
Crepúsculo, de Stephenie Meyer.
Muita gente torce o nariz para fenômenos literários. Autores vendidos, enredos fraquinhos/comerciais, enfim, sempre têm uma desculpa para ignorar o que está em evidência e, destilando veneno, citar obras obscuras, cult, algumas vezes enfadonhas, vangloriando-se do fato de conseguir ler e gostar de livros às vezes ruins.
Não posso me enquadrar nesse grupo. Leio coisas ruins também, mas não deixo de lado os livros que, dali a alguns meses, tornam-se filmes e viram sinônimo de cultura de massa. Afinal, tornei-me um leitor assíduo com… Harry Potter. Antes, apenas livros esparsos, Coleção Vagalume, alguns clássicos nacionais (a pedido da escola), e por aí vai. E é justamente por essa ausência de preconceito que recentemente encarei Crepúsculo (Intrínseca, 2008, 2ª edição, ISBN 978-85-98078-30-4), livro de estreia de Stephenie Meyer.
Envolvendo vampiros, lobos e outras criaturas fantasiosas, Crepúsculo mostra o primeiro amor de Bella Swan e do vampiro Edward Cullen. E… bom, é basicamente isso durante o livro inteiro, que se enrola no dilema ético-gastronômico do jovem Cullen, que, ao mesmo tempo em que diz amar Bella, controla seus instintos a fim de evitar que faça da namoradinha sua janta.
Os vampiros, seres imaginários que há tanto tempo assustam e fascinam, têm características pouco comuns dentro da mitologia do personagem. Esse detalhe enfurece fãs mais radicais do vampiro clássico, mas é uma licença poética, no geral, digerível. Algumas, como brilhar no sol ao invés de se queimar, com certa dificuldade, mas tudo bem.
A lenga-lenga entre Bella e Edward é maçante, e a (falta de) dinâmica de Meyer não ajuda muito. A cada fala, a autora acrescenta algumas palavras descrevendo cada personagem. Algo mais ou menos assim:
- Oi, tudo bem? – Perguntou ele cheio de si, com aquele sorriso torto e blablablá.
É meio que a versão literária da direção das novelas da Globo. A devoção exagerada de Bella a Edward também irrita em certo ponto. Até entendo que é o primeiro amor, que o cara é um vampiro, dirige a 240 Km/h sem olhar pra pista e consegue parar uma Kombi em movimento com um braço; são coisas legais, mas, calma lá, tudo tem limite. Louis Lane namora o Super-Homem, mas nem por isso fica babando em cima dele o dia inteiro – é quase o contrário.
Some-se a isso diálogos enfadonhos, do tipo “eu te amo mais que você”, e a leitura torna-se arrastada. O clímax é confuso, curto, e quando tem-se a sensação de que finalmente os vampiros vão cair no pau, não é bem isso o que acontece.
Crepúsculo é bem fraquinho. Fala de amor, vampiros e põe um príncipe encantado sem cavalo branco e com jeitão de malvado que impressiona pré-adolescentes. Bem ou mal, talvez esteja aí o segredo do sucesso.


















