Archive for the ‘TV’ Category

Californication

Saturday, October 11th, 2008

Não sou muito de acompanhar séries. Apesar da maioria ser legal, sempre acabou deixando de lado, acho que por preguiça. Das poucas que assisti nos últimos tempos, porém, a melhor, sem sombra de dúvida, foi Californication.

Hank Moody em seu Porsche velho e sujo.

Hank Moody em seu Porsche velho e sujo.

Californication não tem efeitos especiais, não conta com super astros, nem um roteiro mirabolante. Nada disso. É só a história de um escritor-de-um-livre-só, bêbado e com uma vida sexual bastante ativa, que tenta sair do fundo do poço e reatar com sua ex-namorada, mãe de sua filha. Simples assim. O que faz a série ser divertidíssima é justamente o life style do protagonista, Hank Moody, interpretado pelo surpreendente David Duchovny, que na década passada viveu o agente Mulder, em Arquivo X - série que nem fazia questão de acompanhar por pura preguiça.

O adjetivo “surpreendente” relacionado a Duchovny justifica-se pela diferença entre o personagem atual e o da série de ficção científica de anos atrás. Alguns mais desavisados podem até pensar tratarem-se de duas pessoas diferentes, tamanha a distância entre as duas atuações. Ele rouba a cena em Californication, seja pelo tom absurdamente despretensioso de Moody, seja pelas atitudes non sense do mesmo.

Californication não se resume apenas a Duchovny, porém. O seriado, criação de Tom Kapinos, pega um tema que à primeira vista pode parecer desinteressante, e o faz divertido e profundo. O elenco de apoio também é deveras competente; rola uma sinergia rara de ver em primeiras temporadas com o de Californication. Tudo isso, somado, resulta numa série fenomenal.

A primeira temporada teve apenas doze episódios, em parte graças à greve dos roteiristas, que atingiu todas as séries ano passado. Apesar disso, essa dúzia foi mais que suficiente, a ponto de eu arriscar dizer que, se fossem mais, talvez o ritmo e a qualidade dos episódios fossem afetados. A segunda temporada começou recentemente nos EUA, e a julgar pelos dois primeiros episódios, que já assisti, o nível continua alto, mesmo levando em conta o desfecho da primeira, bem delicado de ser tratado numa segunda temporada.

Não recomendável para crianças, mas altamente indicada para quem gosta de um bom seriado com temática mais adulta, Californication é uma das melhores séries que apareceram nos últimos tempos. Ok, talvez seja exagero de alguém que não é exatamente um consumidor ávido de seriados, mas a julgar pelos poucos outros que assisti (Greek, Heroes e Pushing Daisies), Californication é, de longe, a melhor dentre elas.

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Californication, de Tom Kapinos.
Californication, de Tom Kapinos

Explicações sobre Dragon Ball AF

Tuesday, January 16th, 2007

Dragon Ball é um lendário mangá criado por Akira Toriyama. Publicado por mais de uma década, ganhou uma versão em desenho animado na TV que, se não foi o mais difundido no mundo, um dos mais foi, sem dúvida. O roteiro gira em torno de Son Goku, um sayajin (alienígena) enviado à Terra para destruí-la, mas que em virtude de um “pequeno acidente” (ele cai de um penhasco, e bate a cabeça no chão - entendeu as aspas?), esquece sua missão, e passa a proteger nosso querido mundinho com todas as suas forças. Hoje é difícil encontrar alguém que nunca tenha ao menos ouvido falar desta série. Assisti todos os episódios da saga Z, que mostra Goku adulto, e li e tenho todos os mangás, em perfeito estado de conservação (um dia ainda os venderei por uma quantia milionária).

Embora na TV haja a divisão entre Dragon Ball e Dragon Ball Z, no mangá original não. É tudo a mesma história, sem interrupções ou mudanças de nomenclatura. Depois do término do mangá, alguns pupilos de Toriyama, com anuência deste, criaram o horrível Dragon Ball GT (Gran Tour), uma tosquíssima e viajada seqüência, com Goku voltando a ser criança, super sayajin nível quatro, e mais um monte de besteiras. Sujou a até então imaculada série, e embora existam doidos que tenham gostado dessa merda, tal série não passa disso, uma merda.

