O mito da produtividade móvel

Em qualquer blog de tecnologia atual, notícias, comentários e análises de smartphones são itens bastante populares, tanto em volume, quanto em percepção dos leitores. O fluxo intenso de novidades que Apple, Google, Microsoft, RIM e outras fabricantes impõem é assustador. Literalmente dezenas de novos modelos são lançados todos os anos, criando “necessidades”, incentivando o consumo desenfreado.

Em meio a essa agonizante overdose de mobilidade, a sensação que se tem é de que o mundo está convergindo para esses aparelhinhos, que de repente os computadores convencionais estão ultrapassados e que devemos repensar a computação pessoal tendo como norte os dispositivos móveis. Será?

Questiono muito isso porque eu não consigo tirar vantagem de toda essa mobilidade, e não vejo no que exatamente um smartphone parrudo pode ajudar na produtividade dum profissional — com exceção, claro, dos que trabalham na rua, sem um local fixo e/ou andando pra lá e pra cá.

Meu celular, um smartphone de 2008, é usado precipuamente para falar e trocar mensagens, e vez ou outra apelo para o Tetris e Twitter/Facebook como passatempo. Tive uma experiência malfadada com um Android, e embora reconheça e fique fascinado com smartphones modernos, se comprasse um novo hoje seria por mero capricho, já que o impacto que ele teria no meu worflow beiraria o nulo.

Sou um caso atípico? Talvez. Mas não sou o único que vê um excesso de atenção ao smartphone enquanto ferramenta de produtividade. Darrell Etherington, do GigaOM, publicou um artigo que segue essa mesma linha de raciocínio, e mais, cita dados estatísticos que derrubam a teoria de que o forte da computação móvel a produtividade.

60% dos aplicativos baixados em smartphones são jogos. Os de produtividade respondem por 26%. Quem garante que esses 26% de aplicativos de produtividade baixados são efetivamente usados? O relatório da Pew Internet, fonte desses e outros dados citados na sequência, abordou isso também:

Yet having apps and using apps are not synonymous. Of those who have apps on their phones, only about two-thirds of this group (68%) actually use that software.

Não consigo me imaginar digitando um texto como esse num smartphone, ainda que tenha teclado físico. A velocidade de digitação não é a mesma, não posso consultar fontes com a mesma agilidade com que faço no PC, a tela é minúscula… Enfim, são muitos entraves, que não se justifica enfrentar a menos que a necessidade exija.

Além de não ajudar, quanto mais chamarizes um smartphone apresenta, mais presente ele se torna na vida da pessoa (o que, vale ressaltar, não significa que ele esteja sendo útil ou mesmo benéfico). Tem coisa mais deprimente do que, em pleno churrasco, ou em qualquer outro momento de lazer, ver alguém isolado matando porcos no Angry Birds ou tuitando como “o churrasco está chato”?

http://www.youtube.com/watch?v=EHlN21ebeak

É por essas e outras que, embora eu me sinta tentado ao ver N8, iPhone 4 e Nexus S serem anunciados, comentados e destrinchados por sites especializados, mantenho-me firme no bom e velho N82. Afinal, para meu uso ele sobra — e de quebra ainda tenho uma excelente câmera para a atividade que, segundo a mesma pesquisa da Pew Internet, é a mais comum nos telefones celulares: tirar fotos.

7 thoughts on “O mito da produtividade móvel

  1. Concordo totalmente em todos os aspectos citados em seu texto. É impossível viver em um mundo móvel, o conhecimento de buscar no mesmo instante é ofuscado pelas redes sociais. Veja um exemplo que ocorre comigo e com muitos outros: o Reeder, o melhor app de feeds RSS para o iOS, é inviável a leitura numa tela menos de 4 polegadas (iPhone e iPod touch). No iPad rola, e lhe dá uma experiência maravilhosa, porém o tempo gasto nesta tarefa torna-se bem maior, sendo que ler num PC diretamente pelo Google Reader é mais ágil.

    • Engraçado você citar um app de feeds, porque essa é uma das poucas aplicações que considero interessante para uso em movimento. Não ler tudo, mas para fazer filtragem do que interessa ou não, trabalho chato que costumo fazer no PC mas que, dada a facilidade, pode muito bem ser realizado num dispositivo móvel.

      []’s!

      • Aí no caso tem que ser, no máximo, posts curtos. Essas tosqueiras são mais divertidas, por assim dizer, de serem vistas com mais calma num app de feeds. Posts de tecnologia e blogs, como o seu (!), prefiro dar a devida atenção numa tela maior e “formalmente”. Tirinhas e o 9GAG são fluentes mim no móvel.

        []’s!

    • Tablets me parecem excelentes para entretenimento, mas como ferramenta de produtividade, ainda tenho minhas ressalvas. Como não experimentei um ainda, não posso comentar muito a respeito :-)

      []’s!

  2. Olha ,Rodrigo,o iphone e os androids(que eu gosto muito),têm aplicativos que facilitam o dia a dia de pessoas que viajam,como o GPS ,google maps ,locais.e outra app que eu gosto é a que me dá a situação do meu vôo.Em cidades estranhas os smartphones ajudam e bastante.
    Responder emails ,assim como mandar documentos são também tarefas que até o seu combalido symbian faz.

  3. Você esta correto, a maioria compra smartphones para no final das contas ficar testando aplicativos bobos. Eu já pensei centenas de vezes em comprar um mas nunca achei um real motivo para tal compra. Por mero capricho eu prefiro deixar o valor de um smartphone top de linha para outras coisas.

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