Arquivos da categoria 'Web life'

Escrever para o momento ou para a posteridade?

Twitter.

Twitter.

Robert Scobler tocou num assunto sobre o qual eu nunca tinha parado para pensar, e que é de suma importância em tempos onde a maioria dos bloggers abdicam de seus próprios blogs em prol de ferramentas como Twitter e FriendFeed. Em suma, Scobler diz que, nesses sistemas, o conteúdo produzido “perde-se” depois de algum tempo, simplesmente porque a busca tem prazo de validade.

Confesso que fiquei um tanto surpreso ao ler isso. Aproveitando o lançamento do Firefox 3.5, decidi fazer um teste. No lançamento do Firefox 3.0, a Mozilla fez uma grande campanha para que o programa entrasse no Guinness como o mais baixado do mundo. Batizou-a de “Download day”. A movimentação no Twitter, naquele dia, foi intensa, logo, muito material com os termos “download day” foi produzido. Fiz uma busca por ele no Twitter Search, e o mecanismo retornou quatro páginas de resultados, sendo o último de onze dias atrás. O conteúdo do dia 17 de junho de 2008, o tal download day, ainda está no sistema, mas virtualmente perdido por não ser possível encontrá-lo.

E aí entram os blogs, que de tanto se falar em mídia social, Twitter, orkut, Facebook e etc., ostenta, hoje, uma fisionomia cansada para muitos. Fazendo uma pesquisa no Google pelos mesmos termos citados acima, acrescido da palavra “blog”, o primeiro resultado é este. Para ficarmos num exemplo mais próximo, uma busca por “download day” no WinAjuda retorna quatro posts específicos sobre o assunto desejado.

Microblogs têm a vantagem de serem rápidos. Um link publicado há um minuto pode ganhar o mundo em poucos mais, graças a retweets, trending topics e outras características inerentes ao sistema, que privilegia bom conteúdo, mas trata com descaso coisas antigas – e entenda como “antigas” tweets da semana passada para trás. Enfim, não servem, de maneira alguma, como registro histórico. Se tivesse que escolher um ditado para simplificar essa questão, seria o célebre “o apressado come cru”.

No fim das contas, a história se repete: Twitter, FriendFeed, microblogs em geral não são os algozes dos canais mais antigos, como o blog e a “velha mídia”. Eles vêm para complementar. Citando exemplo levantado pelo Scoble, alguém consegue achar, no Twitter, o tweet com a foto daquele avião que pousou no rio Hudson, alguns meses atrás? No Google, é fácil.

O vídeo legendado de Hitler

Viral. Se antes essa palavra só se resumia a doenças causadas por vírus, hoje, na Internet, ela é mais associada a campanhas que se propagam espontaneamente do que às viroses propriamente ditas. Publicidade online movimenta muito dinheiro, e ações virais, embora na maioria dos casos surjam sem pretensões financeiras (sem pretensão alguma, para ser mais exato), é o filão da vez nas agências de publicidade.

Um que chama bastante a atenção é a redublagem de um trecho do filme A Queda, no qual Bruno Ganz interpreta o maquiavelico Adolf Hitler nos seus últimos momentos. A cena em questão mostra a decepção do Führer ao constatar que a II Guerra Mundial estava perdida para os Aliados. Esta é a cena original:

Como alemão provavelmente não é o idioma mais comum e fácil de entender do mundo, alguém teve a brilhante ideia de pegar esse trecho e legendá-lo… livremente. Segundo este artigo do NewTeeVee, o primeiro vídeo do tipo falava sobre um carro roubado. Confira (legendas em inglês):

Dali para frente, a coisa “pegou”, ou, dentro do contexto, o viral começou a se disseminar. Algumas características de Hitler, como sua impaciência e raiva, casam perfeitamente com as de muitos fanboys, pessoas que defendem algo ou alguma coisa, geralmente uma marca ou produto, como se fossem suas mães. Dali até aparecer uma versão baseada em fanboys, não demorou muito. Além dessa faceta, outra bastante recorrente nas legendas é a indignação com alguma empresa ou produto. O primeiro dessa fase foi uma legenda baseada na no banimento de usuários com consoles Xbox 360 chipados da Xbox Live, rede de jogos da Microsoft:

Ainda de acordo com o NewTeeVee, a mania de legendar essa cena estourou com a intervenção do Cracked.com, um dos sites de humor mais famosos do mundo, que fez o trabalho relacionado a uma derrota dos Cowboys no campeonato de futebol americano dos EUA. Vasculhei o site à procura do vídeo, mas infelizmente não consegui encontrá-lo.

