Destrinchando as nove ilusões de blogueiros amadores

Cheguei até este post do blog Bigode do Gato através de um tweet da @SandrinhaArai. Nele, O Autor (como o próprio se identifica) traz desenhos e legendas de nove ilusões de blogueiros amadores.




Todas, sem exceções, já presenciei ao vivo. Quem entra nessa de blog, afora os que o fazem para si mesmos e familiares, os tais blogs pessoais, deveria ter contato com esse tipo de material para evitar tais comportamentos. São situações pelas quais a maioria passa, mas que, infelizmente, nem todos aprendem na prática.

Por si só, o material do Bigode do Gato passa o recado — com certa sutileza, mas alcança seu objetivo. Para contribuir e estender o assunto, resolvi destrinchar as ilusões apontadas. Vamos lá?

1 — Eu sou criativo e engraçado

Humor é um negócio muito subjetivo e a linha que separa algo engraçado do constrangedor e/ou ofensivo é bastante tênue. Até por isso, embora tenha meus momentos (acredite se quiser!), evito esse tom, mesmo sendo o nicho um dos que levam blogueiros novatos à fama e fortuna (sic) mais rapidamente na blogosfera brasileira.

E, muito provavelmente pela proliferação de blogs de humor que se vê por aí, tem-se a falsa sensação de que, hey, fazer um blog de humor é moleza, afinal, eu sou engraçado! Mas não é tão simples assim…

Ou melhor, é. Se seu intuito é pegar imagens engraçadinhas de blogs estrangeiros e do 4chan, vá em frente, jovem padawan. Basta saber inglês e ter alguma noção de Photoshop (Paint também serve) para traduzir os letreiros — quando existirem. Mas se a intenção é fazer algo genuinamente engraçado, como o Respeite Meus Mullets, aí a coisa aperta.

2 — Visitantes são idiotas

Os visitantes são parte importantíssima do blog como um todo. Ele é seu, sim, mas a menos que seja restrito a convidados ou a si mesmo, o público está presente e molda os rumos do local.

Ser atencioso com os leitores, participar das discussões que se desenvolvem nos comentários, responder e-mails, estar aberto à interação, são atividades que vêm juntas com o ato de publicar posts; não dá para fugir delas. Ou melhor, até dá, mas aí corre-se o risco de escrever para as paredes…

3 — Minha linguagem superdescolada é um arraso

Ainda precisa descrever essa? Bom, espero que não, mas para manter o fluxo, vamos a ela. Em termos simples: escreva de forma clara e correta. Erros aparecerão, não tenha dúvidas, mas apenas os involuntários são perdoáveis. Escrever incorretamente, salvo se para fazer alguma gracinha (#corrão e #comofas//, por exemplo), afasta pessoas normais.

Há vários dicionários gratuitos na Web para ajuda-lo na hora que pintar a dúvida sobre como se escreve muçarela. Dentre eles, o meu favorito é o Dicio. Quem conta com o Word, da Microsoft, no PC, também pode fazer uso das suas ferramentas de correção ortográfica e gramatical. O próprio editor de textos traz várias correções automáticas pré-programadas, além de permitir a publicação direta em blogs. Por fim, navegadores modernos, como Chrome e Firefox, têm corretores ortográficos nativos — não são os melhores do mundo, mas evitam erros crassos.

4 — Eu vou ficar milionário com meu blog!

Ah, o Eldorado da Internet… É verdade: dá para ganhar dinheiro com blogs. Também é verdade: é muito difícil. Outra verdade? Milionários são, parafraseando o grande Chaves, raríssississimos.

Antes de pensar nos trocados do AdSense, porém, é mais válido trabalhar para criar uma identidade na Web, mostrar serviço, tornar seu blog conhecido e bem quisto pelos mecanismos de busca. Porque, de verdade, com menos de mil visitas por dia, não dá para ter grandes pretensões financeiras. E, dependendo de vários fatores, nem mesmo uma visitação dez vezes maior que mil visitas por dia dá.

No mais, escrever por prazer tem lá seus benefícios, além de ser muito divertido e ter até um certo charme em meio a tantos blogs-outdoors. Para quem já ganha o suficiente para viver com outra profissão, para que esquentar a cabeça com monetização de blogs e perder a parte realmente boa da coisa?

5 — O blog é meu e publico quando quiser!

