
X-Men Origens: Wolverine.
É uma lógica simples na teoria: se algo faz sucesso e, consequentemente, gera dinheiro, vamos investir mais nesse algo, certo? Errado. Na prática a coisa é um pouquinho mais complicada, e essa regra não se aplica a tudo. Como Wolverine.
X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009) é um exemplo claro disso. A Fox, com toda sua sapiência, pegou o mutante mais carismático, adorado e, não por coincidência, melhor representado nos três filmes dos X-Men, e decidiu criar um filme solo, focando, como o nome sugere, as origens do personagem. Poderia sair algo legal, já que a origem de Wolverine é bastante instigante. Mas o tiro saiu pela culatra, e no fim, quem for ao cinema verá mais um caça-níquel totalmente dispensável.
A coisa mais irritante do filme, porém, é a classificação PG-13, que significa que o filme é indicado para maiores de 13 anos, ou, em outras palavras, que o espectador assistirá a mortes sem sangue. Nada de sangue num filme do Wolverine. Já começaram errado…
Ainda no plano dos bastidores, a direção também não colabora. Michael Bay faz escola, e as lutas ocorrem sempre em locais escuros, com pouca luz e o câmera man parece ter mal de Parkinson (com todo respeito aos portadores da doença). Gavin Hood, diretor de Wolverine, não se arrisca, fica no básico, e mesmo nele faz muita caca nos momentos mais empolgantes.
Algumas coisas são tão desnecessárias, que chegam a irritar. As mudanças profundas no experimento Arma X, o samba do crioulo doido na aparição de duzentos mutantes, furos risíveis na cronologia se, conforme a Fox deseja, considerarmos este parte integrante da trilogia dos X-Men. Isso sem falar no Deadpool que, embora não conheça muito dos gibis, definitivamente não tem nada a ver com a aberração que aparece no final (não considere isso um spoiler, ok?). O motivo da perda de memória de Logan? Nem vou comentar.
O próprio Wolverine, ou Logan, ou James. Hugh Jackman definitivamente nasceu para interpretar o herói nas telonas, mas a produção e o roteiro não representam o que ele é, ou deveria ser. Logan é… violento. E isso, em momento algum do filme, transparece. Traçando uma analogia, é como se a Ana Maria Braga fizesse seu programa com a geladeira vazia. Falta alguma coisa, e não qualquer coisa, mas o principal.
A Fox merece algum respeito por ter revigorado o filão dos filmes de super heróis, no já longínquo ano 2000, com o primeiro X-Men. Foi um filme que marcou época, e possibilitou a outros heróis, tanto da Marvel, quanto da DC, ganharem a primeira ou novas chances no cinema. Mas hoje, nove anos depois, Iron Man, Spider-Man e The Dark Night existem, de modo que o público não aceita mais qualquer coisa. O filme solo do Wolverine pode até ser bom se comparado com o primeiro X-Men, mas perto dos três supracitados, é, no mínimo, ruim.
Dizem que esse projeto Origens é bem grandioso, e que outros mutantes ganharão filmes solo, contando suas origens. Estariam na fila Magneto e Deadpool. Sugestão: parem com isso. Funcionou mais ou menos bem com Wolverine porque… bem, porque é o Wolverine. Filme solo do Deadpool? Quem vem depois? Groxo?
Outras análises:
***
Bônus: quer ver coisas legais e que preservam a essência de Wolverine? Duas sugestões, então.
A primeira é o curta-metragem Hulk vs. Wolverine, desenho da Marvel simplesmente destruidor. É o primeiro vídeo que vejo, incluindo filmes, no qual Logan usa suas garras sem medo da censura. A animação é belíssima, a adrenalina é alta, os personagens bastante fieis aos originais, e… enfim, imperdível. Confira o trailer (e fuja de Hulk vs. Thor, que é uma bosta):
A outra é justamente o jogo baseado no filme X-Men Origens: Wolverine. Achei que nunca fosse dizer isso, mas é o raríssimo caso, primeiro que chega a meu conhecimento, de um game baseado em filme ser melhor que a obra original. O jogo tem censura Mature (18+), e usa e abusa de sangue, mutilações e outras traquinagens do tipo. Sem falar nos gráficos, que são soberbos, no áudio super legal (aparentemente, a dublagem foi feita pelos atores do filme), e a jogabilidade competente. Em breve sai uma review no Campo Minado.



