A verdade é que, hoje, existem dezenas, talvez centenas de vídeos com a mesma cena, mas legendas das mais variadas. Uma das mais recentes, e que me motivou a fazer essa pequena pesquisa, é sobre Left 4 Dead 2, jogo da Valve que sairá menos de um ano após o lançamento do original, o que causou indignação numa boa parcela dos fãs da franquia. As duas legendas que vi são hilárias, mas, como a maioria delas, só é percebida por quem conhece o contexto da situação:

Há algumas versões em português. Essa, sobre gastos do governo, é bem divertida:

De qualquer maneira, as melhores estão no idioma do Tio Sam. Como esta abaixo, onde Hitler descobre que estão sacanaeando suas falas. Afinal, sempre dá para fazer piada de piada, né?

E como fazer sua própria legenda? O procedimento é simples, porém cansativo. Antes de qualquer coisa, é preciso um roteiro. Depois, baixe o vídeo original, sem legendas, do YouTube, usando a melhor técnica que você conhece. Particularmente, gosto de usar o KickYouTube. Em seguida, é preciso criar a legenda. O próprio Google disponibiliza uma ferramenta para tal, além de permitir a integração de legendas no formato *.sub automaticamente em vídeos seus. No entanto, para um resultado mais profissional, o ideal é criar a legenda no Bloco de notas mesmo (pegue uma pronta como base) ou em programas específicos, e depois integrá-la ao vídeo com a ajuda de programas como o VirtualDub (aqui tem um tutorial completo). Como dito, não é uma das coisas mais legais de se fazer na vida, mas o resultado compensa.

Existe vida além do Google

Concorrência é boa e tudo mundo se beneficia. Se até algum tempo atrás o Google era soberano nas buscas, hoje o cenário começa a mudar.

O Twitter está aí, e sua busca em tempo real bate num ponto onde o Google, mesmo tendo melhorado muito de uns tempos para cá, ainda peca: velocidade de indexação. São sistemas de busca diferentes e, na mesma proporção, com propósitos diferentes, mas dada a popularidade que o Twitter alcançou (com méritos, diga-se de passagem), quem quiser saber as últimas informações sobre, por exemplo, o desaparecimento do A330 da Air France, corre para o Twitter Search, não para o Google.

Nesse contexto, surgiu, com investimentos na casa dos U$ 15 milhões, o Topsy, um mecanismo de busca com roupagem tradicional, mas baseado no Twitter. O Topsy tem cara tradicional, mas a métrica usada para definir o que é mais relevante, quais URLs são as melhores, é o Twitter. A URL que for mais citada em conjunto com determinado termo, sobe no ranking. Essa é a diferença fundamental em relação ao Google, e o que talvez faça seu sucesso – embora ninguém saiba, ainda, como irão gerar renda através do sistema.

Saindo do Twitter, vem o Wolfram|Alpha, um motor de conhecimento computacional, baseado em informações de autoridades e objetivas. Não é Google -killer, como muitos aclamaram antes do lançamento. Ele se insere num contexto diferente, e tem seu valor, justamente por se diferenciar do Google em se tratando de finalidade.

E alternativa específica para o Google? Além do próprio Yahoo!, que apesar dos pesares, segue na vice-liderança dos buscadores tradicionais, o Bing estreou hoje, prometendo muito e com calorosa recepção da crítica. Criado pela Microsoft, o Bing foca bastante em dois aspectos: verticalização e relevância. Disponível totalmente apenas nos EUA, por enquanto, ele mostra ganhos reais em relação à interface do Google, e promete, finalmente, incomodar, já que seus “antepassados”, MSN Search e Live Search, nunca fizeram cócegas no reinado de Mountain View.

Acho engraçado quem diz que nunca abandonará o Google. Não pelo serviço em si, que é muito bom, mas pela certeza de que algo, especialmente num ambiente tão mutável como a Internet, seja definitivo. Esses discurso de fidelidade pode valer para time de futebol, mas para serviços web, acho um pouco forçado. Afinal, o Google de hoje pode ser o Live Search de amanhã – e vice-versa.