Sobre regularidade na publicação de novos posts. É tão certo quanto o céu é azul: cedo ou tarde, faltará inspiração para escrever. Isso acontece com todo o mundo. O problema ocorre, porém, se a ausência de ideias é regular e posts de desculpas tornam-se frequentes. Esses, aliás, são como antibióticos: se usados demais, perdem a eficácia.

Uma dica muito legal para aspirantes a blogueiros é lançar o blog em modo privado. Mantenha-o escondido por um mês, atualizando-o regularmente, como se ele fosse público. Se ao final desse período de quarentena a motivação for a mesma e as ideias continuarem fluindo, há boas chances do blog se sustentar (falando subjetivamente). Essas e outras dicas para evitar a “morte” de um blog neste artigo do Blogging Pro (em inglês).

6 — Parceria é uma obrigação de todo blogueiro

Sinceramente, essa é uma das maiores aporrinhações pelas quais alguém, após conseguir algumas centenas de leitores, passa. Na pré-história da Internet, quando os buscadores eram, na realidade, diretórios de links, a troca de banners fazia algum sentido. Sem Google e afins para gerar tráfego, espalhar sua “marca” em outros locais atraía novos visitantes. Hoje? Hm…

Se nem os buscadores aprovam tal tática, inclusive punindo domínios que a utilizam indiscriminadamente, o que dizer dos leitores? Blogroll, o nome daquela listinha de blogs que a maioria ostenta geralmente na barra lateral, é orgânico. Isso quer dizer que o blogueiro em questão cria a lista com os blogs que acompanha e gosta. Pedir um link ali é uma atitude indiscreta e chata, e a menos que o outro blogueiro esteja nessa mesma vibe, a resposta ao pedido será um “não”.

Sobre o tema, o André “Marmota” Rosa escreveu um texto definitivo. Detalhe: publicado em junho de 2006, republicado em maio de 2007, e ainda hoje, super atual.

7 — Blogar é fácil

O único item da lista do qual eu discordo. “Blogar” (não gosto desse “verbo” ) é fácil, sim. Ferramentas como posterous e Tumblr, e o aperfeiçoamento de veteranas, como WordPress e Blogger, focam nisso, na facilitação do processo. Hoje, preenche-se um formulário, dá-se um nome ao blog, e… pronto, basta escrever. Qual a dificuldade aí?

Isso traz efeitos colaterais, como o aumento exponencial de blogs com conteúdo visivelmente ruim e/ou, o que é pior, plagiado. Por outro lado, dá a pessoas sem conhecimentos técnicos em programação a chance de se expressarem. Por essa possibilidade, quaisquer reveses são torleráveis.

8 — Comentários são outdoors gratuitos e funcionais

Comentar em outros blogs é apontado como uma atitude positiva no que tange a tornar-se mais conhecido e, de quebra, fazer aquele jabá natural do blog. Mais ainda, é o pontapé inicial para que boas relações entre blogueiros se estabeleçam.

O problema aponta quando o comentário em si é subvertido em propaganda gratuita. Escrever algo relacionado ao assunto do post, assinando com o endereço do blog, é uma coisa; mandar o clássico “gostei, comenta no meu” e só, é um saco. Tão ruim ou pior do que pedir “parceria”.

9 — Blogar é igual copiar e colar!

Essa é triste, e imagino que não tenha sido deixada por última por acaso. É realmente frustrante encontrar um texto seu, trabalhoso e redigido com esmero, em outro blog, sem crédito, nem link para o post original. É a mesma sensação de ser roubado.

O tema é polêmico, e sempre que ocorre, o alerta vermelho é acionado. Na sequência, vem a dúvida: o que fazer? Compartilho convosco meu “modus operandi”.

Antigamente, dava uma de algoz do plágio e ia atrás de cada infeliz “oi-montei-meu-blog-ontem” que plagiava meus textos. Dava um trabalhão, às vezes surtia resultado, com o reconhecimento e posterior remoção do conteúdo copiado, outras, não. Com o tempo, vi que essa técnica apenas adiantava um processo natural. Blogs que nascem às custas de outros não se sustentam. É questão de semanas, meses no máximo, para que o espertão plagiador perca o interesse pela brincadeira nova e, hey, “este blog não existe mais”.

Assim, parei de correr atrás dos pequenos. Mas com os peixões, sites grandes e bem visitados que continuam se sustentando na cópia descarada de conteúdo alheio, ah, esses não dá para deixar de lado. Cada caso é um caso, mas se vejo um AdSense na página e não vejo a referência ao post original, aí tomo minhas providências…

Mais alguma coisa?

