu costumava correr atrás de quem dava Ctrl + C, Ctrl + V nos meus textos. Não são os melhores escritos do mundo, mas se alguém se deu ao trabalho de fazer a cópia, algum valor deve ter (não?). Agora, não me importa mais, mesmo. Quer copiar? Vá em frente, eu permito expressamente. Se me der o crédito, ótimo, você pegou o espírito da coisa! Se não, paciência.
E nessa vibe de desprendimento, aproveitei o embalo e removi todas as propagandas que existiam aqui. Não eram muitas, é verdade; só um banner grande, lá no topo. Mas agora, não tem mais nada. Ao entrar no blog, você verá o meu nome, grande, lá em cima, os posts e, no final, filtros de conteúdo, páginas especiais e links para os meus perfis em redes sociais. Os outros blogs dos quais sou responsável, Campo Minado e Facebook Fácil, também são “ad-free”.
Ainda há um longo caminho nessa interminável busca pelo aprimoramento pessoal. Quando digo “interminável”, acredito não ser força de expressão; de fato, sempre há o que melhorar, coisas novas para conhecer e aprender. Liberar o conteúdo do meu blog e remover os anúncios dele são gestos pequenos, mas que somados ao todo contribuem para o bem estar. Nesse caso específico, o meu e o de vocês, leitores.