O novo blog

The circle of no life.

The circle of no life.

Muitos já disseram que o blog está com os dias contados. Não o meu, nem o seu, mas a plataforma, o sistema de publicação blog. Quem disse isso, no passado, recebeu uma chuva de respostas contrárias e, em certo ponto, violentas. Como assim, o blog está morrendo? “A revolução não será televisionada”, disseram os extremistas.

Não cometerei esse mesmo erro. O blog não morrerá. O que pode acontecer, e vários sinais recentes demonstram que algo neste sentido está acontecendo, é uma evolução do blog. E essa evolução não é absoluta, geral. Pelo contrário, afeta as “beiradas” da blogosfera, aquela que não está muito preocupada com monetização, milhões de visitas e que, no fim das contas, tira seu salário dos blogs que mantém. É difícil imaginar um Engadget da vida mudando radicalmente sua postura.

Há alguns dias, escrevi, aqui mesmo, um texto comentando a dificuldade em manter esse blog. Transcrevo uma parte daquele texto:

Estou com algumas dificuldades para atualizar este blog. De repente, parece que todos os assuntos são chatos e irrelevantes, minha capacidade de desenvolver textos desceu ralo abaixo, e a coisa simplesmente… não flui.

O Daniel Santos, blogger das antigas e um dos caras em que me espelho enquanto blogger, transcreveu este mesmo trecho em seu blog pessoal, e com o mesmo intuito meu: justificar sua adesão ao Tumblr. Outra blogger de longa data, e igualmente outra inspiração para mim, a Lu Monte, publicou um post desculpando-se da ausência de posts, e dizendo que, em outros lugares virtuais, como Flickr e Twitter, novidades aparecem com mais regularidade. Eu mesmo, embora em menor quantidade, tenho atualizado mais meu Twitter e Tumblr do que o blog pessoal.

Notaram a tendência? Blogs pessoais estão convergindo para serviços de publicação mais ágeis, com menor cerimônia para postagem, e interatividade ainda mais rápida que a dos blogs (embora este não seja, na minha visão, o fator determinante para essa migração).

Os motivos estão aí, mas falta uma explicação sobre a outra ponta, a dos leitores. Por que é mais fácil, para eles, acompanhar o que eu, o Daniel ou a Lu escrevemos em serviços web do que em nossos respectivos blogs? A resposta é que, na realidade, não é. A rapidez no feedback e a interatividade maior dos supracitados serviços passam essa falsa impressão. O leitor do blog, ou mesmo o paraquedista do Google, só conhece o blog.

Esse motivo, por si só, justifica a existência do blog. Talvez algumas coisas mudem, afinal, nada é imutável. No meu caso, potencializei uma velha “regra” para meu blog pessoal: só escrever textos grandes e com conteúdo longevo – como este texto. Todo o resto, de vídeo engraçadinho ao agora mundialmente famoso what are you doing?, eu “desovo” em outros canais. Aos que se interessam por tudo que eu produzo (algum maluco?), o FriendFeed é serventia da casa :-) .

Se fizermos uma analogia entre blogs e esportes, podemos considerar existirem os blogs amadores e os profissionais. Não na qualildade da escrita – até porque, pela minha experiência, os “amadores” dessa classificação são melhores escritos que os “profissionais”. O que define um e outro, dentro desse contexto, é o objetivo do blog. Ganhar dinheiro? Profissional. Compartilhar ideiais ou qualquer outra coisa? Amador.

Dito isso, é possível notar que o padrão sobre o qual discorri acima aplica-se, na maioria esmagadora dos casos, aos blogs amadores. Profissionais fazem uso desses serviços, mas apenas como complementos. Não conheço casos de blogs profissionais que baixaram a produção por causa do Twitter, por exemplo. Citando a mim, nos blogs profissionais, graças ao tempo que “ganhei” com o término da faculdade, o ritmo aumentou. Hoje, com Twitter saindo no Fantástico e tudo mais, escrevo bem mais no WinAjuda do que fazia há um ano. Talvez essa diferenciação seja parte da evolução dos blogs, citada no início desse texto.

Questões técnicas e posicionamentos à parte, o mais legal é ver o bom e velho UCG cada vez mais forte. Não com o intuito de derrubar a “velha mídia”, bobagem descabida, mas sim no de fomentar o social, estreitar as relações entre amigos e familiares, e em última instância, fazer desse mundinho que chamamos de lar um lugar mais correto e, por que não, divertido.

