Archive for the ‘Cinema’ Category

[REC]

Saturday, October 18th, 2008
Pôster de [REC.

Pôster de [REC.

A fórmula inaugurada por A Bruxa de Blair e aperfeiçoada por Cloverfield tem mais um representante (que, para efeitos de constagem, saiu antes de Cloverfield): [REC] ([REC], Espanha, 2007). Só que o survival horror espanhol vai além, e, arrisco dizer, consegue entregar o filme mais tenso dos últimos tempos. Trata-se de um filme de terror como há muito eu não assistia!

Nos áureos tempos do PlayStation original, a Capcom tinha dois jogos com estilos parecidos, mas propostas diferentes. Dino Crisis era um jogo de dinossauros, cheio de ação e adrenalina; Resident Evil era um survival horror, tendendo mais para o suspense e terror do que para a ação em si. A relação entre eles talvez seja parecida com a que existe entre Cloverfield e [REC] - tirando os dinossauros. Enquanto no primeiro a ação cria o clima, no segundo é o terror que dá o tom. Aliás, pela temática e detalhes do enredo, [REC] é uma adaptação mais fiel de Resident Evil do que o próprio - não que a trilogia estrelada pela Milla Jovovich seja grande coisa, mas…

[REC] mostra uma equipe de TV espanhola, composta pela (gatíssima) repórter Angela Vidal (Manuela Velasco) e pelo cinegrafista Pablo (Pablo Rosso), fazendo a cobertura de um dia normal no Corpo de Bombeiros. No primeiro chamado da noite, os bombeiros vão a um prédio, onde uma senhora aparenta ter surtado. Após uma séria confusão com a tal senhora, eles se vêem presos no prédio, junto com os moradores, sem informações sobre o motivo da interdição. Ali começa o calvário dos personagens. [REC] consegue o que poucos filmes do gênero fazem: assustar. A perspectiva e o estilo de filmagem, do tipo “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”, coordenados pelos competentes diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza, contribuem para criar o clima de imersão já característico.

Angela Vidal (Manuela Velasco).

Angela Vidal (Manuela Velasco).

Não há muito o que dizer. Ou melhor, há sim, muita coisa, mas aí corro o risco de estragar a surpresa de quem ainda não assistiu. O que importa dizer é que o filme é muito bom. Demora um pouco para engrenar, mas quando o terror começa, seus olhos grudam na tela, os músculos ficam imóveis, e a pulsação aumenta. E não, isso não é exagero, nem dramaticidade em excesso. A seqüência final é de prender a respiração.

A versão americana, batizada de Quarantine, saiu ou deve estar para sair, mas dado o histórico de remakes ruins que Holywood já produziu de filmes de terror orientais, tenho cá minhas dúvidas se a cópia será superior ao original. Na dúvida, fique com [REC].

Outros textos sobre [REC]:

Eu e as mulheres (In the land of women)

Sunday, October 12th, 2008
Pôster de Eu e as mulheres.

Pôster de Eu e as mulheres.

Carter Webb, interpretado por Adam Brody, é um roteirista de filmes pornográficos que após tomar um toco da namorada, uma famosa atriz (ou algo parecido), sai de Los Angeles rumo a um pacato bairro em Detroit. Lá, além de cuidar da sua avó, ele conhece as mulheres da casa vizinha, e com as três mantém relacionamentos distintos que, por vezes, se cruzam durante a trama.

Eu e as mulheres (In the land of women, EUA, 2007) tem o mesmo nome, em português, da empoeirada categoria de posts sobre mulheres que mantenho neste blog. Só que, ao contrário das minhas lamúrias, o filme leva o nome brasileiro ao pé da letra, e mostra como Carter reage em suas relações com o sexo oposto. (O que, claro, deveria ser o mote da minha categoria, mas que, por incapacidade de quem aqui escreve, jamais atingiu seu objetivo).

É difícil desassociar a imagem de Brody do Seth, de The O.C., e isso só é reforçado no início deste filme pelas roupas e trejeitos de Carter. Felizmente, com o desenrolar da trama pequenos nuances e características afloram diferenças entre os dois personagens. O resto do elenco é carismático, e entra no clima do longa, um tanto quanto despretensioso, e por isso mesmo, agradável. Meg Ryan, que interpreta a matriarca da família vizinha, Sarah, está bem no papel, bem como suas filhas, a adolescente rebelde Lucy, vivida por Kristen Stewart, e a pequena precoce Paige, por Makenzie Vega.

Carter é um bom ouvinte, e isso facilita a aproximação com o as três vizinhas. Há longos passeios feitos por ele e Sarah, conversas francas e meio constrangedoras com a adolescente Lucy, e um encantamento inocente por parte da pequena Paige. Paralelamente a isso, Carter vive a crise de meia idade. Com 26 anos, e de saco cheio do que faz, sua ida para a casa da avó é, antes de qualquer coisa, uma tentativa de se encontrar e tomar um novo rumo em sua vida.

