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O maior desafio de Goku: Dragon Ball live action

29 Set

Que me achem infantil, idiota ou bobo, mas eu digo, para quem quiser ouvir (ou ler), que adoro Dragon Ball. O anime, o primeiro com o qual tive contato, marcou não só pelo pioneirismo, mas também por tudo que ele carrega consigo: qualidade, bom humor e um enredo que, à segunda vista, é de uma profundidade rara de se ver.

Goku.

Goku.

O problema de se julgar algo pela capa é que minúcias escapam nesse tipo de análise. E Dragon Ball, até mesmo pela sua grandiosidade, não aceita análises superficiais. Foram 444 episódios, sendo 153 da série original, e 291 de Dragon Ball Z - Dragon Ball GT é tão ruim que desconsidero seus 64 episódios. Levando-se em conta que, no Japão, o desenho era exibido semanalmente, qualquer um constata que demorou um bocado para ele chegar ao final. E de fato, demorou: foram mais de dez anos.

Não bastasse a longevidade da obra, os personagens envelheceram. Não tivemos algo comum em desenhos americanos, ou seja, após vinte anos de exibição, os personagens continuam iguais a como eram na estréia. Não. Em Dragon Ball, os personagens evoluíram, cresceram, envelheceram, tomaram rumos diferentes em suas vidas, viveram. E viveram não em qualquer lugar, mas num mundo detalhado, com mitologia própria, história, peculiaridades tão gostosas quanto exóticas, tamanhas que, no Japão, enciclopédias acerca do universo de Dragon Ball foram escritas e publicadas - e devoradas por muita gente. Em que outro lugar, por exemplo, um cachorro seria o Presidente de um país sem causar pânico na população?

Poderia ainda listar mais um sem número de detalhes, uns mínimos, outros tão grandes que não merecem tal rótulo, mas acho que está bom. A idéia é transmitir o valor de Dragon Ball, o quanto a cria de Akira Toriyama influenciou e ainda influencia mentes do mundo inteiro.

Estou longe de ser um DB addicted, logo, imagine como ficariam fãs fervorosos, daqueles que vão a feiras de animes, fazem cosplay, dentre outras coisas, ao saberem que um filme baseado em Dragon Ball estaria sendo criado. E, depois desse vislumbre de excitação, imagine-o indo embora com a notícia de que tudo seria diferente na versão cinematográfica. Pois é…

Estão rodando um filme de Dragon Ball, e o primeiro trailer sairá em breve. Goku e Chichi estarão numa escola, o Picollo será rosado e terá armadura, a Capsule Corp. não fabricará as cápsulas características da série, Mestre Kame que não é tarado, e… ah, qual é!? O que estão querendo fazer? Ou melhor, quem deixou a Fox fazer… fazer… isso?

Esse é o Goku (estilo Br'oz), e do lado, a Bulma (cadê o cabelo verde?).

Esse é o Goku (emo detected), e do lado, a Bulma (cadê o cabelo verde?).

Quanto mais notícias sobre Dragon Ball: O Filme aparecem, mais decepcionado me sinto. Uns podem dizer que é mimimi de fã que jamais se conformaria com nada que fosse apresentado no cinema, e talvez seja isso mesmo. Acho eu que algumas coisas não deveriam transcender seus espaços. Dragon Ball é um exemplo. Funciona bem como mangá, funciona bem como anime, mas tenho sérias dúvidas se funcionará como filme. E a julgar pelas notícias que saem sobre o longa, cada vez mais essa previsão se fortalece.

Excluindo esse pensamento “ado, ado, cada um no seu quadrado”, e partindo da premissa de que, talvez, quem sabe, um filme legal pudesse ser feito, o primeiro passo para o sucesso seria justamente o que a produção do filme jogou no lixo: respeito ao original. Mostrei, nos três primeiros parágrafos, a ponta do iceberg que é a mitologia de Dragon Ball. Tiraram os pontos-chave do desenho, aqueles que, ao serem vistos, remetiam imediatamente o telespectador ao universo de Dragon Ball. E eu pergunto: a troco de quê?