O que o Tumblr tem?

Eu no Tumblr.

Eu no Tumblr.

Estou com algumas dificuldades para atualizar este blog. De repente, parece que todos os assuntos são chatos e irrelevantes, minha capacidade de desenvolver textos desceu ralo abaixo, e a coisa simplesmente… não flui.

Contrapondo essa situação despesperadora para quem escreve (e quem nunca passou por ela?), tem um Tumblr na aba ao lado me tentando. Imagine um blog simplificado, com suporte sólido a quaisquer tipos de conteúdo (vídeo, sons, bate-papo, etc.), e que preza a simplicidade, tanto da forma, quanto do conteúdo. Esse é o Tumblr.

Já pensei, e ainda penso, em substituir esse blog com cara de cansado pelo Tumblr que criei e, até hoje, mais me fascina do que é utilizado. Em parte graças à própria existência deste blog, e também pela insegurança de dividir meus pensamentos, ideias e impressões, que já não são muitos, em dois lugares. De qualquer maneira, o Tumblr exerce um fascínio interessante, e talvez a (falta de) regra em sua utilização, no bom sentido, seja a culpada.

Há quem use o Tumblr como um blog convencional, mas isso está longe de ser padrão. O mais comum são moleskines virtuais, com anotações, imagens e vídeos desconexos, que juntos, e na forma com que são expostos, tornam-se irresistíveis. Tanto de ler, quanto de ter um igual.

Soa meio infantil, como a criança que vê o brinquedo do outro amigo e bate o pé por um igual. E também remete àquele velho ditado, “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Talvez. Mas o Tumblr tem isso, e qualquer coisa que possua esse poder chama minha atenção – mesmo que ela evapore dali a alguns dias.

O Tumblr é um serviço de tumblelogs, mais uma das infinitas variações de blogs. Segundo a Wikipedia, um tumblelog é:

Uma variação do blog que preza por posts curtos, com vários tipos de mídia misturados através de posts editoriais frequentemente associados ao blogging (”blogar”). Os tipos mais comuns de formatos de posts encontrados em tumblelogs incluem links, fotos, citações, diálogos e vídeos. Diferentemente de blogs, tumblelogs são geralmente usados para compartilhar criações do seu autor, descobertas ou experiências, com poucos ou totalmente sem comentários.

Exemplo prático. Estou usando o computador numa mesa temporária e que está uma nhaca. Lendo o Lifehacker, vi esse projeto de mesa DIY super legal. Comecei um texto aqui no blog falando da minha atual situação em relação ao computador, do que planejo fazer para mudá-la, e citei, nas entrelinhas, a tal mesa-faça-você-mesmo. No fundo, eu queria só compartilhar o texto sobre como fazer a mesa. Quase seis parágrafos de muita abobrinha depois, reli tudo e… bah, que grande bosta. Apaguei e publiquei esta notinha no Tumblr. Mais simples e satisfatório, não?

É verdade que, com o que o WordPress oferece, dá para fazer algo, se não igual, muito próximo do que o Tumblr e outros serviços de tumblelog oferecem. Talvez o problema seja psicológico. Explico. Pelo histórico que mantenho aqui, meio que associei meu blog pessoal a textos longos e mais detalhados. Me parece um desperdício publicar uma nota como essa. É curta, simples. O editor do WordPress não tem limitação de espaço, como uma folha de caderno, mas me obrigo a encher uma quantidade mínima de “folhas” quando abro o editor daqui. O tema atual (Basic), que considero muito bonito, aliás, é, por outro lado, pomposo. No fim das contas, ele casa perfeitamente com a visão que criei desse blog: algo grande, que pede textos grandes e/ou complexos. Em suma, limitei as possibilidades.

E por fim, mas não menos importante, temos a áurea em torno do Tumblr, criada e fomentada pelos desenvolvedores. Dois pontos-chave contribuem para ela: a comunidade acerca, e a simplicidade da ferramenta. O fomento da comunidade é feito através de coisas como seguidores (a la Twitter), reblog, favoritos e, o recurso mais recente, Tumblarity, uma página de estatísticas super completa associada a um ranking de popularidade. Já a simplicidade exala das páginas do Tumblr. Até a ajuda é simples, tanto que nem parece ajuda padrão de programas/sites, coisa que, geralmente, associo a textos prolixos e demasiadamente técnicos. Quer ver? Aqui está a ajuda para publicação via e-mail do Tumblr. E aqui, a mesma coisa, só que para WordPress – e olhe que WordPress é uma das coisas mais user-friendly que conheço. Sentiu a diferença?

