
Damien "barbudo" Rice.
Nove em cada dez pessoas que ouvem e gostam do irlandês Damien Rice o conheceram através do filme Closer: Perto Demais. Quando The Blower’s Daughter começa a tocar, logo no início do longa, acompanhando os passos de Natalie Portman e Jude Law, a sensação transmitida pelo conjunto – música, clima, paisagem, personagens – pode ser resumida em uma palavra: encantador!
Cheguei em casa, após assistir o filme, e minha primeira ação foi baix… Quero dizer, adquirir o CD da trilha sonora. Dali foi um passo para descobrir o intérprete da música-tema. Logo, estava eu ouvindo O, disco de estréia de Damien Rice, ainda inédito no Brasil. Felizmente, as demais faixas mantêm a qualidade de The Blower’s Daughter e Cold Water (outra que está na OST de Closer).
O cantor já foi muito elogiado lá fora. Como a maioria dos profissionais da área, começou por baixo, tocando em bares, na rua e em bandas fracassadas. Essa conversa toda que todos estamos cansados de ouvir, sabe como é…
Mas voltando ao CD, há tempos não ouvia algo tão relaxante e viciante! O, de 2003, começa com Delicate, que faz jus ao nome, e é uma das faixas mais bonitas do álbum. Volcano, a segunda, é mais rítmica, mas nem por isso menos interessante. A terceira é The Blower’s Daughter, que dispensa comentários. Cannonball é outra calminha, muito boa. As demais seguem o estilo: romântico sem ser brega; incrivelmente belas. Destaco ainda Cold Water, que tem a introdução mais bonita dentre todas as faixas. Este CD contou com a participação de Lisa Hannigan em algumas faixas, que diga-se de passagem, tem uma voz fora de série, e está super entrosada com Damien.
Abrindo um parêntese no texto, estou chegando à conclusão de que sou uma droga como crítico musical. Basta ouvir um CD arrebatador como este, e teço uma crítica rasgando elogios, e o pior, sem nenhum revés! Ora, o crítico por si só é chato, perfeccionista, acha erros nos detalhes mais supérfluos! Bom, eu coloco minhas impressões, e se elas são as melhores possíveis, paciência. Pra comprovar que a música é de fato boa, que não passa de entusiasmo ou coisa parecida, basta ouvir o CD B-sides, com algumas demos e músicas ao vivo, incluindo algumas inéditas (e excelentes), como The Professor and La Fille Danse e Woman Like a Man. Tão bom quando O.
Pra não ser absolutamente parcial, recomendo a leitura desta crítica, mais técnica e muito mais completa que esta humilde que acabaste de ler, cuja autora é Juliana Depiné.
Pronto, agora minha consciência está mais tranqüila.