Arquivos da categoria 'Arquivos secretos'

Eu queria

Publicado originalmente em 20 de março de 2005.

Meu texto favorito da fase antiga. Nele, consegui resumir, de forma bem bacana (e dá licença, modéstia), meus maiores sonhos naquele momento. Ainda hoje lembro a leveza sentida logo após publicá-lo, sensação esta que, dias depois, foi potencializada em virtude dos poucos, mas ótimos comentários recebidos. Alguns desses sonhos eu já consegui realizar, outros foram retirados da minha wish list particular, uns poucos continuam… O que importa mesmo é que este texto, que você lerão a seguir, foi marcante nessa fase de “blogger anônimo”.

Eu queria pegar o carro e sair por aí, sem rumo, sem destino. Seria uma aventura e tanto, parar de cidade em cidade, sem pressa, conhecendo gente nova, lugares bonitos, tendo contatos culturais realmente interessantes. Haveria vários empecilhos, como falta de dinheiro, cansaço, e por aí vai. Mas pra tudo dá-se um jeito, e creio que neste caso não seria diferente. Um fim? Quando eu me acidentasse, ou a grana ficasse realmente escassa, sendo impossível continuar.

Eu queria tirar meu sustento da coisa que mais gosto: a Internet. Ver um trabalho no qual me dedico com extrema metódica ser recompensado de forma financeira. Isso traria mais empolgação ainda para continuar este trabalho semi voluntário, e abriria novas possibilidades, novos projetos, novas perspectivas. As pessoas à minha volta não poderiam mais jogar na minha cara que passo tardes e tardes no computador sem fazer nada. Mal sabem elas o tanto que me dedico a isso. Mesmo sem receber nada além de agradecimentos em troca.

Eu queria finalmente descobrir qual a minha vocação. Tirar este peso da consciência de estar fazendo algo que não tenho certeza ser o que eu realmente quero. Neste novo curso, poderia encarná-lo de tal maneira que teria prazer em estudar. Teria um futuro a perseguir, algo no que me apoiar quando tudo parecesse difícil e complicado, quando as portas se fechassem, quando desse vontade de mandar tudo para o inferno. Além de, claro, não ter que acordar todo dia com essa incerteza desgraçada.

Eu queria ver as pessoas de outra forma. Ultimamente, salvas raras exceções, as tenho como animais; paro para analisar seus comportamentos friamente, e sempre chego à conclusão de que pouca coisa difere o ser humano de um cavalo, ou um cão, ou qualquer outro bicho idiota. Alguns neurônios a mais, somente. E é justamente este detalhe que abre brechas para que certas pessoas cometam atrocidades absolutamente desumanas, só fazendo aumentar meu desprezo pelos semelhantes. Prefiro manter poucos, mas valorosos amigos, do que ter uma infinidade de gente nojenta e pútrida ao meu redor. E estou bem assim, obrigado.

Eu queria montar um café estilizado. Teria uma temática retrô, tipo anos 60. Já tenho até o nome em mente: “Oldies”. Tocaria só música antiga, teria alguns PCs num canto, comidas leves, bebidas, nada de cigarros, e teria um limite máximo de pessoas no recinto. Seria um lugar agradabilíssimo.

Eu queria ser mais otimista. Que quando eu dissesse “amanhã vou começar a fazer as coisas mais bem disposto”, eu realmente fizesse, que não ficasse só na promessa. Queria ter ânimo para encarar as adversidades de frente, sem pestanejar nem deixar aquela maldita preguiça chegar perto do meu ser.

Eu queria… Eu queria… Eu queria…

Será que consigo?

[tags]Desejos, Wish list, Motivação, Vocação, Internet[/tags]

O último dos apaixonados

Publicado originalmente em 17 de fevereiro de 2005.

Texto bem simpático, escrito numa época onde eu estava bem recluso, sem namorada, ficante ou qualquer coisa do gênero.