O Tumblr tem um quê especial. Algo familiar, aconchegante, convidativo. Sua mecânica faz com que qualquer um pense “ah, isso eu consigo manter”, e sua beleza estética e fundada no minimalismo desperta um interesse quase instintivo na maiora das pessoas que o descobrem, seja por recomendação, seja ao acaso.

Claro que ele não se aplica a tudo. Esse texto que você está lendo, por exemplo, não cairia bem num tumblelog. Lembre-se da definição: “(…) baseado em posts curtos”. Pensando bem, acho que há espaço para um tumblelog e um blog em minha monótona vida. Só espere mais atualizações do que aqui, por motivos óbvios.

A mais nova profissão americana

Terça-feira o The Wall Street Journal publicou uma matéria falando sobre bloggers full time, ou em português, blogueiros (detesto esse termo) que trabalham em período integral. Segundo a reportagem, essa “classe” tem crescido muito, e já é maior que a dos bombeiros e programadores, e está perto da dos advogados. A reportagem ainda chama a atenção para a porcentagem de bloggers americanos que vivem de seus blogs (2%, algo perto de 500 mil pessoas), e as implicações dessa mudança comportamental na vida dos outros e na dos próprios bloggers.

Alguns pontos que poucos pensam quando o assunto “ganhar dinheiro com blogs” vem à tona são comentados nessa reportagem também. Questões de ética, (falta de) formação técnica, seguridade social, dentre outras coisas. Pelo tom do texto, há um misto de empolgação e preocupação. Na última CES, segundo o WSJ, a Panasonic distribuiu produtos para bloggers. Até que ponto isso afeta a reputação e credibilidade deles? No Brasil, houve algo parecido no final do ano passado, quando a LG levou um grupo de bloggers para o litoral e distribuiu celulares para todos. Como fica?

Essa questão já foi amplamente debatida em todos os cantos da Internet brasileira, sem que se chegasse a um consenso. E, na boa, pouco importa. Cada um colhe o que planta, logo… O interessante da matéria do WSJ é a ênfase na dificuldade e nos empecilhos que a “profissão” blog implica. Alguns grandões manifestaram-se prontamente após a publicação, como Darren Rowse, autor do ProBlogger. Ele ainda pegou leve, ao contrário de Penelope Trunk, bem mais cruel e, sob certo aspecto, realista. Ela termina seu texto dizendo:

Então, se a ideia é que o blog o deixará rico: esqueça-a. Suas chances de conseguir isso são mínimas, enquando suas chances de ganhar outros benefícios através do blog são muito altas. Então blog, sim, e faça isso para alcançar suas verdadeiras metas, não apenas as financeiras.

Rowse discorda de alguns pontos levantados por Trunk, como a necessidade de vir ou ter algum vínculo com a mídia. Ele cita a si próprio como exemplo, mas pondera:

(…) mas precisa de muito trabalho e leva muito tempo.

Leva muito tempo mesmo. E às vezes mesmo com todo o tempo do mundo, a coisa não flui. Os motivos podem ser vários, desde inaptidão para com a escrita, até falta de sorte mesmo. Não estar no lugar certo e na hora certa, essas coisas.

O sucesso absoluto também é perigoso. A matéria cita problemas de saúde, estresse e outras mazelas proveniente do trabalho em excesso. No Brasil isso ainda é raro, mas lá fora, por exemplo, Gina Trapani, fundadora do conhecidíssimo Lifehacker, deu um tempo em sua cria para respirar novos ares. Ela é uma das bloggers mais bem sucedidas e exemplares que eu acompanho, e a tomo como exemplo a ser seguido. Até mesmo nesse aspecto, da saúde mental, afinal, deixar a liderança do Lifehacker deve ter sido uma decisão deveras difícil, porém necessária – segundo os critérios dela.

