Posts na categoria ‘Eu e a tecnologia’

E-mail não dá dinheiro

30 Mar

A desgraça une as pessoas. Isso é fato. Hitler já usava essa tática na década de 1940, e embora seus fins fossem inaceitáveis, a História mostra que a teoria por trás dos seus discursos entusiasmados funciona na prática. É por isso que, quando nos deparamos com algum revés, nos solidarizamos com o próximo. É com o mendigo que pede comida, com o adoecido que necessita de ajuda, com o ferido que anseia por primeiros socorros.

Essa teoria há muito tempo chegou na Internet. Ou ninguém se lembra do e-mail que, se repassado, geraria alguns dólares para ajudar no tratamento de uma menininha cancerígena? Acabei de receber mais um e-mail desses, dessa vez mostrando a imagem de um menininho totalmente deformado, acredito que por tumores. Até pensei em inseri-la aqui, mas repensei a idéia e achei que não contribuiria em nada - exceto atrair anencéfalos (no sentido figurado da palavra) oriundos de buscadores.

Há inúmeras vertentes dessa mamata, como o famosíssimo e-mail que, se repassado, renderia mais de U$ 2.000,00 ao remetente, custeados pela AOL e Microsoft. Notem: mais de dois mil dinheiros americanos por e-mail. Monetização é o caramba, o negócio é mandar e-mail. Quem dera fosse fácil asim…

A questão é: e-mail enviado não rende dinheiro, a ninguém. Poderia explicar os vários pontos que tornam isso impossível, técnica e financeiramente, mas acho que basta o grifo acima. A única conseqüência concreta dessa corrente pseudo-enriquecedora é chateação para quem a recebe, e congestionamento nos servidores de e-mail, que já sofrem com a alta demanda gerada pelos spams - cerca de 55% do tráfego.

Sei que a audiência deste humilde blog é pequenina se comparada ao mar de internautas que existe hoje no Brasil. Todavia, estou fazendo minha parte: não repassem e-mails que prometem dinheiro pelo simples ato de repassá-los. Isso é lenda urbana, não existe. O menininho cheio de tumores e a menininha cancerígena, infelizmente, até hoje não receberam sequer um centavo da Microsoft ou da AOL.

O usurpador de WiFi

12 Mar

Ontem apareceu uma mensagem no Windows Vista, de um notebook denominado “fulano_laptop” que queria compartilhar mídia dentro da rede WiFi. Através disso descobri que o espertinho estava usando minha conexão clandestinamente, já que, na pressa de configurá-la, cumulada com a preguiça de definir uma senha, deixei-a aberta.

Foi questão de minutos me debatendo no painel de configuração do access point para configurar tudo corretamente. Senha ativada, conexão restrita apenas a quem a sabe.

Resumindo: perdeu, preibói!

Estou usando o Ubuntu Linux, acreditam?

07 Mar

Se esta é a sua primeira visita a este humilde endereço virtual, não feche a página ainda! Este blog não é nenhum semi-manifesto pró-software livre, o cara que o escreve (eu) não é um lunático barbudo anti-Microsoft, e para desespero dos lunáticos barbudos anti-Microsoft, eu uso e prefiro Windows. Explicarei com detalhes a situação.

Segunda-feira, voltei da faculdade às 11h, como todo santo dia útil. Depois de almoçar, assistir The Batman, os gols da rodada e as manchetes do Jornal Hoje, liguei o notebook para ler e-mails e escrever alguma coisa no WinAjuda. Neste dia, também tinha a intenção de testar um cartucho de tinta, da HP 3820, recém-comprado. Quando o Windows XP carregou, algo estava diferente. O WiFi não funcionou, notei uma lentidão anormal… Reiniciei, mas continuou na mesma. Lutando contra a extrema lentidão do sistema, notei que o Gerenciador de tarefas estava meio detonado, e que nenhum programa aparecia no Adicionar ou Remover Programas. Meu primeiro suspeito foi o HD, que na linha Vostro 1000 tem um histórico maculado. Liguei para o suporte da Dell, o atendente pediu para eu fazer uma bateria de testes no notebook, e nada; ele estava perfeito, fisicamente falando.

Aqui entra o Ubuntu Linux. Há algum tempo, baixei a última versão (7.10) apenas para dar uma olhada, rodando via Live CD. Naquela situação, e precisando do notebook para o dia seguinte, à noite, após esgotar as possibilidades de recuperar o Windows*, resolvi instalá-lo como quebra-galho, já que o CD do Windows estava em Paranavaí, há uns setenta quilômetros de distância.

Shame on me, mas eu achei o Ubuntu 7.10 muito legal. Tudo é extremamente intuitivo e fácil. Pluguei a impressora na porta USB, e alguns segundos depois ela estava funcionando. Notem bem: sem nenhuma intervenção de minha parte. No Windows XP, teria um wizard chato, sem falar no download do bloatware que são os drivers da HP; no Vista, meu modelo (3820) só funciona através de um workaround porcaria, o qual só consegui fazer funcionar uma vez até hoje.

Instalando impressora no Ubuntu.

Todo o resto é legal. A usabilidade é apurada (nada de botões Ok e Aplicar), o GNOME é muito discreto é bem feito, o apt-get é algo de que já sinto falta no Windows, e o Compiz-Fusion enche os olhos.

Não me estenderei muito na parte técnica, nem partirei para comparações diretas com o Windows. Isso eu deixarei para meu outro blog.

Cá entre nós, estou me sentindo quase como um John C. Dvorak pobre. Ainda prefiro e recomendo o Windows, mas confesso que passei a ver o Linux com outros olhos depois dessa experiência…

*: Hoje, o PC das minhas irmãs apresentou o mesmíssimo problema. Dessa vez, porém, encontrei o culpado: um vírus &#*@%$. Ok, talvez não seja tão &#*@%$, afinal, não fosse ele, não teria experimentado o Ubuntu… Ah sim: o PC das minhas irmãs passa bem - e com Windows.