Durante minha adolescência, quando meu pai me levava de carro à escola todo dia de manhã, sofria com seu gosto musical. Entre Tião Carreiro & Pardinho, Milionário & José Rico, Tonico & Tinoco, e outras pérolas brega-sertanejas (nada contra quem goste), tinha um maldito CD do Zezé di Camargo & Luciano. Não sei se ele percebeu que eu odiava aquela desgraça, ou se porque ele gostava mesmo, mas a droga do CD foi o “oficial” do carro durante uns três meses. Sem ofensas pessoais, mas se tem duas coisas que os Camargo não sabem fazer é compor e cantar. As músicas são idênticas, só mudam as letras, que ainda assim sempre tem o mesmo apelo: servir de consolo para cornos desolados. Isso sem falar da voz extremamente irritante do Zezé. Entretanto, tinha uma música cuja a letra me chamava a atenção. O nome dela é “O Último dos Apaixonados”. Ainda lembro do refrão, era mais ou menos assim (ô vergonha…):

Eu sou um dos últimos / dos apaixonados / do tipo que ainda faz serenata a um graaaaaaaaaande amor.
Se o romantismo / ficou no passado / posso ser careta, ser antiquado, ser o que fooooor.

A letra dela é boa, acreditem! Meio piegas, como todo sertanejo é, mas além de original, trata de um tema em decadência atualmente, o romantismo, o que eu particularmente acho um ultraje!

Eu adoro o romantismo, gosto de tratar bem uma pessoa que gosto, de fazer surpresas, enfim, de “ser antiquado”, como diria o filósofo chifrudo Zezé di Camargo. Qual o mal que há nisso? Muitos podem dizer que, dessa forma, a mulher se aproveita, faz do cara gato e sapato; ledo equívoco, são coisas completamente diferentes. Ser romântico não é fazer todas as vontades da mulher, pelo contrário, é dizer “não” às vezes. Agir com respeito, demonstrando apreço e carinho, dar liberdade à ela, e ela a ele, enfim, essas e outras coisas também caracterizam um casal romântico. É difícil manter um relacionamento, é verdade, mas se as duas partes estiverem cientes de tudo isso, torna-se algo muitíssimo benéfico, revigorando até o mais infeliz dos seres humanos.

Na teoria é tudo maravilhoso, mas e na prática? Talvez seja pelo pouco contato que tenho com outras pessoas, mas com base no meu limitado convívio social, sinto que nem mesmo as mulheres gostam disso. Preferem o malandro ao romântico. Dá pra entender!? Dia desses, vindo da faculdade, surgiu esse papo na van (é, sou pobre, vou de van pra faculdade…). Como lá a maioria é mulher – graças a Deus -, tive que defender a classe sozinho. Todas foram unânimes: homem é tudo igual, só muda o endereço. Será mesmo? Ou seria culpa delas, que tomando por exemplo uns poucos homens, formaram uma opinião generalizada sobre o assunto, repelindo os bons homens? O meu palpite é que seja isso.

Apesar dos pesares, as perdoô (que prepotência, não?). E só faço isso por um motivo: eu amo as mulheres!

[tags]Mulheres, Zezé di Camargo, Romantismo, Sertanejo, Amor, Namoro[/tags]

Vamos trabalhar!

Publicado originalmente em 5 de janeiro de 2005.

Estava meio irritado com tudo e com todos nessa época. Fazia pouco menos de um mês que tinha sido despedido do escritório, ainda não tinha renda proveniente da Internet, minha insegurança para com o curso de Direito atingia seu nível mais alto desde sempre. Enfim, estava meio receoso em relação ao futuro.

Estava navegando em um fórum de adolescentes dia desses, e um dos tópicos me chamou a atenção. O assunto era qual a faculdade que eles pretendiam cursar. 95% disseram que pretendem cursar algo relacionado à informática, pois é o que eles gostam, blablablá… Pobres coitados. Informática não é a profissão do futuro. Quem pensa em fazer fortuna mantendo um host de fundo de quintal, ou então “desenhando” páginas, está viajando. Enfim, não é sobre isso que vou escrever, apenas citei o caso acima para exemplificar o verdadeiro assunto deste post: trabalhar no que se gosta.