Talvez seja só para chamar a atenção. Ou então, quem está envolvido no projeto quer fazer algo divertido, tem boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio, de modo que, se não sabe fazer, NÃO FAÇA! Não pise na nostalgia deliciosa que muitos, hoje na casa dos vinte ou trinta anos, sentem ao ouvir um “kamehamehá”, ou então um “oi, eu sou o Goku”. Se querem vender bonecos, arranjem outro bode espiatório. Agora se querem avacalhar, criar o caos e deixar fãs furiosos, aí só posso lhes parabenizar; conseguiram.

As novas regras da língua portuguesa

22 Set

Foto: Paulo Brabo (via Flickr).

Foto: Paulo Brabo (via Flickr).

A partir de 2009, a língua portuguesa sofrerá muitas mudanças, em todos os países que a adotam como língua oficial. A intenção de tais mudanças é unificar o idioma, diminuindo um pouco as muitas diferenças existentes entre os países.

Embora no Brasil as mudanças sejam menos drásticas que em Portugal, ou seja, embora aqui o português “atual” seja mais parecido com o unificado que começará a valer ano que vem, muita coisa vai mudar. Além do retorno das letras K, W e Y, muitos acentos foram limados, incluindo o eterno injustiçado trema, e várias palavras compostas que antes utilizavam hífen, como auto-escola, o perderão (portanto, o certo será autoescola).

O iG, primeiro grande site brasileiro a adotar as novas regras, publicou um infográfico que mostra o que muda e o que permanece com elas. Vale a pena ler, pois todas as mudanças, em todos os países, estão lá, mostradas de uma forma bastante didática, de fácil entendimento. Se preferir algo mais profundo, essa apostila, em *.pdf, é uma boa pedida. É da mesma equipe que mantém o dicionário Michaelis.

Confesso que foi um baque receber essa notícia. Escrevo todo santo dia, e saber que muitas coisas com as quais estou acostumado mudarão, foi meio impactante. É hora de voltar ao estudo, passar algum tempo escrevendo com as dicas mostradas no infográfico a tiracolo, até que todas as novidades deixem de ser novidades.

Particularmente, preferia do jeito antigo. O português é, de fato, muito complexo, mas parte do seu charme está nisso. Não sou nenhum expert no idioma, porém acho bonito, elegante até, escrever corretamente, usar a abusar de recursos que, embora possam parecer estranhos, até errados, estão em consonância com a norma culta. Mais do que aprender a escrever segundo as novas regras, a maior demora será no acostumar-se com elas. Afinal, linguiça, geleia e veem me parecem, por ora, absolutamente erradas.

Cloverfield

15 Set

Pôster (muito bom) de Cloverfield.

Pôster (muito bom) de Cloverfield.

Fazer um filme que foge do padrão da indústria, ou seja, que não tenha linearidade, explicações óbvias e outras padronizações do tipo, é sempre arriscado. A distância entre o sucesso absoluto e o fracasso total é muito pequena, de modo que detalhes podem transformar uma obra de arte num monte de estrume. Felizmente, não é o que ocorre no originalíssimo Cloverfield: Monstro (Cloverfield, EUA, 2008), filme acima da média.

Cloverfield aproveita a idéia de A Bruxa de Blair (só o primeiro), ou seja, uma única câmera, na mão de um dos protagonistas, só que a reutiliza de maneira mais intensa. Durante uma festa, do nada ocorre uma explosão, e a partir daí um grupo de amigos sai despesperado pelas ruas de Nova Iorque, sem saber o que está acontecendo na cidade, simplesmente tentando sobreviver e entender o que se passa. Logo que saem do prédio, a cabeça da Estátua da Liberdade no meio da rua deixa claro que algo realmente grande está acontecendo. ler tudo »