O novo tema do meu blog tem despertado reações negativas de amigos e leitores. Uns o classificam como “sem graça”, outros “sem cor” (com esse eu concordo) e tem quem tenha dito que ficou “mais complicado”. E ainda tem a questão dos comentários, ou melhor, da falta deles.
A soma dessas reclamações valem um segundo post sobre o tema — já expliquei, superficialmente, tudo isso no primeiro.
Dê uma olhada para cima, ali na barra de endereços do navegador. Nela lê-se “rodrigoghedin.com.br/blog”. Isto aqui é o meu espaço na grande e concorrida web e, como tal, sempre tento deixá-lo agradável para mim, pois encaro este blog como minha extensão virtual. Ao longo desses quase sete anos o visual mudou muito, diversas vezes, sempre em busca dessa identificação. No momento, estou satisfeitíssimo com esse. É simples, minimalista, direto, como eu mesmo, Rodrigo Ghedin de carne e osso, tento ser.
A escolha pelo minimalismo tem uma série de motivações secundárias e, mesmo não entendendo lá muito de design, decisões que na minha cabeça fazem sentido. O formato “um post por página” e a falta de elementos que distraiam o leitor têm por objetivo destacar o que mais importa aqui: as palavras, o texto. O layout atual pode ser feio (não acho), sem vida (não acho), mas uma coisa é inegável: ele é acessível. Preto no branco, fonte serifada, ultra rápido para carregar, fácil de ler, de digerir. Minha meta era remover quaisquer obstáculos que dificultassem a leitura do texto, do único texto que estiver sendo exibido. Acho que isso foi alcançado.
Por baixo dos panos há mais complexidade do que a casca aparenta, o que me remete a diversos comentários no sentido de que as coisas mais simples são por vezes as mais difíceis de fazer — no penúltimo Gemcast, por exemplo, a Erika falou algo do tipo. São detalhes que passam batidos pela maioria, mas que contam pontos na experiência do leitor:
- Ao acessar o blog, você cai na página inicial que exibe, em vez de a si mesmo, o último post publicado no mesmo formato do seu link direto (aos interessados, aqui tem a receita de bolo);
- Na pesquisa e nos arquivos (que têm uma página dedicada), as páginas mudam e mostram cinco posts resumidos em cada;
- No rodapé, fiz o menu de navegação dinâmico usando o recurso do próprio WordPress. Foi mais pensando na distribuição do tema, mas é uma mão na roda no fim das contas até para mim.
Outro comentário comum relativo ao minimalismo em web design é coisa de preguiçoso. Nem sempre.
Enfim, tl;dr, fiz esse tema porque:
- É a minha cara, ou como eu imagino/gostaria de ser “visto”; e
- É acessível, fácil de ler.
E tem a questão dos comentários…
Removi o espaço para comentários nessa reformulação. Comecei a pensar nisso no fim do ano, quando um post do Matt Gemmel desencadeou um enorme debate sobre a validade dos comentários. Não sou tão radical, acho que há situações, há sites onde o espaço para comentários é imprescindível e agrega muito ao espaço como um todo — o próprio Gemind é um. A minha motivação para restringir isso aqui, aliás, difere das do Matt.
Aqui eu me exponho bastante. Publico várias bobagens, mas vez ou outra coisas que traduzem parcialmente quem eu sou. Em qualquer dos casos, eu quero que você, leitor regular ou não, conhecido ou desconhecido, leia o que eu tenho a dizer sem se deixar contaminar por opiniões dos outros, dos comentaristas. Aqui, quero que meus textos tenham atenção exclusiva. Quero passar a minha mensagem de forma pura, inclusive para que a sua interpretação também não sofra interferências. É um pouco egoísta, sim, mas lembre-se: você está no rodrigoghedin.com.br, não no rodrigoghedineamigos.com.br.
A discussão não morre, embora reconheça que ela fique mais restrita. Todo texto publicado aqui é divulgado no Twitter e Facebook, o formulário de contato está sempre à disposição e, hey, você pode escrever o que acha em seu próprio blog e fazer uma referência para cá — eu verei e lerei, pode apostar. Se o número de interações diminui, a intensidade e a qualidade das conversas aumentam por outro lado, com o extra de manter o texto original livre de pitacos. Sem contar que, no geral, os comentaristas mais assíduos e os com quem mais me importo têm algum contato comigo em redes sociais. A interação continua, só que em outro lugar.
Imagino a frustração de uns poucos que chegam aqui e se deparam com um visual “feio” ou com a ausência de uma caixa de comentários, mas esses são os meus termos. Alguns dos meus blogs favoritos não têm espaço para comentários e, na boa, não faz falta alguma exatamente pela natureza desses blogs. Não é como se todo espaço para comentários devesse ser eliminado da web; longe disso. Mas há casos e casos. Um praticamente unânime: portais. Acredito que ninguém sentiria falta dos comentários publicados no UOL, G1, iG e outros. Expandindo essa percepção, vê-se que há outros locais e formatos nos quais a opinião do leitor não agrega ou acaba interferindo no conteúdo principal. O meu blog, um deles.
Se formos levar o debate para um âmbito mais profundo, devo lembrá-lo que o conceito de blog, o original, do século passado, descreve uma página com links comentados para outros sites. Se ainda vigente, ele faria do Delicious e do Pinboard as verdadeiras plataformas para blogs. Tudo evolui e o formato blog é incrível porque permite muita experimentação, por não ter regras, por ser livre. Eu abraço essas possibilidades irrestritamente.