Li certa vez, infelizmente não me lembro onde, que é um terrível engano as pessoas pensarem que se realizarão profissionalmente quando fizerem o que gostam. Segundo este mesmo artigo, o caminho é inverso: temos que gostar do que fazemos, almejar a excelência no trabalho, independente do que seja, se gostamos ou não, se o patrão é chato ou legal. No futuro, este comportamento renderá bons frutos. Por quê? É simples, lógico. Destacando-se na sua função, as chances de uma promoção aumentam consideravelmente; sendo mais produtivo, seu chefe ficará mais satisfeito, fato que se converte em mais regalias a você, podendo transformar-se até num aumento salarial. Além disso, há benefícios a nós mesmos. Minha mãe sempre diz que o que fazemos de bom gosto sai bem melhor do que o que fazemos a contra gosto. É exatamente esta a situação do trabalho, sem contar que nos sentimos melhores. Quando eu faço uma coisa contra a minha vontade, fico irritado, faço de qualquer jeito, e f***-se se gostarem ou não. Quando faço algo que me agrada, ou pelo menos que eu tenha a intenção de fazer bem, sou meticuloso ao extremo, o que resulta em um algo melhor.

Voltando ao artigo sem fonte, o autor critica veementemente o estigma que o brasileiro tem de achar que só é feliz quem faz o que gosta. Novamente, concordo. Até mesmo porque eu (ainda) estou nesse grupo sonhador. Mas estou me reeducando. Sempre tive a sensação de que as coisas vêm facilmente… Na minha antiga concepção, há um desequilíbrio descomunal entre trabalho e salário. E isso é errado, totalmente errado! Mas que droga, se é errado, por que eu acreditava nisso!? No meu ex-emprego, eu entrava às 8h, tinha um horário de almoço de 2h, e saía às 17h 30min. Era cansativo? Sim. Desgastante? Também. Chato!? Por vezes, sim. Mas era dignificante. Na sexta feira saía de lá com uma tranqüilidade que hoje invejo. “O trabalho dignifica o homem”… Exatamente isso. Não fazia nada que eu gosto. Era um estagiário misto de office boy e secretário. Mas aprendi a gostar do que fazia, e nos últimos tempos, estava batalhando para atingir a excelência. Fui despedido, mas esta é outra história…

Por ora não pretendo sair à caça de trabalho. Estou fazendo uns serviços de free lancer pela Internet, e está dando pra quebrar o galho. Aliás, esta é uma coisa que sempre quis: trabalho pela Internet, na hora que quero… Grande bosta.

Bom, vou ficando por aqui. O dever me chama!

[tags]Trabalho, Carreira, Emprego, ProBlogger[/tags]

Detran Digital

Publicado originalmente em 3 de dezembro de 2004.

O ex-blog começou a funcionar no dia 20 de novembro de 2004. Alguns dias depois, publiquei este texto, mostrando um pouco do procedimento para se conseguir uma CNH. Texto este que, aliás, serve para mostrar empiricamente duas características do meu finado blog anônimo argüidas no texto inaugural desta categoria: o excesso de palavrões (aqui, propositadamente censurados), e o falar da minha vida sem dar brechas da minha identidade. E, se não gostarem, dêem um desconto: eu só tinha 18 aninhos :) .

Ao atingir a maioridade, recentemente, a primeira providência que tomei foi ir atrás da minha habilitação para dirigir. Fui na auto escola, me informar sobre o trâmite, quanto tempo demora, quais as frescuras etc. Enfim, a funcionária disse que todo o processo demora 45 dias (burocracia do c******…), isso se eu não reprovar em nenhuma prova. Pois bem, já que não há outra maneira (creio que comprar uma habilitação fria não seja uma boa idéia…), assinei o contrato no mesmo dia, e já desenbolsei R$ 150,00 =(