Apesar do tom meio arrastado, o filme, que marca a estréia do cineasta Jon Kasdan, é legal. É interessante a diferença existente entre as três mulheres, especialmente as duas mais velhas, na relação com Carter. A maturidade da mãe e a inconseqüência da filha são mostradas com bastante veracidade, e colocar um cara que não sabe nem o que fazer com a própria vida no meio dessa conturbada relação gera conflitos que fazem pensar. Não espere um blockbuster, ou mesmo um filme cult. Eu e as mulheres é só um (delicioso) passatempo.

Outros textos sobre Eu e as mulheres:

O maior desafio de Goku: Dragon Ball live action

Monday, September 29th, 2008

Que me achem infantil, idiota ou bobo, mas eu digo, para quem quiser ouvir (ou ler), que adoro Dragon Ball. O anime, o primeiro com o qual tive contato, marcou não só pelo pioneirismo, mas também por tudo que ele carrega consigo: qualidade, bom humor e um enredo que, à segunda vista, é de uma profundidade rara de se ver.

Goku.

Goku.

O problema de se julgar algo pela capa é que minúcias escapam nesse tipo de análise. E Dragon Ball, até mesmo pela sua grandiosidade, não aceita análises superficiais. Foram 444 episódios, sendo 153 da série original, e 291 de Dragon Ball Z - Dragon Ball GT é tão ruim que desconsidero seus 64 episódios. Levando-se em conta que, no Japão, o desenho era exibido semanalmente, qualquer um constata que demorou um bocado para ele chegar ao final. E de fato, demorou: foram mais de dez anos.

Não bastasse a longevidade da obra, os personagens envelheceram. Não tivemos algo comum em desenhos americanos, ou seja, após vinte anos de exibição, os personagens continuam iguais a como eram na estréia. Não. Em Dragon Ball, os personagens evoluíram, cresceram, envelheceram, tomaram rumos diferentes em suas vidas, viveram. E viveram não em qualquer lugar, mas num mundo detalhado, com mitologia própria, história, peculiaridades tão gostosas quanto exóticas, tamanhas que, no Japão, enciclopédias acerca do universo de Dragon Ball foram escritas e publicadas - e devoradas por muita gente. Em que outro lugar, por exemplo, um cachorro seria o Presidente de um país sem causar pânico na população?

Poderia ainda listar mais um sem número de detalhes, uns mínimos, outros tão grandes que não merecem tal rótulo, mas acho que está bom. A idéia é transmitir o valor de Dragon Ball, o quanto a cria de Akira Toriyama influenciou e ainda influencia mentes do mundo inteiro.

Estou longe de ser um DB addicted, logo, imagine como ficariam fãs fervorosos, daqueles que vão a feiras de animes, fazem cosplay, dentre outras coisas, ao saberem que um filme baseado em Dragon Ball estaria sendo criado. E, depois desse vislumbre de excitação, imagine-o indo embora com a notícia de que tudo seria diferente na versão cinematográfica. Pois é…

Estão rodando um filme de Dragon Ball, e o primeiro trailer sairá em breve. Goku e Chichi estarão numa escola, o Picollo será rosado e terá armadura, a Capsule Corp. não fabricará as cápsulas características da série, Mestre Kame que não é tarado, e… ah, qual é!? O que estão querendo fazer? Ou melhor, quem deixou a Fox fazer… fazer… isso?

Esse é o Goku (estilo Br'oz), e do lado, a Bulma (cadê o cabelo verde?).

Esse é o Goku (emo detected), e do lado, a Bulma (cadê o cabelo verde?).

Quanto mais notícias sobre Dragon Ball: O Filme aparecem, mais decepcionado me sinto. Uns podem dizer que é mimimi de fã que jamais se conformaria com nada que fosse apresentado no cinema, e talvez seja isso mesmo. Acho eu que algumas coisas não deveriam transcender seus espaços. Dragon Ball é um exemplo. Funciona bem como mangá, funciona bem como anime, mas tenho sérias dúvidas se funcionará como filme. E a julgar pelas notícias que saem sobre o longa, cada vez mais essa previsão se fortalece.

Excluindo esse pensamento “ado, ado, cada um no seu quadrado”, e partindo da premissa de que, talvez, quem sabe, um filme legal pudesse ser feito, o primeiro passo para o sucesso seria justamente o que a produção do filme jogou no lixo: respeito ao original. Mostrei, nos três primeiros parágrafos, a ponta do iceberg que é a mitologia de Dragon Ball. Tiraram os pontos-chave do desenho, aqueles que, ao serem vistos, remetiam imediatamente o telespectador ao universo de Dragon Ball. E eu pergunto: a troco de quê?

Talvez seja só para chamar a atenção. Ou então, quem está envolvido no projeto quer fazer algo divertido, tem boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio, de modo que, se não sabe fazer, NÃO FAÇA! Não pise na nostalgia deliciosa que muitos, hoje na casa dos vinte ou trinta anos, sentem ao ouvir um “kamehamehá”, ou então um “oi, eu sou o Goku”. Se querem vender bonecos, arranjem outro bode espiatório. Agora se querem avacalhar, criar o caos e deixar fãs furiosos, aí só posso lhes parabenizar; conseguiram.


Lifestream