Acrescentaria à lista cuidados para não incorrer em crimes contra a honra, algo bastante em voga no Brasil, em grande parte devido à mentalidade do tamanho de um grão de arroz dos “ofendidos” somada à sede de sangue dos seus “adevogados”, e também cuidados com a privacidade, afinal, fotos de família e informações pessoais tornam-se um risco ao serem expostas publicamente na Internet.

De resto, crie um blog. É um conselho que dou a todos, sem exceção. Público ou particular, crie o hábito de escrever, de pôr para fora opiniões, curiosidades e coisas legais que você vivencia ou vê por aí. É uma experiência sem igual.

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9 respostas a Destrinchando as nove ilusões de blogueiros amadores

  1. caioalexandre disse:

    Ótima essa arte. Não precisava nem explicar o que significava cada uma, elas por si só já se explicavam. Eu realmente já presenciei esse fato do plágio e logo em seguida o abandono do tal bloguinho-lançado-ontem. É pura verdade.Dá uma passada lá no meu blog também. Brinks.

  2. Raul disse:

    Puxa, você escreve bem. ;DEu gosto muito de escrever histórias, é como se eu moldasse um mundo e fizesse com que as pessoas que fossem ler vivenciassem isso, mas tenho medo de publicá-las pelo plágio e também pelas críticas; já tive um blog mas me arrependi de ter criado o mesmo, não soube lidar com críticas e xingamentos, sem fundamentos ainda por cima, e sei lá…Boa sorte! Gostei também do Posterous.

  3. Daniel Santos disse:

    Concordo com cada um dos pontos que foram explicados por você, Ghedin. Analisando minha própria casa, fico feliz por me considerar alguém que está em paz com o que escreve, que procura usar linguagem correta, e que, sobretudo, sabe bem que não ficará milionário escrevendo posts — neste último caso, prefiro escrever algumas dicas mais para mim mesmo, na esperança de que sejam úteis para outras pessoas.Acho, no entanto, que peco no quesito “participação”: Embora eu costume responder os comentários feitos em meu próprio blog, acabo deixando de escrever comentários em bons textos, como este seu, e eu preciso me policiar para que isso ocorra menos…Abração!

  4. Marcio Melo disse:

    Excelente texto, como de costume, Ghedin. Parabéns.

  5. José Guilherme Wasner Machado disse:

    Ótimo post! Como blogueiro amador, só posso assinar embaixo. Manter um blog de qualidade – pelo menos no que eu percebo por “qualidade” (outros podem achar uma m***a, fazer o quê?) – dá trabalho e demanda tempo. Exige carinho, esforço e abnegação. Mas dá muito prazer também, se você gosta de escrever e de manifestar a sua opinião. O objetivo não deveria ser ganhar dinheiro, se tornar “famoso”, etc, etc, etc. Isso é dificílimo e, sinceramente, pode trazer muito mais dores de cabeça e dissabores do que benefícios palpáveis. Quem já teve que lidar com trolls e bullies sabe bem como é. Enfim, tenha um blog por idealismo e hobby, ou não tenha. Simples assim.

  6. Raul disse:

    Quem já teve que lidar com trolls e bullies sabe bem como é.Exatamente José. \:

  7. Ganhar Dinheiro disse:

    Pior que é verdade, eu conheço muita gente que acredita nessas coisas, principalmente que vai ficar rico com um blog tosco e sem criatividade nenhuma.

  8. Entretendo disse:

    Muito bom o texto, só não consegui usar o botão de retweet, abs.

  9. Vanessa Lampert disse:

    Eu cansei de blogs por um longo período, problemas pessoais, de saúde, etc. Levava os blogs de uma maneira mega amadora, mas de um tempo para cá me bateu a vontade de retomar com uma certa disciplina minhas incursões por este meio. Fiz meu primeiro blog em 2002, há oito anos!!! Mas nunca me dediquei de maneira séria, eu nem sei como tinha leitores. Mas os blogs me trouxeram grandes amigos, muitas informações e até um namorado, que depois virou marido (e estamos juntos há seis anos!)Gostei muito desse post, pelo visto a tal “blogosfera” não mudou tanto assim nesse período. No meu tempo (nossa, pareço uma velhinha falando) tinha os “blogs fofos” com letrinhas coloridas, gifs animados piscantes e textos ixcritus axim. Acho que isso perdeu a força, não é? Espero que sim.Grande abraço!