Ontem a Microsoft liberou a nova versão do Windows Live SkyDrive, em HTML5, com CSS3, transições bacanas, novo layout, tudo muito bom. Naturalmente, um grande lançamento do tipo chamou a atenção da mídia e especializada e, assim, tivemos posts em vários blogs nacionais — WinAjuda, Gizmodo, Tecnoblog.
Em dois desses três (aqueles onde eu não escrevo ;-) ) apareceu a famigerada alcunha “o Dropbox da Microsoft” para se referir ao SkyDrive. A imprecisa alcunha, devo dizer. E tal erro não é exclusividade deles; digite a frase no Google e veja o festival de citações.
Em texto plano e direto: o SkyDrive não compete, nem se parece com o Dropbox.
De maneira mais detalhada, é preciso ver o que cada serviço oferece e, então, compará-los. O Dropbox se baseia em dois pilares: armazenamento na nuvem e sincronia entre dispositivos. O SkyDrive compartilha apenas um deles, o armazenamento na nuvem.
Traçando uma analogia, seria o mesmo que dizer que o DVD Player da Britânia é “o Xbox 360 da Britânia” só porque ele também reproduz filmes. Falta, porém, o outro elemento (importante) que caracteriza o Xbox, ser um vídeo game.
Para ficar mais claro:

Note a ausência de um item no SkyDrive. E note que, a seu lado, está o Windows Live Mesh. Se for para comparar o Dropbox a alguma da Microsoft, comparem-no ao Windows Live Mesh, ora! Aí sim os recursos se equivalem e dá para colocá-los como competidores.
Alguns ainda podem argumentar que Mesh é a mesma coisa que SkyDrive. Novo equívoco. O Windows Live Mesh tem espaço (5 GB) à parte na nuvem, (infelizmente) não compartilha dos 25 GB do SkyDrive. Quer ver? Abra o seu SkyDrive e clique no link “Exibir pastas sincronizadas”, no topo:

Espaço do Windows Live Mesh é apartado do do SkyDrive.
“Ah, mas o acesso é via SkyDrive”. Também. Você pode acessar o mesmo link pelo devices.live.com, endereço para o qual mesh.live.com é redirecionado.
O problema real é que a Microsoft chama de “Windows Live Mesh” apenas o cliente instalável na máquina (Windows ou OS X) quando deveria estender esse título para a porção online, acessível via SkyDrive. Afinal, não há relação alguma entre os dois. A minha esperança (e a de muitos) é que isso tenha um fundamento, que no futuro Mesh e SkyDrive se fundam e as barreiras que separam não só um do outro, mas a nuvem do desktop, caiam. Aí sim será uma coisa linda, com a mesma filosofia do iCloud, da Apple, mas melhor arquitetada. Em outras palavras, a Microsoft tem a faca e o queijo na mão (e faz tempo) para fazer acontecer em relação a armazenamento na nuvem.
Mas enquanto isso, por favor: pare de chamar o SkyDrive de “o Dropbox da Microsoft”. Essa declaração é mais ou menos como chamar o Galaxy S de “o iPhone da Samsung”. Viu como machuca os ouvidos/olhos?