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Quer comprar móveis de escritório?

Ano passado, meses antes de estrear meu blog, já acompanhava alguns. Dentre eles, um me chamava a atenção: era o SEÇÃO KARINASSA, assim mesmo, com tudo maiúsculo. Escrito pela advogada Karina Küster, tinha qualidade, humor fino e conteúdo. Um dos textos favoritos em se tratando de blogs é o “Quer comprar móveis de escritório?”, onde ela demonstra, de maneira vívida e sem rodeios, a desgraça que é ser advogada. Na época, esse texto era meu maior consolo quando pensava em abandonar o curso de Direito… Uma pena que, graças a um professor fenomenal de Direito Penal, a idéia do abandono caiu no limbo do esquecimento, ofuscada pela animação da referida disciplina. De qualquer maneira, o texto não ficou menos interessante. Infelizmente, porém, dona Karinassa sumiu dos blogs, e há muito perdi contato com ela. Então, Karinassa, se chegar a ler este blog, peço-lhe desculpas, mas vou republicar seu texto aqui, ok?

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Idealismo

Queremos paz. Mas somos capazes de viver em paz?

Tudo indica que não. E não é pessimismo. A sociedade teria que ser ideal, justa e igualitária. Para uma sociedade assim, o gênero humano deveria ser também ideal, justo e “igual”. E somos tão distintos uns dos outros, imperfeitos e longe do ideal que é praticamente impossível tal sociedade pacífica em que todos vivam plenamente felizes e seguros. Não seria humano. A paz não é humana, pois exige do homem harmonia e senso além da sua capacidade.

Mudanças drásticas deveriam ser feitas. Não apenas as referentes às relações internacionais, étnicas, religiosas, culturais, familiares, entre outras; mas, essencialmente, alterações individuais.

E o homem quer mudar? Seria bom, mas nem sempre o homem quer o bom e agradável. Por vontade (e por poder tê-la), talvez opte pelo nocivo. E assim, por querer, afirma que 2 + 2 = 5, desprezando a lógica e o senso comum universal de que 2 + 2 = 4, por mais que este seja agradável e produtivo, mesmo que seja a melhor coisa do mundo. Prefere o 2 + 2 = 5 ao 2 + 2 = 4 socialmente correto, porque não precisa seguir a nada se essa for sua vontade, mesmo que mergulhe em dor, sofrimento e abjeção. Seria imbecil e absurdo, ou até “irracional”, agir contra si mesmo, não é? Mas justamente por ser “racional”, por poder escolher lançar-se voluntariamente ao lodo, o faz. Outros animais não o fazem, eis a “razão” que nos distingue dos demais. E mesmo que conseguíssemos viver pacificamente uns com os outros, ela não nos deixaria viver em paz com nós mesmos; já não deixa…