Minha primeira e dificultosa tarefa na árdua busca pela habilitação foi o instigante exame psicotécnico, precedido das fotos e do teste de visão, que é realmente f***! O aparelho que tem lá é tão velho que as letras aparecem todas desfocadas! Sorte que minha visão de raio-x me ajudou a passar desta fase =) Logo após, vem a fotografia, aquela coisa ridícula que todo mundo tem vergonha de mostrar. O chamado Detran Digital, uma pequena repartição, é uma das poucas coisas do Detran que funcionam rápida e eficientemente. Em menos de cinco minutos, tiram a foto, registram digitais e assinatura, tudo digital. O controle de candidatos ainda é manual (uma velha dita os nomes dos candidatos, e a outra mulher do PC confere no banco de dados se já está catalogado). É uma parte que precisa melhorar. De resto, nota dez para o Detran Digital! Todas as unidades do Detran/PR já estão equipadas. Não tenho certeza, mas creio ser este serviço exclusivo do meu querido Estado-membro =)

Como que saindo do céu para o inferno, fui fazer o psicotécnico. A hora da verdade chegou… Muita tensão… Uma mulher com cara de sonsa entra na sala… Várias folhas e lápis nas mãos… Chega! =P Olha, se tem gente que reprova naquela p****, não pode ter habilitação mesmo! Aquele teste é a coisa mais ridícula que já fiz. Perguntas bobas, testes estúpidos… O cara tem que ser muito anta pra reprovar no psicotécnico. Ou estar nervoso, porque outra explicação não há. Você fica até irritado com aquela merda, e o f*** é que a mulher enrola pra caramba pra entregar as provas. Enfim, fiz o bendito exame e, depois de quase quatro horas preso naquela droga, fui pra casa, repousar no pouco tempo que sobrou do meu horário de almoço =(

Passados dois dias, liguei na auto escola a fim de saber o resultado. Passei (ó, eu sou realmente f***! =P)… Na segunda as aulas teóricas começam. Espero sinceramente que sejam mais emocionantes que o espetacular exame psicotécnico =)

Arquivos secretos

Houve uma época, anterior à da criação deste blog, em que eu escrevia textos sobre temas variados e incertos n’outro lugar. Os lapsos temporais entre eles eram maiores, minha mentalidade e visão de mundo, bem menores; a quantidade de palavrões, não sei (ainda hoje) por qual motivo, imensa, e a satisfação de manter este labor periódico, muito grande. E assim eu escrevia, tal qual este parágrafo: entre altos e baixos.

Pouca gente leu esses textos, pois eu os escrevia protegido por um pseudônimo, além de não fazia nenhum tipo de propaganda dos mesmos. A princípio, eles eram apenas válvulas de escape, mas com o passar do tempo, e o feedback dos poucos e seletos leitores, o escopo foi mudando. Esta evolução, aliás, era facilmente percebida comparando os primeiros textos com os últimos: de uma raiva transbordante e sem sentido, migrei para um estilo mais rasgado e ácido, porém mais polido (e sim, isso soou paradoxal, embora não seja). Antes do “sucesso” vir, porém, achei melhor matar a idéia. Parei de escrever daquela forma e naquele lugar, apaguei os textos, e tudo que sobrou foi uma vaga e gostosa lembrança de uma das épocas mais solitárias da minha solitária vida.

Dia desses, remexendo arquivos velhos no PC, encontrei aqueles velhos textos, renegados, escondidos, censurados. Mesmo hoje, anos depois, alguns deles conseguem tirar de mim um sorriso, um sentimento de aprovação, do tipo que me faz pensar “neste dia eu estava inspirado” (porque humildade é para os fracos!). Outros, porém, fizeram-me corar, devido ao excesso de subjetivismo, à forma aberta com que contava minha vida (mesmo sem deixar rastros que pudessem entregar minha identidade), às inúmeras palavras de baixo calão gratuitas, a idéias estúpidas das quais, atualmente, não comundo de forma alguma.

Hoje, com mais experiência, um blog bem encaminhado, senso crítico apurado, e outras melhorias, consigo fazer a separação do trigo do joio naqueles textos. E, exatamente por isso, resolvi pegar os melhores segundo minha ótica, e republicá-los aqui. Não sei ao certo quantos são, pois ainda estou lendo-os e separando os melhores, e nem sei também quando os publicarei. Só sei que o primeiro não demorará a aparecer, devidamente identificado, com a data de redação e, se minha memória e consciência permitirem, um pequeno resumo das circunstâncias da época em que o escrevi.

Até o primeiro de muitos (ou quase isso)!