Blog do Rodrigo Ghedin

Os miseráveis, de Victor Hugo

Fiquei decepcionado quando descobri que a edição de Os Miseráveis que estava a ler era um mero resumo. Já suspeitava, ante a finura do volume e o baixo requinte do texto, mas mesmo assim, houve um choque quando fiz a descoberta. Esta obra, de Victor Hugo, narra a trajetória de um ex-presidiário, que de ladrão rancoroso com tudo e com todos, se transforma na benevolência em pessoa.

Os Miseráveis.

Isso é um resumo...

Esta adaptação, escrita pelo famoso dramaturgo Walcyr Carrasco, é notavelmente simplória. O livreto faz parte de um programa do governo paranaense, o Literatura em minha casa, que distribui livros gratuitamente a alunos da rede pública de ensino. Acho que foi minha irmã mais nova, a Ana Paula, que recebeu este. Apesar dos pesares, e de eu achar, embora nunca tenha visto a versão original, que a adaptação recém lida é relativamente fraca, a história é interessante. Os fatos se desenrolam por alguns anos, e são desencadeados com a liberdade de Jean Valjean, um ex-forçado das galés, solto depois de cumprir uma pena de dezenove anos. Ele tem sua vida mudada após furtar o bispo Monsenhor Benvindo, enquanto se abrigava na casa deste, quando todos os outros moradores da cidade em que estava se recusaram a hospedá-lo. O gesto do bispo, de acobertá-lo quando policiais o capturaram, o fez mudar. Dali em diante, Valjean somente o bem fez. Tornou-se rico, honestamente e sob um pseudônimo, mas alguns eventos fizeram com que ele precisasse fugir, se esconder. Neste meio tempo, conheceu Fantine, uma jovem meretriz, cuja filha fora deixada aos cuidados dos canastrões Thénardier. Jean e Cosette, a filha de Fantine, se encontram, e agora eu vou para de contar a história, para que ninguém fique com raiva de mim por eu estragar a surpresa dos que ainda não leram.

Há um forte apelo religioso no livro, e apesar deste não ser laico, é, independente de crenças, uma bela lição de doação e amor ao próximo. Mesmo quando todas as evidências apontavam para uma cilada, Jean não relutava e ajudava mal-feitores, ainda que estes viessem a lhe colocar em apuros posteriormente. Claro que, hoje em dia, seria pedir muito para qualquer pessoa ser conivente para com quem lhe ameace; porém, esta verdade não tira o brilho e o exemplo mostrado no livro: ser bom, mesmo quando isso cria problemas que não existiriam se o ato benéfico não fosse realizado.

Não há muito o que dizer, pois, não bastasse ser uma adaptação (resumo), o livro é curtíssimo… o li por inteiro em pouco menos de duas horas, de uma vez só. Confesso que me instigou a procurar a obra original, e também outros romances do autor, como O concunda de Notre-Dame, Os trabalhadores do mar, e O último dia de um condenado.

Enfim, uma edição meia-boca, uma iniciativa exemplar. Palmas para o governo!

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Os Miseráveis, de Victor Hugo.
Os Miseráveis, de Victor Hugo