O blog é uma poderosa ferramenta, compatível com qualquer área do conhecimento humano. Gosta de Direito? Crie um blog jurídico. Gosta de tecnologia? Crie um (mas esteja ciente que o nicho está bem saturado). Curte jardinagem? Há espaço, também. Não só essa compatibilidade universial é atraente, mas também a força que o blog pode ter. Nas palavras de Mark Penn, do WSJ:

Se os jornalistas são o Quarto Poder, os bloggers estão virando o Quinto Poder.

E de fato têm capacidade para serem o Quinto Poder. Só que não é a ferramenta que dá esse poder, mas quem a utiliza. Não sei como é lá fora, mas no Brasil há uma tendência a aglutinar blogs como sendo uma coisa só, quando, na realidade, o blog, em si mesmo, não é nada. Ou melhor, é apenas uma ferramenta. Trace uma analogia com um pincel e uma tela. Nas minhas mãos, o resultado seria alguns rabiscos sem nexo e feios. Nas do Picasso, um quadro de valor inestimável. Vê como é? Blog está disponível a qualquer um. O que faz a diferença não é o simples fato de ter/escrever num blog, mas sim o que se escreve no blog.

O dado mais curioso é a média salarial de grandes blogs. Segundo a reportagem, embasada pelo Technorati, um blog que tem 100 mil visitantes únicos por mês gera U$ 75 mil por ano. Ah, se isso fosse a realidade no Brasil… :-)

Considerações sobre o Google Profile

Todos gostam da Google, inclusive eu, pela criatividade dos serviços que saem de lá. Às vezes coisas simples, porém ousadas, como oferecer 1 GB de espaço no e-mail quando o melhor concorrente oferecia 20 MB, dão tão certo que tornam-se padrão na indústria. E mesmo que algo não faça sucesso de cara, como o Google Reader, são raros os casos em que uma reformulação no serviço não o coloca no rol de indispensáveis de muita gente.

Um serviço tímido, porém com potencial gigantesco, há algum tempo foi lançado. Trata-se do Google Profile. A proposta é simples: uma página simples, onde informações escolhidas e preenchidas por você ficam à disposição de qualquer um, ou de pessoas selecionadas. Nada mais, nada menos. Simples no conceito, incomensurável no alcance.

Google Profile.

Google Profile.

Poderiam utilizar profile do orkut, fazer um mashup com outros serviços da empresa, e voy la, um Google Profile automático. Mas, particularmente, acho que não fizeram isso dada a baixa popularidade do orkut em terras estrangeiras. Sendo assim, é melhor fazer algo novo, sem qualquer ligação com a rede do seu Orkut, e lançar.

Hoje a Google deu um importante passo na consolidação do Google Profile: o uso de URLs amigáveis, contendo o nome do usuário. A minha é http://www.google.com/profiles/ghedin. Pode parecer algo bobo, mas a Microsoft, que possui algo similar no Windows Live, ainda não implementou, mesmo tendo saído na frente, ou seja, lançado antes seu serviço de perfis. Na Live, por exemplo, minha URL é http://cid-d137ed81f69892dc.profile.live.com/. Nada elegante, e impossível de memorizar.

Além dessa novidade significativa, outras foram implementadas. Ou não; talvez não sejam novidades de fato, mas não me recordo delas antes. Por exemplo, integração com o Picasa Web Albums, que permite acrescentar algumas fotos ao perfil. Temos também, agora, a possibilidade de acrescentar o endereço do Google Talk, outro serviço da Google. Mas esse merece melhorias; seria bem interessante fazer desse endereço algo dinâmico, que permita a qualquer um conversar com o dono do perfil dali mesmo. Algo como existe no próprio serviço, e eu uso em meu cartão de visitas virtual. Não deve ser muito difícil essa mudança, e não me surpreenderei se ela aparecer em breve.

Falando em cartão de visitas virtual, hoje uso uma solução DIY. Criei um subdomínio neste blog, e coloquei informações básicas sobre mim. Tudo bem simples, mas funcional. Mas não desconsidero substituir esse trabalho artesanal por algo padronizado, ainda que hospedado nos servidores da Google. As vantagens de lá são inúmeras: controle web (meu cartão é um HTML simples), uso de microformats (vCard), utilização de diversos serviços da Google agregados, e por aí vai. Ainda está meio “cru” para o uso profissional, mas se a Google investir pesado ali, pode criar um monstro – no bom sentido.