O problema é que fanboy é uma desgraça, e um dos males do mesmo é não saber quando algo já deu o que tinha que dar. Dragon Ball atingiu seu ápice no final da série Z. Era um desfecho esplêndido para um anime longo, revolucionário e cativante. Melaram tudo com o GT e, não satisfeitos, alguns fanboys resolveram criar e disseminar uma nova série: Dragon Ball AF.

Se no GT coisas sem noção já haviam sido criadas, no AF o nível desce ao fundo do poço. A própria imagem que desencadeou os inúmeros boatos sobre esta inexistente série já mostra isso: Goku super sayajin nível cinco. É tosco.

Goku super sayajin 5.

Suposto Goku Super Sayajin nível 5.

AF significa “After Future”, ou “Another Future”. A lenda acerca desta fictícia série começou em 1997, logo após o fim da GT. Nessa época, porém, não havia nomes, nem imagens: apenas o rumor pairava no ar… Em 2000, o fanart acima foi disponibilizado, desencadeando uma verdadeira febre em torno das “novas” aventuras de Goku e cia. No mesmo ano, em outubro, um documento extenso sobre AF surgiu no (hoje fora do ar) majin.com. Alguns anos mais tarde, em 2004, a “prova” que faltava para afirmar a “veracidade” da série apareceu: um pôster de divulgação.

Dragon Ball AF (mini).

Página fake!

O engraçado é que, segundo fontes, esses caracteres japoneses não significam absolutamente nada :D. Quem não entende japonês (chute: 90% da população), acreditou. Este pôster é, na verdade, uma montagem feita no Photoshop.

Ainda hoje há quem defenda a existência de Dragon Ball AF. O argumento da moda é que a série foi produzida nos Estados Unidos (sic), motivo pelo qual só foi exibida em canais privados, de pouco alcance/audiência.

Não precisa muito para constatar que isso é lorota. Clique aqui, veja as imagens, e pergunte a si mesmo: alguém, em sã consciência, exibiria estes desenhos medonhos na TV? Nem mesmo o mais aproveitador e oportunista dos produtores de TV faria isso.

Para que fique bem claro:

Dragon Ball AF non ecziste!

A quem souber espanhol (portunhol já quebra o galho), recomendo a leitura deste ótimo artigo, que inclusive serviu de base para este meu. Para saber mais sobre Dragon Ball, a entrada na Wikipédia inglesa e suas ramificações são ótimas fontes de informações. E, finalmente, para quem quiser entender os motivos que fazem de Dragon Ball um dos maiores ícones culturais de todos os tempos, procurem em algum sebo a revistinha Herói Mangá #01, da editora Conrad, lançada em abril de 2002. Nela há um texto cujo título (tosco, confesso) é Dragonball Z: além da porrada!, escrito pelo grande Mario AV, que guardarei para mostrar aos meus filhos, logo após apresentar-lhes minha coleção de mangás (só a venderei depois disso). Esta revistinha, aliás, era ótima: nesta mesma edição há uma matéria magnífica sobre outro blockbuster japonês, Evangelion. Uma pena terem cancelado ela tão precocemente (só durou três edições).

Eu li Requiem!

Wednesday, October 12th, 2005

Calma, eu explico. Requiem é o último episódio, que não chegou a ser rodado, de um dos desenhos mais legais de todos os tempos: Caverna do Dragão.

Caverna do Dragão está para os desenhos assim como Chaves está para os programas humorísticos: nunca sai de moda. Mesmo assistindo a todos os episódios várias vezes, e sem expectativas de que a série chegasse ao fim algum dia, este desenho sempre figurou entre os meus favoritos.

Pra quem não conhece (alguém?), Caverna do Dragão é uma aventura baseada no RPG Dungeons & Dragons, que por sua vez, é explicitamente baseado na obra de J. R. R. Tolkien, que dentre outros, escreveu a trilogia O Senhor dos Anéis. O desenho narra as aventuras de seis jovens num mundo paralelo, o qual eles chegaram graças a um portal que se abriu num parque de exposições (talvez isso explique meu medo de rodas gigantes). Estando lá, começa uma busca desenfreada pelo portal, de modo a voltarem para casa. Eles recebem a ajuda do Mestre dos Magos, um velhinho enigmático, que some nas horas mais inoportunas, e dá os conselhos mais estúpidos de todo o Universo, e encontram inimigos de peso, como o dragão multicolorido Tiamat, e o temido Vingador, o cara de um chifre só. Ah, tem a Uni também, um(a) filhote de unicórnio que enche o saco de todo mundo.

