Blog do Rodrigo Ghedin

O que o Tumblr tem?

Eu no Tumblr.

Eu no Tumblr.

Estou com algumas dificuldades para atualizar este blog. De repente, parece que todos os assuntos são chatos e irrelevantes, minha capacidade de desenvolver textos desceu ralo abaixo, e a coisa simplesmente… não flui.

Contrapondo essa situação despesperadora para quem escreve (e quem nunca passou por ela?), tem um Tumblr na aba ao lado me tentando. Imagine um blog simplificado, com suporte sólido a quaisquer tipos de conteúdo (vídeo, sons, bate-papo, etc.), e que preza a simplicidade, tanto da forma, quanto do conteúdo. Esse é o Tumblr.

Já pensei, e ainda penso, em substituir esse blog com cara de cansado pelo Tumblr que criei e, até hoje, mais me fascina do que é utilizado. Em parte graças à própria existência deste blog, e também pela insegurança de dividir meus pensamentos, ideias e impressões, que já não são muitos, em dois lugares. De qualquer maneira, o Tumblr exerce um fascínio interessante, e talvez a (falta de) regra em sua utilização, no bom sentido, seja a culpada.

Há quem use o Tumblr como um blog convencional, mas isso está longe de ser padrão. O mais comum são moleskines virtuais, com anotações, imagens e vídeos desconexos, que juntos, e na forma com que são expostos, tornam-se irresistíveis. Tanto de ler, quanto de ter um igual.

Soa meio infantil, como a criança que vê o brinquedo do outro amigo e bate o pé por um igual. E também remete àquele velho ditado, “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Talvez. Mas o Tumblr tem isso, e qualquer coisa que possua esse poder chama minha atenção – mesmo que ela evapore dali a alguns dias.

O Tumblr é um serviço de tumblelogs, mais uma das infinitas variações de blogs. Segundo a Wikipedia, um tumblelog é:

Uma variação do blog que preza por posts curtos, com vários tipos de mídia misturados através de posts editoriais frequentemente associados ao blogging (“blogar”). Os tipos mais comuns de formatos de posts encontrados em tumblelogs incluem links, fotos, citações, diálogos e vídeos. Diferentemente de blogs, tumblelogs são geralmente usados para compartilhar criações do seu autor, descobertas ou experiências, com poucos ou totalmente sem comentários.

Exemplo prático. Estou usando o computador numa mesa temporária e que está uma nhaca. Lendo o Lifehacker, vi esse projeto de mesa DIY super legal. Comecei um texto aqui no blog falando da minha atual situação em relação ao computador, do que planejo fazer para mudá-la, e citei, nas entrelinhas, a tal mesa-faça-você-mesmo. No fundo, eu queria só compartilhar o texto sobre como fazer a mesa. Quase seis parágrafos de muita abobrinha depois, reli tudo e… bah, que grande bosta. Apaguei e publiquei esta notinha no Tumblr. Mais simples e satisfatório, não?

É verdade que, com o que o WordPress oferece, dá para fazer algo, se não igual, muito próximo do que o Tumblr e outros serviços de tumblelog oferecem. Talvez o problema seja psicológico. Explico. Pelo histórico que mantenho aqui, meio que associei meu blog pessoal a textos longos e mais detalhados. Me parece um desperdício publicar uma nota como essa. É curta, simples. O editor do WordPress não tem limitação de espaço, como uma folha de caderno, mas me obrigo a encher uma quantidade mínima de “folhas” quando abro o editor daqui. O tema atual (Basic), que considero muito bonito, aliás, é, por outro lado, pomposo. No fim das contas, ele casa perfeitamente com a visão que criei desse blog: algo grande, que pede textos grandes e/ou complexos. Em suma, limitei as possibilidades.

E por fim, mas não menos importante, temos a áurea em torno do Tumblr, criada e fomentada pelos desenvolvedores. Dois pontos-chave contribuem para ela: a comunidade acerca, e a simplicidade da ferramenta. O fomento da comunidade é feito através de coisas como seguidores (a la Twitter), reblog, favoritos e, o recurso mais recente, Tumblarity, uma página de estatísticas super completa associada a um ranking de popularidade. Já a simplicidade exala das páginas do Tumblr. Até a ajuda é simples, tanto que nem parece ajuda padrão de programas/sites, coisa que, geralmente, associo a textos prolixos e demasiadamente técnicos. Quer ver? Aqui está a ajuda para publicação via e-mail do Tumblr. E aqui, a mesma coisa, só que para WordPress – e olhe que WordPress é uma das coisas mais user-friendly que conheço. Sentiu a diferença?

O Tumblr tem um quê especial. Algo familiar, aconchegante, convidativo. Sua mecânica faz com que qualquer um pense “ah, isso eu consigo manter”, e sua beleza estética e fundada no minimalismo desperta um interesse quase instintivo na maiora das pessoas que o descobrem, seja por recomendação, seja ao acaso.

Claro que ele não se aplica a tudo. Esse texto que você está lendo, por exemplo, não cairia bem num tumblelog. Lembre-se da definição: “(…) baseado em posts curtos”. Pensando bem, acho que há espaço para um tumblelog e um blog em minha monótona vida. Só espere mais atualizações do que aqui, por motivos óbvios.