Baseado no que andei lendo, o desenho teve três temporadas. Depois de inúmeras tentativas frustradas de voltar para a casa, quando finalmente o roteirista consegue escrever um episódio em que os pobres diabos atingem seu objetivo, o maldito estúdio que produzia o desenho fez o favor de não tornar realidade o sonho de todo moleque nos anos noventa, que era ver o fim de Caverna do Dragão. Realmente, esses caras têm que morrer (os do desenho): vão ser azarados assim lá longe! Pois bem, este episódio, o último, o final, o derradeiro, chama-se Requiem.

Consegui ter acesso ao “script” dele num site obscuro que encontrei por acaso dia desses. Enfim, a história é legal, faz jus a toda a magia da série, e seria um final estupendo, caso fosse produzido, claro.

Há toda uma mítica em torno do final da Caverna do Dragão. Desde os anos oitenta (imagino eu), há uma especulação forte em cima disso. E tal qual um telefone sem fio, inúmeras versões surgiram. Uma das mais legais, e que eu sempre torci para que fosse verdadeira, é a de que a Uni, o unicórnio andrógino, fosse uma entidade demoníaca que discretamente fazia o papel de pedra no sapato da trupe. Infelizmente, não é assim. Há outras versões, como já disse, sendo as mais famosas aquelas que dizem ser algum dos mocinhos um enviado do capeta. Povo mais macabro…

A partir de agora, para delírio dos fãs da série, escreverei um spoiler do último episódio. Se não quiser ler, ahn… pare de ler.

Ok, faz algumas semanas que eu li, então, pode ser que eu esqueça algum pedaço. Mas o grosso da coisa eu lembro, tranqüilamente. O capítulo começa com os mocinhos lutando contra um dragão. Paralelamente, Mestre dos Magos e Vingador conversam, chegando ao ápice de firmarem um acordo entre si, que tinha a ver com a volta para casa dos garotos. Depois, Mestre dos Magos aparece e, mais uma vez, não ajuda, mas além disso, ele despreza os garotos. Eric, o cara da capa vermelha e do escudo, fica bravo, e depois de muita discussão, o grupo racha, sendo que uma parte é comandada pelo Hank, e outra pelo Eric. A certa altura, quando os dois grupos se encontram pelos caminhos da vida, eis que o Vingador surge. Ele oferece um caminho de volta para casa, sendo que, para tal, devem os jovens perdidos irem até um castelo, pegarem uma chave e abrirem um portal. Eric acredita e vai em frente; Hank não, mas por precaução (eu acho), vai atrás do grupo de Eric.

Já no castelo, uma meleca ultra-poderosa (!?) os ataca. Depois de muitas brigas, Hank e Eric estão com a chave na mão. Há um portal no centro de uma sala, e do lado, a parede destruída revela um desfiladeiro. O Vingador aparece também, e no meio da bagunça (garotos, meleca poderosa e Vingador), Hank cai no penhasco. Eric, com a chave na mão, tem a opção de abrir o portal, que na verdade, se não me falhe a memória, era uma espécie de túmulo com o desenho de um cavaleiro, ou jogá-la no desfiladeiro, coisa que Hank queria fazer. Ele escolhe a segunda opção, e tcharam! O Vingador se transforma num cavaleiro bacana, aquele cavaleiro desenhado no túmulo. Mais surpreendente que isto, ele se revela filho do Mestre dos Magos!!! Isso foi realmente impactante. Fica a impressão de que o Mestre dos Magos usou os garotos pra libertar seu próprio filhote. (Que meigo, snif). Por incrível que pareça, Hank não está morto! Ele conseguiu se segurar, e volta pra cima. Tudo esclarecido, finalmente um portal que funciona está na frente dos garotos! Mestre dos Magos deixa a opção no ar: ou eles voltam para suas casas, na Terra, ou continuam lá, ajudando ele, e agora também o Vingador, a combater os males que assolam aquele mundo (segundo o velhinho, são muitos ainda).

O episódio termina aí. Parece que foi uma estratégia do roteirista, já que não se sabia, na época, se haveria uma nova temporada do desenho, ou não. Ou seja, se houvesse, o pessoal continuaria naquele mundo; caso contrário, o desenho terminava ali mesmo, e ponto final.

Particularmente, achei este final muito bom. Nada que não fosse previsível, mas ainda assim, ficou legal. Será que algum dia ainda veremos essa obra prima materializada? Torço para que sim.


Lifestream